QUANDO Nyla observou o corpo imóvel da mulher à sua frente, sua respiração falhou e as lágrimas desceram involuntariamente, com ainda mais intensidade. Um choro que parecia estar guardado há muito tempo. O choro da realidade, caindo sobre seus ombros. Não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo, pois se recusava a acreditar nas palavras dos outros membros da Ordem. Porém, agora que a verdade estava estampada em sua cara, era difícil controlar suas próprias emoções.
Olhou para os lados em desespero, temendo pelo tempo que poderia prolongar por ali, mas não viu outra escolha. Inventaria alguma mentira para que pudesse encobrir o que realmente havia feito, porque no atual momento, precisava ver se estava tudo bem. Precisava saber se Syuzanna ainda estava viva. Seu corpo era imóvel e havia sangue.
Muito sangue.
Adentrou a cela da dobradora de metal e encostou a porta fechada, para que não levantasse suspeitas. Suas pernas estavam bambas e o cheiro era cada vez mais forte. Seu coração estava acelerado e seus dedos estavam gélidos, por conta do nervosismo e da adrenalina de realmente estar ali. Apenas repetia para si mesma que estava tudo bem, e que aquilo era apenas um engano. Que a mulher estava viva, que ela só estava dormindo e que aquele sangue não era dela.
Nyla sentiu o chão sumir sob seus pés. Seus joelhos vacilaram, e ela caiu ao lado do corpo inerte, enquanto um misto de desespero e negação preenchia sua mente. A cena diante dela parecia algo saído de seus piores pesadelos, mas o cheiro metálico do sangue e a visão vívida dos ferimentos gritavam a verdade que ela se recusava a aceitar. Seu peito doía, como se uma mão invisível o apertasse, esmagando toda a esperança que ela ainda ousava ter.
Os olhos da jovem se encheram de lágrimas que não tinham forças para cair. Ela tremia incontrolavelmente, cada músculo de seu corpo protestando contra a realidade que lhe era imposta. Por quê? A pergunta ecoava sem cessar em sua mente, martelando com a intensidade de um trovão. Como alguém poderia ser tão cruel? Como puderam fazer isso com você?!
Agora, podendo observar Syuzanna mais de perto, seus lábios tremeram e a vontade de chorar mais alto era sufocante. Prender os soluços e os gritos estava sendo angustiante para si, mas precisava ser forte o suficiente para não fazer nenhum tipo de barulho alarmante. Mas era quase uma missão impossível. Seu corpo estava de costas para si, impedindo-a de ver a situação da mulher. O sangue seco e escuro manchava quase tudo ali, até mesmo seus cabelos, e Nyla sentiu sua cabeça doer ao segurar um soluço.
Sentou-se sobre os joelhos, ouvindo as pequenas pedrinhas do piso arranharem sua pele. Seus cabelos estavam caídos em seu rosto, e alguns fios colavam em suas bochechas por conta da umidade das lágrimas. O corpo de Syuzanna estava completamente imóvel, realmente muito similar a um cadáver, mas ainda era necessário checar o pulso e confirmar se a mulher realmente não estava mais com vida.
Hesitante, a dobradora de ar ergueu uma das mãos, parando no meio do caminho ao perceber a loucura que estava fazendo. Sua cabeça gritava para que saísse correndo dali e nunca mais voltasse, deixando que aquilo acabasse de forma natural, mas seu coração a estava impedindo de fazer aquilo. A dobradora de metal era especial para si, mais do que especial. Não podia abandoná-la, como fez com as três outras dobradoras, mesmo que estivesse fingindo tudo aquilo para livrá-las da Ordem, não conseguiria sustentar aquela máscara fria com a Ianova.
Quando sua mão tocou o braço gélido da mulher, um soluço escapou por entre seus lábios. Mordeu os mesmos tentando se corrigir pelo erro, mas sabia que em alguma hora seria inevitável que aquilo acontecesse. Só percebeu que estava nervosa demais ao fazer aquilo, quando sua mão segurava o braço da mais velha de uma forma trêmula.
Para que acabasse com todo aquele sofrimento de uma vez, apenas fechou os olhos fortemente e puxou o braço da dobradora de metal, para que seu corpo inteiro virasse para cima. Quando a Kushina voltou a abrir seus olhos, outro soluço teimoso escapou de sua garganta, fazendo sua mão livre ir diretamente até sua boca.
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Sinfonia Elemental
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