O Laboratório.

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APÓS Hani se certificar de que Chloé - a última das quatro jovens que visitou e teve a mesmíssima conversa - estava mesmo desacordada, balançando sua mão na frente dos olhos da menina e suspendendo uma das mãos desta, vendo a mesma cair amolecida sobre o estofado do leito, afastou-se de onde a Guillaume estava adormecida e observou os homens trabalharem. Seu olhar era, como sempre, muito severo para com eles. Apesar de sentir pena da pequena e inocente garota adormecida, era o que tinha que fazer.

Era o seu trabalho, e se consolava dizendo que tudo ficaria bem.

Um deles havia providenciado uma cadeira de rodas e o outro já carregava o corpo magro de Chloé em seus braços, tentando ao máximo não machucar seu corpo sensível. Aprumou o corpo da garota sobre o assento, o qual pendeu para um lado e quase foi de encontro ao chão, mas o que estava atrás da cadeira foi rápido em segurar seus ombros. Haneul olhou para os dois com desgosto, respirou fundo e sacudiu a cabeça em constante negação.

— Vocês não conseguem fazer nem mesmo um serviço simples como esse. Custa ter um pouco de atenção e delicadeza? — Indagou, furiosa. — Vocês estão a tratando como se fosse um animal no abatedouro!

Normalmente não era grosseira daquela forma com qualquer funcionário seu, mas não suportava o desleixo de certos funcionários. Precisava corrigi-los, mesmo que quisesse preservar o bom convívio e evitar conflito, precisava fazer aquelas poucas correções para que o desleixo não fosse recorrente. Afinal, ainda era a chefe deles.

— Desculpe, senhora! — Os dois disseram, fazendo uma breve reverência com a cabeça.

— Prendam o corpo da garota adequadamente à cadeira e vamos logo, mas por favor, não a destratem e nem utilize força bruta, é apenas uma jovem de dezoito anos. — Disse, já colocando seus óculos escuros, pois a claridade estava provocando dores de cabeça. Virou-se para o médico e estendeu a mão. — Como vai a família, Shin?

Hani e Shin sempre se tratavam muito formalmente diante das pessoas que não eram de seus convívios. Quando ninguém estava espreitando ou dentro do mesmo espaço que eles, voltavam a se tratar da forma como sempre foram. Trabalhavam juntos há muito tempo, e Shin já era, de certa forma, da família, por isso - e por outras questões mais íntimas - preferiam que fosse daquela forma, para não haver muitas confusões ou suspeitas de terceiros.

— Vai muito bem, Haneul. Muito obrigado por perguntar. — O homem sorriu, um pouco nervoso.

A postura elegante de Hani o fazia sentir como um mero empregado de suas vontades, o que não era lá muito errado, mesmo sendo íntimos em certas questões. A mulher tinha muito reconhecimento e muito respeito em vários lugares diferentes, devido a suas condições financeiras e a vários outros aspectos que não cabiam falar por agora. Shin, apesar de tudo, respeitava aquela mulher como se fosse a mais imponente de todo o país.

Haneul sorriu minimamente.

— Isso é ótimo. — Assentiu brevemente, erguendo seu queixo e caminhando em passos delicados em direção à porta. — Bem, obrigada pelas informações, Shin. Você realmente cumpriu com o seu juramento.

— Não precisa agradecer. Como disse a você, trabalhei para seu pai por muitos anos. Éramos amigos. — Ele disse, com um suspiro cansado. Exausto pela semana trabalhada. — Ainda não sabemos a origem e o porquê das marcas aparecerem, mas ficarei satisfeito de acompanhá-la sempre em suas pesquisas e no que precisar.

— Ótimo, agradeço desde já. — Assentiu mais uma vez, arrumando seu blazer ao seu corpo. — Manterei contato. Possivelmente irei precisar de uma equipe médica, as meninas irão precisar de suporte. Não sei bem como a saúde delas ficará futuramente, e quando percebem onde estão, será um pouco complicado lidar, então...

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