XXX. A recompensa

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Elas estavam saindo há quase duas semanas e o máximo que Azula fazia era abraçá-la. Ty Lee era paciente, mas estava no seu limite. Era uma coisa aguentar não beijar Azula quando pensava não ter chances com ela, mas era outra bem diferente quando elas eram praticamente namoradas. Uma intervenção era necessária.

Ty Lee sabia que Azula estava vindo ajudá-la a estudar, então tentou ficar irresistível. Ela usou seu melhor rímel, aplicou o blush com maestria e até mesmo passou uma camada de gloss para deixar seus lábios mais volumosos. Ty Lee escolheu sua roupa confortável mais bonita e fez uma trança mais complexa do que o normal. Por fim, caprichou no perfume floral.

Azula tossiu quando a abraçou.

— Seu cabelo tá diferente.

— Diferente bom ou ruim?

Azula deu de ombros.

— Os dois penteados são ok, eu acho.

Ty Lee gritou internamente.

— Você tá linda, como sempre — Ela respondeu mesmo assim, porque era verdade.

Azula estava usando uma calça jeans e uma blusa de alça vermelha. A única diferença em sua aparência do usual era que só metade do seu cabelo estava preso em um coque, enquanto o resto estava solto. O cabelo negro de Azula era quase tão longo quanto o de Ty Lee.

— Obrigada — Ela aparentou corar um pouco e passou as mãos pelo cabelo — Você também tá bonita.

O elogio foi dito quase como um sussurro. Azula não era muito acostumada a elogiar outras pessoas. Ty Lee sorriu. Ela estava aprendendo.

Enquanto elas estudavam, Azula se dedicou bastante com os cartões de perguntas, mas Ty Lee estava distraída. Era tão injusto que Azula estivesse tão a seu alcance e ela ainda não soubesse como era encostar os lábios no dela.

— Ty Lee, você não tá levando isso a sério!

— Desculpa. Eu me distraí com os seus olhos. — Ela sorriu, nem um pouco arrependida.

As bochechas de Azula ficaram vermelhas, apesar dela franzir as sobrancelhas e fechar a cara.

— O que eu preciso fazer pra você prestar atenção?

Ty Lee começou a corar com uma ideia que surgiu em sua mente. Talvez fosse cedo demais e arriscado demais. Quanto tempo você precisa esperar antes de pedir um beijo da sua namorada?

— Eu quero te fazer uma pergunta.

— Faça — Respondeu Azula.

— Por que você ainda não me beijou?

— Ah.

Azula deixou os cartões de perguntas e respostas de lado e se aproximou de Ty Lee na cama. O coração dela começou a palpitar.

— Porque você não me pediu.

— Você não precisa esperar que eu peça — Respondeu Ty Lee.

— Como sei quando te beijar?

— Quando der vontade. É mais ou menos assim que funciona. E se eu não estiver afim, eu aviso.

Azula a estudou com uma expressão neutra e o pescoço inclinado na direção dela. De repente, segurou o queixo de Ty Lee com uma das mãos, fazendo ela engolir a seco. Seu rosto já devia estar vermelho.

— Agora é um bom momento?

Ty Lee assentiu com a cabeça, porque estava nervosa demais para falar.

Azula fechou os olhos e terminou de inclinar a cabeça, encostando os lábios com os dela. Só então, Ty Lee lembrou de também fechar as pálpebras. O coração dela acelerou ainda mais e ela levou uma mão ao peito para se acalmar, enquanto segurava a nuca de Azula com a outra.

Após alguns segundos, Azula inclinou o pescoço para poder abrir espaço nas bocas delas e deslizar a própria língua. Ty Lee havia beijado dezenas de vezes na vida, mas nada nunca a deixou tão nervosa antes. Azula segurou o rosto dela entre as duas mãos para se inclinar mais ainda e Ty Lee tentou não perder o equilíbrio.

Assim que o beijo começou a se intensificar, Azula se afastou, deixando Ty Lee completamente paralisada e soltando fumaça pelas orelhas. Azula estava apenas ligeiramente corada e trazia um sorriso confiante em seu rosto. Ela nem mesmo ficou ofegante.

— Tipo assim?

Ty Lee balançou a cabeça, ainda sem palavras e com o rosto queimando.

— Ok. Entendi. Você vai conseguir se concentrar no estudo agora?

Com certeza não. Azula derreteu todos os neurônios restantes de Ty Lee. Quando ela achou que voltaria a formar frases coerentes, observou Azula limpar gloss do próprio queixo e entrou em curto circuito novamente. Se beijar a própria namorada fosse quebrá-la toda vez, Ty Lee estava em apuros.

A Serpente em meu JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora