HANEUL pensou que não conseguiria mesmo sair de suas memórias. Pensou mesmo que não conseguiria voltar, apenas para querer reviver todos aqueles momentos incríveis que estavam guardados em suas lembranças. Mesmo que seu pai tivesse deixado-a escolher onde queria estar, e mostrado todas aquelas memórias, a mulher cogitou até deixar seu presente para trás. Não haveria dor, não haveria traumas, tampouco problemas e dores de cabeça.
Porém, também não existiria Syuzanna, nem Alika. Beatrice e Maria Gisele. E suas meninas.
Mesmo que a decisão tenha sido um pouco difícil para si, a resposta estava bem clara. Queria voltar para suas meninas, para suas amigas e para sua família. Lá, vagando pelos seus próprios pensamentos e lembranças, percebeu o quanto era bom eternizar um momento. E queria eternizar mais e mais. Queria ter muitas outras lembranças para recordar quando realmente decidisse partir, por isso, era hora de voltar.
E então, abriu os olhos.
A sala estava branca demais, e seus olhos estavam confusos. Sentia que seu rosto estava coberto por algo, até perceber ser um respirador. Piscou algumas vezes até se acostumar com aquela claridade, mas não houve tempo para realizar tal coisa, pois viu uma imagem desfocada cobrir sua visão do teto do lugar. Era Beatrice, com lágrimas nos olhos e um sorriso incrédulo.
Focou um pouco mais sua vista, até conseguir ver a mulher mexer os lábios algumas vezes, mas ainda estava muito atordoada para entender o que de fato estava acontecendo. Seus dedos mexeram brevemente, mas seu corpo inteiro estava pesado. Extremamente pesado. E por isso entendeu sua condição, e o auxílio de todos aqueles aparelhos médicos sobre si. Há quanto tempo estava ali?
— Haneul... — Conseguiu ouvir a voz da psicóloga para consigo. — Meu Deus... você... — Ela soltou uma risada, genuinamente feliz, enquanto as lágrimas desceram por seu rosto. — Você finalmente acordou!
Seu tom de voz era de um alívio descabido, que Hani nem mesmo conseguia medir ou descrever. E tão rápido como a mulher surgiu, ela desapareceu, diante de seus olhos. Sua visão começava a melhorar gradativamente, porém, estava com tanto sono que nem mesmo teve tempo para se manter acordada. Logo, fechou os olhos novamente, torcendo para que continuasse naquela realidade quando acordasse.
Nyla estava de mãos dadas com Chloé, que reprimia uma careta de dor pela força com a qual a Kushina apertava sua mão, mas mantinha um sorriso contente e ansioso. Estavam com Alika dentro do elevador e ele parecia mais lento que nunca. Todas esperavam desesperadamente que aquelas portas se abrissem. E quando isso aconteceu, a garota de cabelos loiros saiu em disparada, puxando Chloé junto de si, podendo ver Syuzanna acompanhada de Madison e Catarina na outra extremidade do corredor.
O sorriso da dobradora de ar para a dobradora de metal fora tão feliz e aliviado, tal qual o da mais velha. Chloé desfez o contato de suas mãos, apenas para que a Kushina pudesse entrar de uma vez naquele quarto, mas a menina olhou para si rapidamente. A dobradora de água apenas sorria largo e moveu a cabeça na direção da porta, indicando que deveria ir na frente.
Syuzanna ergueu um de seus braços, apenas para envolver os ombros da garota e entrarem juntas. Chegando lá, viram Beatrice andando de um lado para o outro, ansiosa pela chegada das outras, mostrando um sorriso aliviado ao ver todas adentrando o lugar, aos poucos.
— O que houve? Como ela está? Eu posso me aproximar? — A russa disparava, eufórica.
— Ela dormiu novamente, mas logo, logo deve acordar. É normal isso acontecer. — A mulher explicou. — Vamos apenas aguardar mais um pouco. Os médicos devem chegar logo.
Alika, que havia entrado por último, tinha o queixo trêmulo por decorrência de tanto segurar o choro. Em passos sem tanta firmeza e ombros murchos, a mulher praticamente se arrastou até a Moretti, tombando sua cabeça em seu ombro quando próxima o suficiente. Liberou seu choro, mas a cena era apenas um pouco cômica ao ver das demais, que soltaram risinhos contentes.
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Sinfonia Elemental
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