NO DIA seguinte, o dormitório estava um pouco diferente do habitual. Todas as mais novas não precisariam mais da presença de uma das mais velhas para que pudessem ir para o refeitório aquela manhã, então, tinham que acordar cedo para que não perdessem o horário.
Mas, não foi isso que aconteceu.
Chloé estava muito tranquila dormindo, quase feito um anjo, mas ao se remexer na cama abraçando seu travesseiro, franziu o cenho. Tinha a sensação de que algo estava estranhamente errado naquela manhã. Abriu um dos olhos, mas a sensação só se intensificou em seu peito, como se o mesmo gritasse um alerta de emergência.
Sentou na cama abruptamente, processou um pouco a informação de que tinha realmente acordado, percebendo que talvez tivesse dormido além da conta e para confirmar isso, olhou para o seu relógio, arregalando os olhos e saindo aos tropeços da cama, vendo sua vida passar diante de seus olhos a cada vez que seu rosto quase ia de encontro ao chão.
Conseguindo se livrar dos lençóis presos aos seus pés, finalmente chegou à porta, correndo até a porta do quarto ao lado, referente à dobradora de terra. Ali, naquele momento, a dobradora de água se pôs a socar descontroladamente a porta da outra, sem pudor algum.
— CATARINA, ACORDA! — Ela gritava. — A GENTE PERDEU O HORÁRIO DO TREINO, MEU DEUS DO CÉU! A ALIKA VAI FAZER A GENTE COMER GRAMA! ACORDA LOGO, PEDREGULHO! — E continuava batendo à porta.
Quando a mesma foi rapidamente aberta por uma Catarina com a cara assustada, cabelos totalmente bagunçados e a cara levemente amassada, Chloé gritou pelo susto que tomou ao ver a dobradora de terra. Para melhorar a situação, os gritos - nada sutis - da dobradora de água, fizeram a porta da dobradora de ar abrir-se também, com a figura de uma loira de máscara facial verde enfurecida bem à porta.
— Sua alteza real da França não desejaria gritar no ouvido de outra?! — A Kushina reclamou. — Tá cedo, por que você tá gritando essas horas?!
— Por um acaso a senhorita já olhou as horas? — A loira francesa disse, com a voz desafinada.
A dobradora de ar bufou, olhando para o interior de seu quarto e, logo em seguida, perdendo a cor dos lábios pelo susto, seguiu até a porta da dobradora de fogo, exasperada.
Chloé não teve muito tempo para prestar atenção na loira, pois Catarina já estava na porta que a dobradora de água estava parada de frente, com o cenho franzido e um dos olhos ainda fechados. A morena olhou para a Guillaume e fez uma careta confusa, balançando a cabeça e fazendo um movimento qualquer com uma das mãos.
— Pra que tudo isso? Tá cedo, nem tomamos café da manhã ainda. — Ela resmungou, coçando a bochecha e bocejando brevemente.
— É claro que não tomamos... — Fez uma pausa dramática. — JÁ ESTÁ TERMINANDO O NOSSO HORÁRIO DE ALMOÇO! A Alika vai acabar com a nossa raça, eu não quero ir. E se eu fingir que passei mal? — Olhou com esperança para outra.
A dobradora de terra tossiu algumas vezes com os olhos arregalados.
— QUE HISTÓRIA É ESSA?! — Gritou a González de volta, mesmo estando próxima o suficiente de Chloé para não precisar gritar. Balançou a cabeça em negação e coçou mais uma vez sua bochecha, nervosa. — Vamos fingir que morremos, acho mais fácil. Vai que dá certo, sei lá! Aliás, não é só a gente que tá atrasada, ok? Acho que se todo mundo chegar junto no treino, a gente se ferra menos!
— No nosso funeral, você quis dizer.
Catarina fez um barulho esquisito com a boca por puro nervosismo, já que a dobradora de água não estava facilitando muito pra que ela ficasse mais calma com a situação. Natsumi, mesmo desesperada, ainda tentava acordar Madison de forma pacífica e carinhosa, pois sabia que a amiga odiava ser acordada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sinfonia Elemental
FantastikFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
