Chloé e Alika estavam em uma outra sala, a mulher achou que seria melhor para que Nyla e Hani tivessem privacidade, já que a dobradora de ar estava muito debilitada emocionalmente. A mulher estava agradecendo aos céus que a Guillaume estava em silêncio, apenas de cara fechada e braços cruzados, pois assim pouparia saliva. Havia detestado a atitude da garota, apesar de compreender em alguns pontos e saber que jovens tendiam a tomar atitudes precipitadas.
Mas é claro, isso não duraria para sempre.
— Se estamos em silêncio, por que você ainda está aqui me observando e eu não estou no meu quarto? — A menina disse.
— Porque você não vai ignorar Madison da mesma forma que você a ignorou na enfermaria. — A Kilezi afirmou, simplesmente. — Provavelmente Madison vai precisar de você e você vai esperar aqui, da mesma forma que Nyla também irá esperar por Catarina.
— E é por isso que eu não queria que ela fosse. Eu sei que ela vai voltar fragilizada emocionalmente! — Exclamou.
— A decisão é sua? — Olhou friamente para a garota, vendo-a perder um pouco da pose que estava mantendo. — Chloé, eu sei que você sabe compreender as coisas assim como as outras, seus pais a criaram muito bem com relação a ter empatia, mas você está agindo como uma completa idiota. — Bebeu um pouco da água de sua garrafinha. — Madison sabe o que está fazendo, demos a opção de ficar aqui e ela escolheu ir. A decisão é dela e o seu propósito é admirável. — Fez uma pausa. — Você é a amiga dela, mas e daí? Você não manda nela, assim como Nyla também não manda. Você não pode dar pitaco no que ela vai ou não fazer, porque você não é mãe da garota, muito menos dona.
— Eu me preocupo com ela. — Chloé estava desconcertada.
— Demonstre sua preocupação de outras maneiras. Respeite as decisões da menina e caso os seus temores se tornem realidade, seja alguém que vai estar pra confortá-la e não para apontar o dedo na cara dela e dizer, eu avisei pra você que isso não daria certo. — A mulher de trança finalizou, olhando diretamente nos olhos de Chloé.
— Eu nunca faria isso. Você me faz parecer uma grande babaca.
— Porque é o que você está aparentando ser.
— Estou me sentindo uma pessoa pior que a Catarina. — Murmurou, rabugenta e Alika teve de rir.
A dobradora de madeira respirou profundamente, arrumando uma das madeixas de suas tranças para trás de seus ombros. Os pingentes prateados de folhas balançavam pelo movimento que fizera, e por alguns segundos, quase mandou aquela garota para um lugar bem sujo. Porque naqueles breves segundos em que ponderou sobre sua resposta, esqueceu-se que era apenas uma jovem de dezoito anos discutindo consigo. Era apenas uma criança.
— Você consegue se ouvir, Chloé? — Questionou, mantendo a postura. — Eu não vou colocar Catarina nas alturas e dizer que ela é uma santa agora, mas qualquer pessoa que a conheceu há três meses atrás pode facilmente perceber a mudança que a menina teve e está tendo. Ela está se esforçando todo santo dia para melhorar e controlar a própria raiva, assim como está reconhecendo seu passado e aprendendo com ele, da forma como tinha que ser e não pôde ser. Eu sei que você tem um motivo muito plausível para querer manter distância, e não estou pedindo para que seja amiga de Catarina, mas você não tem direito algum de desmerecer o desempenho que ela vem tendo nesses últimos tempos. — Cada palavra era como uma faca atravessada no peito da francesa. — De todas, a que eu mais gostava era você, por me irritar menos. Mas acredito que você, a partir de agora, precisa aprender um pouco mais observando o exemplo da González.
E por mais que as palavras de Alika tenham sim doído o peito da loira, não foram o suficiente para fazê-la se calar, como a Kilezi esperava.
— Ah, por favor, não me compare com ela. — Riu, irritada.
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Sinfonia Elemental
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