RECOBRANDO a consciência, Alika levantou-se subitamente. Alarmada, com a respiração acelerada e sentindo seu coração bater tão forte que sentia a dor de sua caixa torácica impedindo seu pulmão de se expandir mais. Sentia uma fina listra de suor escorrendo gélido por suas têmporas, que logo tratou de limpar com as costas da mão. Seu pulmão doía ao respirar, sua costela também ainda doía e aquilo tudo trazia flashes da noite anterior à mente da dobradora de madeira.
Inúmeros dobradores, irmandade, batalha e gás. Muito gás! Essas eram as palavras-chaves que resumiam as lembranças da mulher. Tudo não passava de vultos rápidos e confusos, não havia muito o que lembrar, mas a dobradora de madeira havia ouvido muita coisa antes de desmaiar, o que preocupou seu coração.
Após lembrar do pouco que conseguiu assimilar, passou a prestar atenção onde estava. Era uma sala com grades que não pareciam ser de metal comum. Aquele ambiente por inteiro era muito parecido com um presídio de fato, apesar de ter uma ótima iluminação, não havia conforto algum naquilo. Na verdade, toda aquela iluminação exagerada a deixava estranhamente incomodada, sentia que todos os seus movimentos estavam sendo perfeitamente monitorados.
De supetão, um pensamento passou por sua cabeça, rasgando toda a sua inércia após despertar de seu sono.
— Zanna!
Exclamou, dando-se conta de que até aquele momento não havia visto ou ouvido a mulher. Temia não estar no mesmo lugar que a Ianova, ou que a dobradora de metal tivesse tido um destino diferente do seu.
Olhou sobressaltada para o lado, respirando mais aliviada ao ver que Syuzanna estava ali, de olhos abertos, mas deitada no fino e desgastado colchonete que ali se dispunha. Parecia sentir dor, suas expressões eram rígidas, talvez por simplesmente não conseguir mover o menor dos músculos. Com certa dificuldade, a dobradora de madeira levantou, sentindo seus pulmões pelejarem para trabalhar corretamente e cada vez mais sentia o corte em sua costela afetar-lhe.
Quando já próxima da outra, viu que seus olhos estavam preenchidos de raiva, decepção, mas principalmente preocupação. Alika conseguia entender o que aquele olhar significava, Syuzanna estava se sentindo impotente, fraca, irresponsável e incapaz.
— Zanna... — A dobradora de madeira sussurrou.
— Eles nos pegaram. — Disse com a voz fraca. — Não consegui ser páreo para eles. — Olhou para a Kilezi, deixando suas lágrimas rolarem pelos cantos de seus olhos. — Nós falhamos.
— Estamos vivas, iremos dar um jeito, fique tranquila. — Tentou pensar positivo.
— Eu não vou ser útil aqui. — Foi breve. — Irídio.
Alika apenas assentiu ao ter seu pressentimento confirmado.
— Tenho medo deles irem atrás das nossas meninas, Alika. — Soltou. — Não vou me perdoar por ter deixado eles nos capturar caso algo aconteça a elas.
— A culpa não é sua, eles são bem mais experientes que nós. E a culpa também é minha. — Disse em tom de pesar. — Nós apenas precisamos pensar um pouco sobre tudo que aconteceu, digerir, e bolar um plano para sairmos daqui. Afinal, você foi criada em um quartel, você sabe o que fazer. — Tentou sorrir, mas era difícil.
Sabia que Syuzanna sempre teve dificuldade em aceitar seus erros, para ela era muito difícil engolir o fato de que as coisas não fluíam ao seu modo. Não que fosse imatura de não saber lidar com seus fracassos, mas em momentos cruciais como aquele, era quase impossível a Ianova não se martirizar por conta de seus erros.
Sentia como se ela fosse a culpada de tudo. Que a vida de cada uma corria perigo apenas porque não conseguiu manter as coisas sob controle. Não conheciam aqueles dobradores, não sabiam do que eram capazes de fazer consigo, muito menos com as outras meninas mais novas, por isso, sentia que carregava o peso do mundo nas costas. A única coisa que sabiam, era que eles sabiam bem com quem estavam lidando.
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Sinfonia Elemental
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