CHLOÉ treinou quase que sem supervisão alguma, já que seu treino não se alterou. Ainda precisava fazer a água levitar, o que foi ótimo para a menina, já que se sentia pressionada sob o olhar da russa. Lá estava ela, de pé e de frente para um balde de água, sem que o líquido sequer se assustasse com a sua dobra. Toda aquela ideia maluca de escapar com Catarina não a estava deixando mais tranquila, e isso afetava severamente seu controle sobre a água.
Era verdade que tinha se arrependido de ter se excedido, que tinha ficado chateada por ter ajudado na destruição do refeitório e que não queria amizade com a dobradora de terra, mas também era verdade que odiava aquele lugar e daria tudo para sair dali. Mesmo que soubesse que precisava ficar longe para proteger seus pais, ela queria vê-los, dizer que estava bem, viva e que continuava se alimentando, comendo legumes e frutas como sempre insistiram.
Depois ela veria o que faria para continuar a mantê-los seguros, não seria irresponsável a esse ponto, mas queria poder escolher estar longe de seus pais e visitá-los casualmente. Estando presa naquele lugar, Deus sabe lá quando poderia ouvir a voz de seus pais.
Estava cansada e tensa, seu treinamento não fluiu como deveria - ou como esperava -, mesmo que soubesse que o completo viria depois da sua refeição, quando a dobradora de terra retornasse para a cela. Queria apenas comer e descansar um pouco antes de terminar de se encrencar com Catarina, mas quando percebeu, a porta já estava sendo aberta novamente. Nem mesmo vira o tempo passar, e sequer teve coragem para observar o balde de água intocado.
Quando Alika retornou, trazendo a mexicana, olhou de soslaio para a latina e a viu encará-la da mesma forma. Iriam falar sobre as constatações mais tarde, e algo nas expressões da dobradora de terra fez Chloé sentir que o plano precisaria ser reformulado. Quando saiu de seu quarto, fez o caminho até onde se lembrava ser a sala de treino. E no setor C, a mulher mais velha parou de frente para a porta de pressão, olhou para si e colocou o dedo indicador nos lábios, pedindo silêncio. Não tinha entendido aquilo, até a mulher abrir a porta e revelar quem estava do lado de dentro.
Seu sorriso foi de orelha a orelha, olhou para a mulher que lhe mostrava um sorriso fechado e indicou na direção da mesma com a cabeça, num pedido silencioso para que entrasse. Dentro da sala de treinamentos, distraída e olhando para o teto alto, Madison estava de costas para si. Pareceu perceber que a porta fora aberta, e tudo que a menina disse enquanto se virava na direção desta fora:
— E aí, Kushina! Como foi o treina-
Quando se virou e viu Chloé com o maior sorriso do mundo para si, a loira americana olhou para Syuzanna - que estava dentro da sala -, que ria de sua cara devido à sua reação. Ria mesmo, o que era incomum. A Guillaume correu brevemente e deu um abraço apertado na dobradora de fogo e, como em desenho animado, pôde-se ouvir um tsssss do contato das duas. A Flowers ainda estava confusa, mas se sentia milhões de vezes mais aliviada em ver a dobradora de água. Era ótimo vê-la depois daquele breve tempo separadas.
— Cadê a Kushina? Não era ela que viria? — Perguntou perdida. — Pensei que nós iríamos nos ver antes que vocês levassem ela para o quarto.
— Você poderia ficar um pouco mais feliz de me ver, né? Faz um dia que não nos vemos e é assim que você me recebe. — A Guillaume brincou se afastando um pouco da outra.
— Hani achou que seria cruel demais afastar vocês tão abruptamente. — Syuzanna deu de ombros. — Aproveitem o tempo do jantar para conversar, infelizmente, o castigo ainda não acabou. Logo, logo a refeição de vocês chegará.
— Diga a Hani que eu agradeço. — Madison pediu, demonstrando o sorriso mais sincero que a mais velha poderia ter visto dela. — Foi muito gentil da parte dela. Me sinto melhor.
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Sinfonia Elemental
FantasyFANTASIA | ROMANCE SÁFICO | DRAMA | SUSPENSE | TERROR Em um mundo onde os humanos acreditavam que superpoderes eram uma exclusividade dos filmes fantasiosos, os quais não passavam de meras histórias distópicas para que pudessem arrancá-los da realid...
