APÓS o descobrimento do lugar ao qual as coordenadas levavam, as três mais velhas entraram em consenso de que iriam juntas à antiga casa de Hani em busca das últimas respostas. Mas tanto Alika, como Syuzanna sabiam o quanto aquilo havia afetado diretamente uma ferida que estava se fechando muito lentamente no interior da mais velha. Afinal, a mulher sempre evitava quaisquer envolvimentos com coisas do passado, inclusive com os arquivos de pesquisa de seu falecido pai.
Alika se perguntava se não deveriam ter tido acesso às respostas muito antes, uma vez que tudo estava ali, tão próximo... mas não julgaria de maneira alguma, sabia que eram lembranças dolorosas para a mulher.
Percebendo que o momento era desconfortável, tornou ao seu quarto, deixando Hani sob os cuidados da noiva. Foi um dia de muitas complicações, havia passado a maior parte do mesmo digerindo o fato de que Beatrice Moretti havia mesmo decidido não dar-lhe uma nova chance. Apenas aceitaria o fim de tudo aquilo, já passava do tempo de o fazer. Estava cansada de incomodar a morena com sua persistência em um assunto que há tempos havia sido findado.
Mas, mais importante que isso, após sua conversa com Hani, percebeu que precisava perdoar-se também. Antes de pedir pelo perdão de outras pessoas, precisava aprender a aceitar seus erros, ter empatia por si mesma e perdoá-los. Ser levada ao dia que havia chegado ao laboratório, lembrou-se de que no dia de seu aniversário não foi ao túmulo de seus pais, como era costume. Estava ocupada com os preparativos para a chegada das mais novas naquele dia.
Seu aniversário nunca foi um dia feliz para si. Era o marco do dia que matou os próprios pais, então costumava prestar luto pelos mesmos naquele dia. Desde seus vinte e um anos, quando a polícia havia diminuído a frequência de busca por si, que ia ao cemitério todo dia trinta e um de outubro. Syuzanna nunca gostou desta tradição, achava mórbido demais, dizia que aquilo mais parecia um martírio, mas desistiu de tentar fazer a mulher mudar de ideia sobre comemorações por conta de Hani, que entendia o coração da moçambicana e respeitava muito a sua forma de lidar com aquele fato de sua vida.
Para compensar a sua ausência, decidiu que iria ao cemitério logo após a visita à casa onde Hani havia vivido toda sua infância. Seria o marco do início de um processo para o amor por todas as marcas que tinha gravadas em si. Era o momento para deixar o passado em seu devido lugar.
∆
NA MANHÃ seguinte, as meninas estavam tranquilas e, por terem dormido no horário que deveriam, acordaram bem mais cedo que de costume. Hani, Syuzanna e Alika estavam no refeitório para tomar seu café da manhã, afinal, sempre se alimentavam bem antes das mais novas, já que normalmente demoravam a acordar. Qual foi a surpresa das três ao ver as quatro garotas entrarem no refeitório aos risos e conversas amigáveis entre todas.
Ou quase entre todas, Nyla ainda implicava com Chloé ininterruptamente, mas a menor não estava mais tão incômoda com relação a isso. Na verdade, sorria para a menina como se estivesse gostando das provocações.
A Ianova havia parado com uma torrada nas mãos, estava pronta para passar a manteiga na mesma. Haneul tinha o braço esticado para pegar uma pequena jarra de café. Alika tinha o talher enfiado na boca. E as três olhavam embasbacadas para as quatro meninas que se aproximavam, que sequer haviam percebido a presença das mais velhas.
— Ahn... bom dia? — Syuzanna cumprimentou, confusa com a cena.
— Caíram da cama? — Alika perguntou com o cenho franzido.
— O que houve? — Hani perguntou, assustada.
— Acordamos no horário normal, não? — Nyla perguntou, confusa.
A dobradora de madeira olhou para Hani e franziu o cenho.
— Você tirou os relógios dos quartos delas? Parece que não têm mais controle de horário algum. — Disse, segurando um riso.
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Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
