O AMBIENTE era claro, com um vasto fundo branco. A luz era nítida, o lugar era calmo. Era como alcançar a paz, porém, nem mesmo sabia onde estava.
Haneul olhou para si mesma, olhando suas mãos, braços, peito, quadril e pernas. Estava realmente ali, mas não sabia muito bem como havia chegado naquele lugar. Não se lembrava muito bem do que havia acontecido, mas se lembrava da última coisa que passava e repassava em sua mente, como um VHS antigo.
Suas meninas, voltando para casa. Voltando para o laboratório, vivas.
Hani olhou à sua volta, mas tudo não passava de uma grande folha branca. Não haviam linhas, história ou sequer rabiscos de uma mente distraída. Arriscou dar um passo à frente, e seus pés quase não a obedeceram. Era como se aprendesse a caminhar novamente, como uma pequena criança focada em chegar até o colo de sua mãe.
Andava desengonçadamente, tendo seus pés descalços naquele chão que nem mesmo era visível aos seus olhos. Sentia-se estranhamente atraída por todo aquele lugar, como se estivesse presa em parte de si mesma que desconhecia. Mas, o que faria ali? Qual era seu propósito, afinal? Não havia direções, não haviam portas e nem sons. Era uma grande imensidão clara. Branca.
La la la...
La la la...
La la la...
Hani olhou para a direção daquela melodia, como se ficasse verdadeiramente surpreendida com a mesma. Sentiu seu peito preencher-se de uma nostalgia que desconhecia. Não se lembrava de onde conhecia aquela canção, mas sentia que era familiar de algum lugar. Ao olhar para trás, viu de relance. Finalmente algo havia aparecido naquela imensidão branca. Uma criança, que corria de um lado para o outro, como se estivesse escondendo-se de algo.
— Não corra, Haneul! Sabe que seu pai é velho...
Hani ouviu aquela voz, fazendo seu peito acelerar-se violentamente. Reconhecia perfeitamente aquele tom, aquele timbre e aquela respiração descompassada. Era seu pai.
A pequena Haneul, aos poucos, começou a ficar um pouco mais visível para Hani. Como uma fumaça tranquila, quase similar à névoa, a Bae se viu no quintal de sua casa, naqueles mesmos tons claros como nuvens. Seu corpo paralisou ao se ver com seus seis anos, escondendo-se atrás da pequena árvore que seu pai cultivava no quintal dos fundos daquela casa onde passou toda sua infância.
As expressões levadas da pequena Haneul mostravam para a crescida Hani o quanto sua essência havia mudado. Aquilo tornava o semblante de Hani um pouco mais triste, mas com um pequeno pezinho no orgulho. Todos amadureciam no final das contas, e não sabia como havia conseguido aquilo de fato. Mas ali estava ela, vendo a si mesma, com a mais pura das inocências.
Com a inocência de uma criança.
— Papai! Papai! — A pequena Haneul chamava, mesmo escondida atrás da árvore. — Por aqui!
A figura de seu pai finalmente apareceu. Era como tanto se lembrava, mas dessa vez, um pouco mais jovial do que suas últimas lembranças. Um homem alto, com uma expressão cansada, mas feliz, quase realizado. Sua barba por fazer, cabelos penteados para trás, como se fosse algum tipo de advogado bobo. Suas vestes sempre alinhadas, acompanhadas de um suspensório e uma calça de brim. E como sempre fazia quando brincava consigo, suas calças estavam dobradas nas barras.
— Haneul... onde será que ela está? — O homem disse, com as mãos na cintura, procurando por alguém que já sabia onde estava. Ele escondia um pequeno sorriso travesso no canto dos lábios, quase tão criança quanto a imagem de si mesma. — Bom... acho que vou ter que procurar em outro lugar...
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Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
