VIII. Uma ida ao café

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Ty Lee gostava muito de fazer pequenos passeios para conhecer a cidade, especialmente em restaurantes, bares e cafés. Ela retinha informações novas facilmente, e estava aprendendo rápido a se virar na metrópole. Dentre as novas informações que Ty Lee estava aprendendo, ela fez as seguintes descobertas:

1. Azula gosta muito de café e de chá verde.
2. Azula, apesar de ter um estilo quase minimalista, usa muitas roupas de marca. Ela é secretamente rica?
3. Azula tem um cabelo preto insanamente hidratado, denso e reluzente. Ela costuma prendê-lo em um coque.
4. Azula tem uma pele impecável. Qual será a rotina de cuidados dela?
5. Azula é extremamente bonita.

— Por que você tá me encarando? — Azula tirou os olhos do celular e encarou Ty Lee enquanto aguardavam na fila do café.

— Ah, nada — Ty Lee balançou a cabeça e assobiou, desviando o olhar para o teto.

Azula escolheu não insistir. As duas fizeram o pedido e se sentaram em uma das mesas, mas Azula não desgrudava do celular. Mesmo quando os cafés chegaram, ela bebeu sem levantar os olhos.

— Ugh. Não foi o que eu pedi — Ela fez uma careta de nojo e recolocou o copo na mesa.

Ty Lee ficou tensa com o desagrado de Azula, mas dividida sobre o que fazer, porque Ty Lee não era exatamente uma pessoa que gostava de confrontos.

— Quer que eu mande de volta?

Azula finalmente tirou os olhos da tela e pareceu pesar suas opções. Ela fez uma enorme careta antes de respirar fundo e relaxar o rosto.

— Não precisa. Esse... deve bastar. O gosto não chega a ser tão ruim.

Ty Lee percebeu que Azula estava fazendo um esforço consciente. Não precisava ser especialista em ler pessoas para ver no rosto dela os sinais de dor física. Aparentemente, não reclamar de algo causava reações viscerais em Azula. Ty Lee estava cada vez mais certa sobre a tatuadora ter um passado privilegiado secreto, e isso a tornava mais interessante de conhecer.

— Quer provar do meu? — A florista ofereceu.

Azula pareceu prestes a recusar, porém esticou o braço e segurou o copo ofertado. Ela deu uns três goles lentos antes de apoiar o copo sobre a mesa e empurrá-lo de volta para Ty Lee.

— Não é ruim.

Ty Lee sorriu e continuou bebendo. As pessoas do café olhavam bastante para a mesa delas, mas Ty Lee estava acostumada com atenção. Não era à toa que ela havia fugido com o circo uma vez. Talvez estivessem encarando Azula, porque ela era alguém que se destacava na multidão. Azula tinha uma presença que dominava qualquer ambiente onde entrasse—seus movimentos eram sempre elegantes, e seus olhos eram intensos e atraentes. Certamente era alguém que virava cabeças quando passava.

— Eu acho melhor eu voltar para o estúdio — Azula olhou ao redor e pareceu ligeiramente desconfortável, mas era impossível ler suas emoções corretamente.

— Você tem um cliente marcado?

— Algo do tipo.

Azula se levantou e pagou pelo café apressadamente, levando seu copo inacabado consigo. Ty Lee a copiou, confusa com a pressa repentina, mas não quis irritá-la com perguntas.

— Aquela não é a filha do...? — alguém sussurrou de uma das mesas mais próximas da porta.

Com um olhar fulminante lançado na direção do som, Azula jogou o seu café no lixo e saiu empurrando a porta com as duas mãos.

— Eu perdi meu tempo nesse café e ainda erraram meu pedido — Ela se permitiu reclamar enquanto colocava as mãos nos bolsos da calça.

— Você pode ficar com o meu se quiser. Você pareceu ter gostado — Ty Lee ofereceu.

Azula parou de andar e a encarou surpresa, com as sobrancelhas erguidas em confusão. Ela aceitou o copo de café sem dizer nada, tomou outro longo gole e continuou andando. Ty Lee acrescentou à sua lista mental:

6. Azula é assustadora de mau humor.

Elas continuaram andando em silêncio e, pouco a pouco, os nervos de Azula pareceram ir se acalmando. Ela olhou de soslaio para Ty Lee, que caminhava em silêncio ao seu lado, observando as pessoas que passavam e as lojas ao redor. Surpreendentemente, Ty Lee sabia quando o silêncio era mais bem-vindo. Azula olhou para o copo já vazio e suspirou.

— Obrigada. Você não precisava ter feito isso.

Surpreendentemente, Azula sabia agradecer.

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A Serpente em meu JardimHistórias para pegar e não largar. Descubra agora