SEOHAN tentava se recompor daquele momento amedrontador. Agora que entendia qual era e sua utilidade ali, compreendia o receio das outras meninas para consigo, sobre o que dizia ouvir e ver. Era difícil encarar um final predestinado quando a pessoa que deveria morrer, era a pessoa que trouxe uma vida para aquelas meninas. Assim como muitos anos atrás, os dobradores principais também tomaram decisões precipitadas, pois estavam cegos. A Escuridão havia feito isso, e não seria a última vez que faria.
Ergueu-se com dificuldade, pois sentia muita dor em seu abdômen. Hani era forte, e não tinha dúvidas disso. Ela estava sendo controlada por aquela entidade maligna, da mesma forma que o Espírito havia escolhido a si mesma como protetora do equilíbrio. Tudo aquilo fazia parte da profecia centenária, e não tinha escapatória para o final.
Uma das duas teria que morrer.
Quando se ergueu, tossiu algumas vezes e respirou fundo. Olhou para a praça do lugar em que estava e percebeu que as meninas ainda estavam caídas, mas não preocupou-se com aquilo, já que algumas delas já se erguiam. Era bom que tivesse acontecido daquela forma, pois assim, elas acreditariam em si e tudo seria mais fácil. Precisava apenas guiá-las para as Torres, e tentar manter a calma por ali. E isso seria mais fácil, uma vez que Hani já não estava mais ali.
Com o andar trôpego, caminhou até a uma delas e olhou para a Guillaume, que tinha lágrimas escorrendo por seu rosto. Ali, SeoHan pesou a expressão.
Era notável que Hani era uma mulher muito especial para todas ali, e nunca havia duvidado daquilo. Todas falavam da mulher com muito carinho, e pareciam defendê-la com garras e dentes, como antes fizeram. Agora que compreendia toda a situação, sabia que o desconforto e a desconfiança que sentia pela mulher era resultante da Escuridão dentro de si, não pelo caráter da mulher. Hani realmente devia ser uma pessoa boa, mas naquele momento, era a razão das lágrimas magoadas de Chloé.
Com um movimento de mãos fraco, a novata conseguiu segurá-la e ajudá-la a se levantar. Com cuidado, SeoHan ergueu a menina e a fez pisar com segurança no chão, ainda de coração pesado pelas lágrimas insistentes da jovem Guillaume. Apoiou-se nos joelhos, ainda sentindo muita dor pelo impacto do golpe de Hani e decidiu controlar a respiração, trazendo um pouco de água para si mesma, a fim de se curar minimamente com aquilo.
— O-O que... — Chloé tentou, mas não conseguiu.
— Chloé, por favor... — SeoHan interrompeu, fraca. — Vamos ajudar as outras primeiro, depois falamos sobre isso, tudo bem?
Chloé apenas assentiu e em silêncio se encaminhou até Madison. Se sentia culpada por ter se separado do grupo, mesmo que estivesse fazendo o que foi decidido unanimemente. Era de sua natureza se sentir daquela forma, e agora, com tudo que SeoHan havia dito se tornando uma verdade dolorosa, era ainda mais difícil se livrar da culpa. De alguma forma, lá no fundo, ainda tinha esperança de que Hani ainda era Hani, a pesquisadora chefe do IPAB. Lá no fundo, Chloé ainda tinha esperanças de que ela voltaria para o laboratório, depois de terminar toda aquela profecia idiota, e ir correndo abraçar a Bae.
Quando se livrou das pequenas pedras que haviam cobrido Madison, após o impacto do golpe de Hani, a dobradora de fogo apenas sentou e evidenciou suas lágrimas. A dobradora de fogo não sabia o que fazer, nem mesmo o que falar. Não queria que aquilo fosse verdade, mas seus olhos não tinham para que mentir.
Hani era sua maior inspiração, uma das mulheres que realmente tomou como uma fonte de esperanças. Por Deus e pelos Cosmos, ela era sua irmã de outra vida. Vê-la daquela forma, falando aquelas coisas e demonstrando o quanto era insignificante a presença das outras, foi devastador. Ver a forma como ela segurava o pescoço da dobradora de água, e fazia o corpo de Syuzanna se contorcer... foi muito para si. Pensava que a Ordem seria o maior de seus problemas, o motivo de tantos eventos traumáticos em sua vida, mas agora, já não tinha mais tanta certeza.
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Sinfonia Elemental
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