Ty Lee se sentiu infantil quando começou a esfriar a cabeça, longe da festa. E daí que as suas irmãs também eram acrobatas? Ela não tinha o direito de privá-las de fazer algo que gostavam só porque ela tinha feito aquilo primeiro. Acontece que Azula a achava interessante por isso, e agora Ty Lee não se sentia mais tão especial.
— Quer conversar sobre isso? — A voz de Azula a assustou. Ela não esperava ter sido seguida.
— Esquece. É bobagem.
Azula deu um gole na própria bebida e se sentou ao lado dela, oferecendo o copo. Ty Lee aceitou.
— Você sempre diz isso quando fica chateada com alguma coisa. Não é bobagem, sabia? Você não precisa engolir coisas que te deixam desconfortável só pra não desagradar os outros.
Ty Lee sentiu os olhos pinicarem e piscou para afastar as lágrimas. Ela abraçou os joelhos com mais força.
— Eu sei, mas é porque quase sempre eu só tô sendo dramática e sensível. Eu faço tempestade em copo d'água.
— Quem te disse isso?
— Todo mundo?
Azula tomou o copo de volta para dar outro gole e franziu as sobrancelhas.
— Na minha experiência, as pessoas só querem poder continuar te machucando. Daí, quando você se sente desrespeitada, elas insistem que era só brincadeira pra te desencorajar de reclamar. Assim, você permanece sendo feita de capacho.
— Mesmo? — Ty Lee a encarou surpresa.
— Eu saberia — Azula riu — Eu sou especialista em destratar as pessoas.
Ty Lee a empurrou com o ombro, mas ponderou sobre as palavras dela e sobre como era sempre feita de capacho pelos outros. Ela só queria ser gostada por todos. Era um desejo razoável, não era?
— Bom, você tem razão, como sempre, mas dessa vez eu realmente acho que exagerei. Minhas irmãs têm o direito de fazer acrobacia se elas gostam.
Azula assentiu com a cabeça e deixou o copo de lado para apoiar o peso do corpo nas palmas das mãos enquanto se inclinava para trás.
— É muito maduro da sua parte dizer isso. Eu provavelmente colocaria cola no xampu delas ou escorpiões nos travesseiros.
Ty Lee a encarou chocada, e então as duas começaram a gargalhar. Eram boas ideias de vingança. Valeria a pena anotar, só por precaução. Além disso, Ty Lee fez uma nota mental para nunca virar inimiga de Azula.
— Me arrependo um pouco de ir embora. Queria ter visto a apresentação — Ela confessou.
— Hum, eu vi o começo — Azula deu de ombros — Você é melhor.
As duas se olharam, e Ty Lee abriu um enorme sorriso. Finalmente, Azula parecia enxergá-la como alguém digna de atenção, alguém no nível dela. Ty Lee estaria contente em apenas ser sua admiradora mais fiel, porém, no fundo, ela sempre quis impressionar Azula de alguma forma.
— Obrigada, Azula. Você vir até aqui me deixou melhor.
Azula desviou o rosto revirando os olhos, mas manteve o sorriso.
— Não foi nada. É claro que eu viria. Você é a única pessoa aqui que eu realmente conheço.
As duas voltaram para a festa, e Ty Lee procurou as irmãs para pedir desculpas. Quando as encontrou, elas pareciam tristes e decepcionadas. A visão partiu seu coração.
— Ty Lee, para onde você foi? — perguntou Ty Woo.
— Nós planejamos essa surpresa para você. Queríamos que você tivesse visto — Acrescentou Ty Lin.
— Praticamos tanto e você foi embora! — Ty Lum parecia prestes a chorar.
Ela agora se sentia péssima.
— Eu sei, eu não fui uma boa irmã — Ty Lee confessou — Eu reagi mal a princípio, mas refleti que tava sendo egoísta. Se vocês gostam de acrobacia, eu vou apoiá-las.
— Por que você não gostou? — indagou Ty Lao.
— Porque eu achei que ser acrobata era o que me diferenciava e me tornava especial. Achei que cada uma de nós tinha um hobby para chamar de seu.
— Foi você quem inventou isso. Todas nós gostávamos de acrobacia e você fez a gente escolher outras coisas.
Ty Lee começou a murchar ainda mais. As irmãs tinham razão em se chatearem. Ela não havia percebido o quanto estava sendo egoísta todos aqueles anos.
— Meninas, perdão, de coração. Ainda tenho mais uma semana aqui. Por que não me mostram o que andaram praticando, e nós podemos até treinar juntas? Eu quero me redimir.
As irmãs se entreolharam e cochicharam entre elas, assentindo com a cabeça. De repente, as expressões radiantes tornaram a estampar seus rostos.
— Isso nos deixaria muito felizes, irmã — disse Ty Lao por todas elas.
Ty Lee sorriu satisfeita e aliviada com a reconciliação. Só então percebeu que Azula assistiu tudo ao fundo, em silêncio. Ela foi até a tatuadora.
— Você e a sua família fazem as pazes com tanta facilidade — comentou Azula.
— Nem sempre é assim. Às vezes, nós brigamos feio. Tem momentos que eu não suporto as minhas irmãs. Mesmo assim, alguém precisa engolir o orgulho, e hoje fui eu — Ty Lee respondeu — Por mais que eu tenha me chateado, não queria voltar para a cidade brigada com elas.
Azula digeriu as palavras, mas não teceu um comentário ou sequer mudou muito de expressão. Ao invés disso, estendeu uma mão para Ty Lee.
— Vamos dançar. Você tá precisando relaxar também.
Ty Lee sorriu e tomou a mão de Azula, corando. No final das contas, ir à festa não foi uma ideia tão ruim assim.
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A Serpente em meu Jardim
Romance[CAPÍTULOS SEGUNDA, QUARTA E SEXTA] Uma energética florista se muda para a cidade grande e se encanta com a fria e atraente tatuadora com tatuagem de serpente que trabalha do outro lado da rua. Cafeterias, casas de chá e flores por todos os lados cr...
