X. Confrontos

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Azula imaginava que as coisas ficariam constrangedoras depois daquela noite. Mesmo assim, ela não esperava ver Ty Lee entrar em seu estúdio acompanhada da garota dos leques com um pedido ridículo que não passava de desculpa esfarrapada. Elas não haviam tido uma única conversa decente nos últimos dias, o que por si só não incomodava Azula, mas ela havia esperado que ao menos Ty Lee tivesse algum traquejo social para lidar com a situação. Ao invés disso, sua namorada recorria a esquemas mequetrefes para não lidar com confrontos, uma total distorção do que Azula fazia de melhor — esquemas estratégicos para causar o máximo de confrontos possível.

— Zula! Que bom que te encontrei aqui.

— Onde eu trabalho? — Azula ergueu uma sobrancelha.

— Você se lembra da Suki, não é? — Ty Lee ignorou a pergunta.

Suki acenou com um sorriso nervoso.

— Sim — disse Azula com uma calma sobrenatural, ainda tentando descobrir a armadilha.

— Estávamos conversando agorinha e ela falou que tem muita vontade de fazer uma tatuagem. Como ela adorou seu trabalho — Ty Lee gesticulou para seus ombros, decorados com flores de jasmim —, achei que você seria a pessoa certa. O que acha?

Azula esticou o braço para pegar sua garrafa d'água e bebeu três longos goles antes de responder.

— Tenho um horário livre agora. O que você quer? — perguntou olhando para Suki.

— Ela disse-

— Não. Preciso ouvir da sua amiga. Afinal, é ela quem vai levar agulhada.

Suki engoliu a seco e deu alguns passos hesitantes na direção de Azula. Ela parou por um instante e virou-se para Ty Lee, que a encorajou com um aceno de cabeça e um sorriso. Suki suspirou, derrotada, e sentou-se na frente da tatuadora, arregaçando a manga da camisa.

— Dois leques aqui. Desse tamanho, mais ou menos.

Azula abriu seu caderno e rabiscou algo por alguns segundos. Era uma cópia fiel dos leques que Suki e Ty Lee usavam em seus treinos de luta.

— Tipo isso aqui? — Ela virou o caderno para Suki, que arregalou os olhos.

— Uau, você capturou direitinho. Como...?

Azula apontou para Ty Lee, que ainda aguardava em pé na porta do estúdio.

— Ela pratica na minha frente quase todos os dias. Posso ver esses leques até quando fecho os olhos pra dormir.

Estranhamente, Suki sorriu com o comentário. Seus olhos pareceram se encher de uma admiração inexplicável, apesar de Azula não ter dito nada de relevante.

— Bom, acha que ficaria simples demais? Ty Lee sugeriu flores ao redor.

— Quem tem que decidir é você. — Azula cruzou os braços. — Posso fazer um sombreado bem dinâmico pra deixar mais interessante. Acho que já ficaria bem legal sem as flores.

— É. Sinto que flores são mais a cara dela. — Suki riu. — Quanto tempo vai demorar?

— Com esse tamanho, umas duas ou três horas. Mas só tenho uma livre agora, então seria melhor dividir em duas sessões. Hoje, só contorno.

— E quanto vai custar?

Azula rabiscou uma estimativa no caderno. Os olhos de Suki pareciam querer saltar do crânio e, mais uma vez, ela se virou para Ty Lee, que já caminhava até elas em passo rápido.

— Pode deixar comigo. É um presente — ela disse, fazendo com que Azula e Suki cerrassem os olhos em sincronia.

— Ty Lee, acabo de me lembrar. June precisa da sua ajuda numa questão floral.

A Serpente em meu JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora