— O que porra você quer de nós?
A voz de Syuzanna soava irritada e trêmula, Alika não conseguia focar sua visão. Sentia seus olhos queimando devido a areia que acertou seus olhos com violência, a dor em sua costela estava quase insuportável, mas aquilo estava longe de ser o pior.
Após sentir o sopro da mulher contra seu rosto, sentiu um ardor incomum por toda a sua narina, que logo desceu para a sua faringe e percorreu até o seu pulmão como se intoxicasse todo o que tocava. Respirar estava sendo uma grande tortura. Aos poucos, o oxigênio que seu cérebro precisava para mantê-la consciente, já não era suficiente e lutava para se manter firme.
Por Syuzanna apenas. Não queria deixá-la só. Ainda que sua visão estivesse confusa e nem tivesse forças para dizer qualquer coisa, ainda conseguia assimilar os sons.
— Bem, como disse antes, somos uma irmandade. Um lugar em que apenas nosso próprio povo pode encontrar conforto e resistência. — A mulher iniciou, em um tom cordial. — É óbvio que somos dobradores iguais a vocês, porém, visivelmente mais estudados e estruturados. Permita que nos apresentemos. — Pigarreou e se curvou parcialmente, em reverência descabida. — Quem vos fala é uma dobradora de gás. Aquele, é nosso irmão, dobrador de areia.
Apontou na direção do homem que fazia a areia rodar em volta de si, sem parecer se esforçar para que o fizesse.
— Aquela, nossa irmã, dobradora de cristal. Aquele, dobrador de petróleo. Aquela, dobradora de veneno. E este atrás de vocês, nosso querido irmão, dobrador de vácuo. — Apontou respectivamente para cada um desses. — Somos todos pertencentes à terceira vertente das dobras elementais. Existem muitos outros de nós, de vertentes e dobras diferentes. E vocês são pertencentes da segunda vertente das dobras.
Sorriu persuasiva.
— Metal, derivação direta da terra. — Olhou bem nos olhos de Syuzanna, desviando o olhar para Alika. — E madeira, derivação conjunta da terra com a água. — Balançou a cabeça em negação enquanto observava a Kilezi tentar não apagar por completo. — Estão com trinta e seis anos, certo? Farão trinta e sete este ano.
— Se você é dobradora, esse detalhe não precisa ser confirmado. Sabe bem que a nossa diferença infere dezoito anos de distância entre nossos despertares e nascimentos. — Syuzanna respondeu raivosa.
A mulher apenas riu-se.
— Formalidades, querida. Apenas uma confirmação. — Deu de ombros. — Sabíamos que não seria tão difícil ter vocês conosco, então acho que deveriam agradecer por não termos trazido junto a nós nosso irmão dobrador de sangue.
Disse com um tom de pena exagerado. Dobrador de sangue? Isso é mesmo possível? Era o que a mente de Alika gritava, ainda que fossem dobradores, aquilo parecia... invasivo demais. Deixava de ser algo apenas elemental, era um poder além do que um humano deveria carregar.
— Tê-lo junto a nós facilitaria muito as coisas e nós queríamos testá-las. — Fez uma pausa intercalando o olhar entre as duas. — Não valeria a pena ter membros tão frágeis, considerando que têm dezoito anos de experiência, certo? Vocês foram bem. — Assentiu, batendo palmas exageradamente altas, no mais puro sarcasmo. — Nos evitaram por três dias e conseguiram se esquivar de uma batalha iminente. Não posso negar que isso é louvável. Entretanto, não significa que estão prontas o bastante para nos enfrentar.
— Não estamos querendo enfrentar ninguém!
— Os propósitos de vocês são parecidos com os nossos, não deveriam tentar isso sem apoio. Por que não juntarem-se à nossa causa? — Sugeriu.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
