O CARRO parou de andar próximo a um portal de entrada feito em madeira velha e apodrecida. Tudo naquele lugar estava caindo aos pedaços, independentemente de qual região fosse, a podridão estava alastrada como um vírus. As meninas desceram do carro, tendo SeoHan zonza ao acordar depois de alguns longos minutos completamente apagada. Chloé a ajudava a descer do carro, enquanto as outras paravam de frente para o grande portal.
Madison tinha uma expressão mais séria do que o normal, a dobradora de água havia reparado naquilo. Ela tinha amarrado os cabelos em um rabo de cavalo, enfatizando sua franja - um pouco grande - arrepiada nos cantos. Os olhos pareciam analisar cada centímetro do lugar, como se de alguma forma ela soubesse que encontraria algo secreto intricado na madeira do portal. Tinha os braços cruzados e o uniforme parecia reluzir com a luz do sol.
Nyla tinha as mãos na cintura, com uma expressão não muito boa também. Parecia enjoada, ou coisa parecida. Seus olhos, mesmo ligeiros, pareciam em outro lugar. Sua mente estava em outro lugar, qualquer um que não fosse aquele. As botas estavam mais sujas que o normal, talvez por ter fugido aquele dia, mas a dobradora de água jamais saberia. Sentia falta da dobradora de ar sorridente que ajudava a quebrar o clima de seriedade, porque ali, aquela Natsumi, não era nada parecida com aquela Nyla do laboratório.
Catarina era a única indecifrável. Suas expressões não denunciavam nada demais, e isso fazia a Guillaume querer conversar com a menina. Estavam todas tão introduzidas naquele novo lugar que, aos poucos, iam se esquecendo de quem eram, de onde vieram. A loira francesa terminou de ajudar SeoHan e tentou sorrir para a menina, mas não conseguiu. Estava tão imersa ali que seu sorriso sequer alcançou os olhos. Não tinha espaço para felicidade ou alívio ali.
Madison virou-se para o grupo, com a mesma expressão séria.
— Se esse é o lugar que deveríamos ter chegado, bom, então devemos entrar.
— Não há nada escrito no portal, mas isso aqui parece uma cidade. Um vilarejo, na verdade. Tudo é tão antigo... — Chloé comentou, olhando as casas abandonadas que formavam o lugar.
A ruiva apenas concordou com a cabeça.
— Seja o que for, devemos entrar. — Voltou-se para o portal, começando a caminhar lentamente. — É inútil procurar nessas casas. Devemos encontrar um local mais... específico.
A francesa concordou com a cabeça e, com um olhar de esguelha para a novata, começou a caminhar atrás de Madison. A dobradora de terra e de ar nada disseram, apenas começaram a caminhar também, seguindo os passos da líder do grupo. O ar era pesado, impregnado de um silêncio inquietante que parecia ecoar entre os escombros do vilarejo. Cada passo das garotas fazia a madeira apodrecida ao redor ranger ou a terra seca estalar sob as botas.
SeoHan, ainda se recuperando do torpor, segurava o braço de Chloé como um apoio, tentando ajustar sua visão à luminosidade do dia. A novata sentia-se vulnerável, o peso daquele lugar ameaçando trazer de volta visões que preferia esquecer. A dobradora de fogo estava certa, tudo aquilo que agora via, já havia cruzado sua mente em meio às suas visões e sonhos. Elas estavam no lugar certo. Sua respiração era curta, mas ela se obrigou a seguir em frente, motivada pelo toque gentil da francesa ao seu lado.
Chloé, por sua vez, olhava ao redor com olhos atentos, mas havia uma melancolia oculta em sua expressão. A paisagem desolada parecia um reflexo do vazio que sentia. Estava ali, entre o grupo, mas não se sentia realmente conectada. Seu sorriso ausente ao ajudar SeoHan era um esforço para esconder essa desconexão. Estava tudo tão diferente de como era no laboratório que, ao se ver ali, entre suas amigas, sentiu-se sozinha, como nos primeiros dias dentro do laboratório. Ali, percebeu que ainda era aquela garotinha com medo de tudo e qualquer coisa.
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Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
