Buscando Respostas.

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NYLA estava quase adormecendo ainda tendo sua mão junta a de Madison, quando ouviu murmúrios baixinhos vindos de Chloé, que estava começando a se remexer demais sobre o leito que ocupava. Levantou da poltrona, acomodou a mão da amiga adequadamente em uma posição confortável para a garota e se aproximou da francesa, percebendo que esta tinha a testa suada demais para uma sala com ar-condicionado.

Estranhou e apenas para confirmar, colocou a palma da mão sobre a testa da dobradora de água de uma forma sutil. Como imaginava, Chloé estava ardendo em febre. Suspirando pesadamente, foi até onde a enfermeira disse que estaria para caso precisasse de alguma coisa e pediu para que fizessem algo pela menina, já que ela não poderia fazer nada além de notificá-los. Nyla estava muito intrigada com tudo aquilo, Chloé estava quente, mesmo sendo gélida naturalmente e Madison estava fria como um cubo de gelo, mesmo aquela não sendo sua temperatura comum.

Observou a enfermeira molhar alguns panos e colocar sobre a testa da Guillaume, quem tinha o cenho franzido e parecia muito assustada, uma vez que até mesmo sua respiração começava a desregular. A enfermeira disse que era algo normal, que a febre alta estava a fazendo delirar, mas Nyla sentia que não era só pela febre. Aos poucos, a loira francesa começou a pronunciar palavras mais concisas, fazendo a dobradora de ar começar a entender o que a menina tanto repetia.

— Olhos... escuros. — Sussurrou, tendo sua respiração cada vez mais pesada. — Fogo... escuro. Não era ela, não era...

— Isso é sobre... — Olhou para a amiga repousada tranquilamente no leito atrás de si. — Madison...

A dobradora de ar chegou um pouco mais perto da menina que estava gélida, observando suas expressões congeladas de dor. Sua pele estava pálida e o rubor que a garota sempre tinha em suas bochechas era quase inexistente naquele momento, deixando as leves sardas de seu rosto - antes lindas - apagadas. Natsumi soltou um longo suspiro e tocou-lhe a pele alva, sentindo-a fria como neve.

— O que houve dentro de você?

HANI e Syuzanna estavam no escritório da mais velha em completo silêncio. A preocupação era grande pelo caos iminente, eram tantas coisas ocorrendo ao mesmo tempo, tantas perguntas, mas nenhuma resposta concreta. O mais frustrante é que as duas sabiam que não existia método científico no mundo que conseguisse ser eficiente e eficaz para aquela ocasião. Todos exigiam testes e tempo de análise, e tempo era uma palavra quase inexistente no vocabulário do casal desde que entenderam que mais uma geração de dobradores estava por vir.

Sentada ao sofá, Hani ponderava sobre o que poderia ter ocorrido. Ainda que não tivesse ouvido Madison, tinha uma breve noção do que se tratava apenas pela explicação rápida de Chloé. O Breu estava conseguindo influenciar as meninas assim tão profundamente? E se sim, qual seria o seu poder sobre elas? Em que área ele poderia chegar tão intimamente? Na cabeça de Haneul, circundavam essas e milhares de outras perguntas, das mais simples às mais complexas.

Por outro lado, Syuzanna estava preocupada não só com as mais novas, mas também com Alika e consigo mesma. Afinal, todas estavam sob influência de algo maior e desconhecido. Independente do tempo de experiência e de desenvolvimento, a dobradora de metal temia pelo que ainda poderia surgir. Já era óbvio que a influência que o Breu tinha nos seres humanos era muito mais forte nos dobradores de elementos, acreditava que isso se devia à concentração de energia cósmica, que obviamente era muitas vezes maior do que em seres humanos comuns.

— Estou muito preocupada. — A russa soltou, deixando correr seu sotaque. — Se esse surto de Madison, ou de seja lá o que tenha tomado conta dela, for decorrência do Breu...

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