NA VOLTA para os dormitórios, Syuzanna estava a frente de todas, podendo ouvir uma conversa entre Madison, Nyla e Catarina. Já tinha entendido o que tinha acontecido por ali desde o momento em que viu Chloé um pouco mais afastada das demais, enquanto o restante das meninas conversavam mais entre si, de uma forma aberta, que não deixava a Guillaume completamente de fora, para que ela pudesse se enturmar na hora que quisesse - e conseguisse. De certa forma, era triste vê-la isolada, mas sabia que estava daquela forma por opção, e não pelas outras estarem a excluindo.
A Ianova sabia que, por serem muito novas, não entendiam como lidar com sentimentos tão... profundos. Jovens tendiam a dar profundidade em coisas ridiculamente rasas, então, quando algo realmente ruim acontece entre um grupo de adolescentes, aquilo acontecia com frequência. E também sabia que tentar conversar com elas só a fariam se sentir mais pressionadas. Jovens eram assim, infelizmente. A maturidade que precisavam ter vinham das próprias vivências. A maioria dos adolescentes aprendem vivendo, tendo experiências e aprendendo com seus próprios erros, e Syuzanna sabia que o que os jovens mais odiavam escutar, era um monólogo de uma pessoa mais velha.
Dizia por experiência própria.
Nyla se sentia aliviada ao ver Madison e Catarina conversando, trocando risadas e, até mesmo, tendo piadas internas. Estava orgulhosa da namorada, que realmente vinha mostrando sua mudança constante, e também estava orgulhosa do esforço de sua amiga em reconhecer o desempenho de Catarina e assim evitar discussões desnecessárias. Pelo menos entre as três as coisas não tinham mudado tanto, apenas mudanças boas e que faria com que a equipe ficasse mais unida.
Chloé, por sua vez, ainda preferia o silêncio. Nada dizia, nada fazia, apenas o esperado de si, e isso preocupava a dobradora de ar. Desejando ou não, ainda era interessante observá-la quando estava distraída. Chloé era uma menina de várias facetas e, mesmo não desejando, muito expressiva. Era notável que não estava mais triste, apenas... distante, pensativa, com a cabeça em outro lugar. Seu olhar pesado e seus passos arrastados denunciavam isso, e Nyla se segurava muito para não ir lá tentar arrancar alguma emoção da menina, ruim ou boa.
Queria ofendê-la para ver sua reação, ou elogiá-la, apenas para ter certeza de que ainda estava naquela realidade. Apenas não o fazia, por medo de piorar as coisas e fazê-la com que se distanciasse por completo. Estava frustrada, mas não com a menina, e sim consigo mesma. Sempre era boa em importunar as pessoas, porém, ao ver a loira francesa tão indiferente com tudo, tinha que confessar que não tinha coragem para o fazer.
Quando as três outras deixaram o elevador, Chloé olhou para Syuzanna e sorriu minimamente.
— Desculpe por ter ignorado você. — Fez uma pausa, tímida. — Eu não queria conversar, queria um pouco de...
— Privacidade. — A mulher completou. — Não se preocupe, está tudo bem. Ainda quero conversar com você a respeito, mas imagino que assim como da outra vez, você ainda não quer conversar.
— Sim, mas obrigada pela preocupação. — Deu de ombros, mantendo aquele sorriso mínimo e triste.
— Quando se sentir confortável, pode me chamar para conversar, ok? — Bagunçou a franja da garota. — Agora vá e tente dormir direitinho, ok mocinha? Nada de sono desregulado por aqui.
— Tudo bem. — Assentiu. — Boa noite.
— Boa noite. — Sorriu. — Durma bem.
A Guillaume apenas assentiu e se dirigiu ao seu quarto. Deitando em sua cama e suspirando pesadamente ao colocar ambos os braços abaixo de sua cabeça. Odiava não saber se expressar como deveria, odiava simplesmente falar o que vinha à sua cabeça. Não deveria ter ido até a sacada e mostrado um certo desespero ao querer conversar com a dobradora de fogo, apesar de ter entendido que Madison não se incomodou com aquilo. Era chato ter que ultrapassar seus próprios limites apenas para agradar as outras pessoas, e não conseguia imaginar-se diferente daquilo, apesar de desejar muito mudar.
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Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
