Consequências.

37 10 4
                                        

O BARULHO das respirações das meninas eram mais altos do que o próprio som que o elevador fazia ao subir. Natsumi ainda estava com uma das mãos sobre o painel, enquanto Chloé tinha os lábios brancos e nariz avermelhado. Madison se recompunha sobre Catarina, enquanto esta estava imóvel, como pedra.

Assim que a loira americana reconheceu em quem estava apoiada, logo criou forças para se afastar e passou a bater em seu uniforme. Engoliu em seco pela sede que começava a sentir e ergueu o indicador na direção da dobradora de terra, tentando manter-se firme em sua postura. Mesmo que tentasse, ainda era nítido que estava tremendo e que estava cansada com os eventos frenéticos que acabaram de acontecer. Todas olharam para si quando falou:

— Nunca... nunca mais me encoste, González.

A mexicana nem mesmo conseguiu se irritar com aquela frase. Estava tão eufórica por ter feito tudo que fez que, sem querer, soltou uma risada esganiçada.

— Poderia me agradecer por ter salvado a sua vida, mi amor. — Soltou, o sotaque mais forte que nunca. Madison, mesmo com uma carranca, corou levemente. — Aah, então entendeu o que eu falei?

— Eu fiz aulas de espanhol, idiota, eu entendo tudo que você fala desde que chegamos aqui. — Respondeu a menina, bufando e virando-se de costas para a morena. — E eu não sou seu amor. Não me chame assim de novo.

Catarina deu de ombros. Não pretendia chamá-la daquele jeito de novo, pois havia dito mais pelo nervosismo do que por qualquer outro motivo. Quando ficava nervosa, tendia a falar e fazer coisas sem pensar, e por mais que tentasse se policiar com aquilo, era mais forte do que ela. Cruzou os braços, com a respiração se normalizando gradativamente.

— Conseguimos, então? — Nyla se pronunciou, olhando para todas. — Saímos?

Alors... ainda não. Estamos no elevador. — Chloé fungou, limpando o nariz com as costas das mãos. — Não estamos do lado de fora ainda.

— Mas estamos aqui, não estamos? Foi metade do caminho. — Catarina apoiou-se em uma das paredes do elevador.

Enquanto subiam, a única que parecia estar um pouco mais inquieta do que as outras era Natsumi, que roía a unha ao lado do painel de botões. Mexeu o pescoço para que pudesse estalar, mas não conseguiu. Olhou para as demais ali e pigarreou.

— Meninas, eu já falei isso pra Catarina, mas vou dizer pra vocês também. Eu vou ajudar na fuga, mas não vou acompanhá-las.

As outras olharam para a menina e a que mais pareceu confusa foi Madison, que estava de braços cruzados. Ninguém pareceu contestar aquilo, nem mesmo a González, que já balançava a perna em inquietação.

— Diferente de vocês, eu não me importo de estar aqui ou não. Não tem diferença, porque não tenho para quem voltar. E está tudo bem, porque aqui tenho comida, um quarto e assistência médica, caso aconteça algo. — A menina de cabelos médios insistiu. — Com certeza vão procurar por vocês, posso ajudar a despistar estando aqui. Dar informações falsas, assim vocês vão estar seguras e longe daqui. Demorei um tempo para perceber que ser sequestrada não foi assim tão ruim. Não pra mim.

Chloé e Madison não sabiam o que falar. Não precisavam.

— Ainda acho que você está se precipitando. Não pode simplesmente chegar no meio do plano e dizer: vão, eu fico e encubro vocês. Não é tempo de pensar no que vai acontecer depois que sairmos, agora nós apenas temos que focar em realmente sair. — Catarina exprimiu, enquanto via a porta do elevador se abrir lentamente. — Depois conversamos sobre isso, Nyla.

Sinfonia ElementalOnde histórias criam vida. Descubra agora