A TAVERNA estava do jeito que Syuzanna se lembrava: velha e empoeirada. O único diferencial do lugar era, que agora, parecia transmitir uma aura melancólica, quase como se estivesse faltando uma peça importante. Mas... que peça era? Tudo era tão confuso em sua cabeça, como se uma nuvem tempestuosa agora nublasse seus pensamentos, quase como se fosse proposital. Toda aquela confusão a deixava... angustiada. Com um peso que ela, no fundo, sabia que não era seu.
Enquanto as outras colocavam suas mochilas nos lugares e se alocavam corretamente, a Ianova ainda permanecia parada no mesmo lugar: ao umbral da porta. A escuridão do interior a chamava como uma armadilha que, agora, não sabia se era perigosa ou meramente ilusão. As palavras de Nyla haviam mesmo mexido com algo dentro de si; algo indescritível. Podia ser mentira, mas... não. Naquela altura do campeonato, nada que aquelas meninas falavam era mentira agora. Era aterrorizante e assustadoramente real.
A ambientação do local realmente remetia há anos atrás, como se o tempo não ousasse mexer em nada por ali. Nem mesmo em um grão de poeira. A madeira sob seus pés parecia engolir suas botas, implorando para que ela se movesse, nem que seja minimamente, mas a mulher simplesmente não conseguia. O peso de estar ali depois de ouvir o que ouviu era demais para si, demais para a sua cabeça que só conseguia se preocupar com Haneul e aquelas cinco meninas que, mesmo treinadas o suficiente, ainda eram crianças sobre seus olhos.
Alika percebeu a hesitação da outra e a olhou de soslaio, quase como se para ter certeza de que a mulher estava como uma estátua na entrada. Nyla e Chloé, que estavam ajudando Catarina a posicionar Madison - ainda desacordada -, também perceberam o paralisar da dobradora de metal. A Kushina estava minimamente arrependida de ter dito o que disse porque, naquele momento, Syuzanna poderia estar tão apavorada quanto as outras de sua equipe quando os primeiros sinais das suas vidas passadas decidiram aparecer ao longo da missão.
E ela sabia que não era algo fácil de tragar. Assim como Catarina, Syuzanna poderia estar à beira de um colapso.
— Zanna? — Alika chamou, apenas para trazer a mulher de volta à realidade.
Mas a mulher sequer olhou na direção da moçambicana, o que a fez suspirar pesadamente. Chloé tocou brevemente no ombro da mulher mais velha e negou com a cabeça.
— Deixa. — Falou, suavemente. — Nós também passamos por isso. Cada uma teve seu tempo para... digerir.
A mulher resmungou alguma coisa que ninguém ali entendeu muito bem o que era.
— É só que... não faz sentido. Não sentimos nada disso na primeira vez que estivemos aqui, mas agora...? — Continuou, falando baixo. — Ela tá parada ali desde que chegamos.
— E ela vai continuar ali. Nada que a gente faça vai adiantar alguma coisa. — Nyla tentou, mas Alika estava realmente incomodada.
SeoHan olhou de relance para o grupo que conversava pouco distante de si. Tinha decidido ficar mais afastada por tudo que havia dito na van. Era fato que estava de saco cheio de toda aquela história, e do rumo de como as coisas estavam se desenrolando para o fim. A forma como aquelas meninas explicaram que, simplesmente, teriam que fazer um sacrifício para que salvassem o mundo era... perturbador demais. E pensar que ela poderia ser aquele sacrifício foi a parte mais conturbada de toda aquela história.
Por mais que soubesse que era o receptáculo do Espírito, e que aquelas meninas buscavam sacrificar o dito receptáculo da Escuridão, a ideia ainda era assustadora demais. Tudo aquilo não era nada acolhedor, como elas haviam reforçado na conversa dentro da van. Não que não estivesse agradecida por todas as coisas que fizeram por ela desde seu encontro, mas ela sentia que aquilo tudo não lhe cabia. Se ela era mesmo o receptáculo do Espírito, qual sua importância em tudo aquilo? Elas eram as portadoras dos quatro elementos, se precisassem mesmo de uma chave, poderiam ser elas mesmas.
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Sinfonia Elemental
FantasiaFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
