A Ruína da Ordem dos Originais - Parte 1.

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AO CHEGAREM no hall de entrada, Nyla despediu-se do homem com um abraço apertado. Claro que voltaria a vê-lo novamente, mas não queria perder a oportunidade de agradecê-lo com aquele gesto. Se não fosse por ele, provavelmente estaria morta, em cima da mesa de dissecação de Anya, então queria deixar claro para o homem seu carinho por ele.

Natsumi viu que não tinha ninguém por ali e apertou o passo para ir até o laboratório da dobradora de veneno. Olhou para trás por alguns segundos e viu Kabir abrir as grandes portas e adentrar a sala principal, com sua postura completamente diferente de quando estava consigo. A postura usada por todos os Grãos-mestres da Ordem dos Originais.

Aproveitou que estava sozinha e passou a correr. Correu como se ninguém ali pudesse vê-la. Não se importava mais com as aparências, pois estava em completo estado de desespero. Se o que Kabir estivesse falando fosse verídico, o próximo grupo de escolta da Ordem iria atrás de Hani, e nunca se perdoaria por isso, caso acontecesse.

A verdade era que as coisas estavam começando a sair do controle. Sabia que o fato de ter dado informações verdadeiras era arriscado, mas sabia que a Ordem era plenamente capaz de adquirir informações facilmente. Precisava da confiança dos demais, mas naquele momento, seu movimento introdutório havia posto tudo em risco.

Afinal, não tinha como saber sobre a relação entre a Ordem dos Originais com a família Bae.

Não sabia qual seria o próximo movimento da organização e sequer sabia o que poderia fazer para libertar Catarina, Chloé e Madison. Apenas queria que tudo desse certo, por mais pessimista que fosse para aqueles tipos de situação. Tinha que acreditar em si mesma, e acreditar que poderiam vencer outros dobradores. Mais poderosos e mais sádicos.

Quando se viu frente às portas do laboratório, tomou fôlego para continuar. Arrumou seus cabelos para trás e tocou suas próprias bochechas, notando que estavam quentes pela pequena corrida. Acalmou a respiração e sentiu-se na obrigação de libertar um pouco mais as amarras imaginárias que havia feito sob sua dobra, sentindo uma pequena corrente de ar passear por ali.

Abriu as portas e olhou todo o território à sua frente. Não havia ninguém ali, mas também não havia tempo para procurar com mais afinco. Foi o mais rápido possível até onde se lembrava que a adrenalina estava e procurou desesperadamente, ignorando a quantidade de sangue derramado pelo chão e pela maca de dissecação. Embaixo da bancada, segunda gaveta.

— Achei você. — Disse ao erguer as seringas à frente de seu rosto, sorrindo vitoriosa.

Ouviu um barulho próximo a si e deixou que sua dobra fluísse mais livremente, olhando até a direção do barulho. Vinha da porta. Alguém estava se aproximando. Teve tempo de pegar apenas duas doses de adrenalina, sem pensar em procurar por mais. Duas eram o suficiente para que aplicasse em Syuzanna e Alika, porém, queria encontrar mais para que entregasse para Catarina, Chloé e Madison que, mesmo medicadas com as vitaminas, provavelmente precisariam daquilo para a possível luta que chegaria.

Foi até a porta onde sabia que Syuzanna e Alika estavam presas e adentrou o corredor fétido. Encostou a porta atrás de si e respirou fundo, sentindo o odor queimar suas narinas. Seu coração estava disparado como nunca imaginou que estaria, pois não se lembrava da última vez que se encontrou tão tensa quanto o atual momento. Fora a sensação de estar sendo observada constantemente, sentia-se livre o suficiente para ir até a cela 012, onde a dobradora de metal estava.

Assim que abriu a porta, seu coração acalmou-se por míseros segundos ao ver a mulher de pé, corada e conseguindo sustentar seu próprio corpo. Não era mais aquela Syuzanna fraca, indefesa e sem esperanças que havia encontrado anteriormente. Aquela Syuzanna à sua frente estava determinada, forte e, provavelmente, com sede de vingança, por tudo que aquela Ordem havia feito consigo e com as pessoas que amava.

Sinfonia ElementalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora