Buscando Por Informações.

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TUDO ainda era escuro e silencioso quando Chloé abriu seus olhos. O saco de dormir não era de todo um mal, mas também não era bem algo que ela olharia e chamaria de confortável, mesmo que soubesse que era aquilo ou dormir no chão arenoso de uma floresta que nunca havia ouvido falar. Sabe-se lá se haveria algum tipo de bicho que poderia entrar naquele saco de dormir, e a franco-americana evitava pensar naquela possibilidade durante todo o tempo que estava dentro do mesmo.

Sentia-se dolorida, tensa e estranhamente quente. Abriu o saco de dormir e ergueu seu tronco para que pudesse se sentar, coçando levemente os olhos com as costas das mãos. Alongou brevemente os braços, girou o corpo para a direita, que dava para a parede do abrigo que Catarina havia levantado, e girou para a esquerda.

Franziu o cenho. As outras garotas não estavam ali, apenas seus sacos de dormir, jogados de qualquer maneira sobre o chão. Não era para aquilo estar dessa forma, e não havia possibilidade alguma de sua equipe ter partido sem ela. Olhou para baixo, a fim de abrir mais o saco de dormir, mas suas mãos paralisaram quando sentiu algo viscoso tocar sua pele. Tamanho foi o seu pavor ao ver sangue escorrendo sobre o mesmo, estendendo-se em uma trilha, como se algo houvesse sido arrastado para fora dali.

Seu medo fora tanto que o grito de pânico ficou entalado em sua garganta, sem conseguir falar qualquer coisa. Assustada e tonta pela cena, livrou-se o mais depressa possível daquele saco o qual a envolvia. Já de pé, olhou para as próprias mãos, igualmente manchadas de sangue, como se houvesse se agarrado ferozmente à algo que não queria deixar ir, como se tivesse tentado proteger algo, mas seus esforços não foram o suficiente. Por baixo de suas unhas, algo preto e seco era visível.

Pele morta.

Seu coração batia acelerado ao peito, seus olhos estavam cheios de lágrimas e queria gritar até suas cordas vocais romperem da forma mais dolorosa possível. Qualquer coisa que pudesse para se livrar do pânico que penetrava sua alma, contudo, sua voz simplesmente não conseguia sair por sua garganta. Olhou novamente na direção do rastro de sangue, vendo que o mesmo continuava de modo irregular. Sentiu os batimentos cardíacos na ponta de seus dedos e, automaticamente, um nó se formou em sua garganta.

— C-Catarina? — Chamou com a voz trêmula, chorosa, caminhando em passos lentos e temerosos, na direção da abertura do abrigo. — Nyla? — Chamou um pouco mais alto. — Madison? Onde estão vocês?

Saiu de dentro do amontoado de pedras e terra, já sentindo seu peito doer pelo medo e suas lágrimas escorrerem pelo rosto. O cheiro de sangue ficava cada vez mais forte. Aquele cheiro insuportável de ferro era intragável, mas Chloé se negava a crer que o líquido vermelho era de fato o que era. Não podia ser sangue. Soltou uma risada nervosa, tendo seu corpo encolhido.

— Se isso for uma brincadeira, não tem graça! — Gritou mais alto, como se quisesse acreditar na própria mentira.

Não é brincadeira, pensou. Elas nunca fariam isso.

Olhou em volta, mergulhada em uma escuridão opressora. O silêncio era ensurdecedor, perturbando-a de uma forma que nunca havia experimentado antes. O único som que conseguia ouvir era o do seu coração, batendo freneticamente em suas veias, como se quisesse escapar. A pulsação reverberava em seus ouvidos, acompanhada pelo sussurro inquietante das folhas que balançavam lentamente, misturado ao canto agonizante de algumas cigarras, como se a natureza estivesse ciente de um terror oculto à espreita na sombra.

Aquilo apenas contrastava o seu desespero. Aquela era uma falsa calmaria macabra.

Decidiu voltar para o abrigo, determinada a encontrar ao menos uma lanterna. No entanto, ao se virar em direção à entrada, não pôde evitar um grito que irrompeu de seus lábios, ecoando desesperado e surdo no silêncio da madrugada. O som foi rapidamente absorvido pelas imensas árvores que a cercavam, como se a própria floresta tentasse silenciar seu desespero. Aquela maldita floresta novamente.

Sinfonia ElementalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora