Companheiras de Cela.

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O DIA amanheceu e Haneul não recebeu notificação de nenhum dos vigias a respeito de Chloé e Madison.

Lembrava bem de ter mencionado para todos os seguranças que trabalhavam no andar subterrâneo que, assim que todas acordassem, chamassem Syuzanna ou Alika e assim deixá-las na supervisão das dobraduras mais velhas, que as levariam para comer. Sabia que Madison sempre demorava um pouco mais que as outras três para acordar, mas naquele dia, ela estava demorando demais, o que acabou por preocupar a mulher. Principalmente pelo fato de ter permitido que a franco-americana dormisse em seu quarto naquela noite.

Contatou os homens responsáveis pelo setor das duas e tudo o que lhe informaram foi que o andar estava em temperatura ambiente por mais de oito horas consecutivas, e não se pôde ouvir nada. Madison ainda não havia acordado e Chloé também não, aparentemente. Tudo estava perfeitamente normal de acordo com os guardas. Nada de estranho havia sido reportado durante a madrugada.

Haneul ficou ainda mais preocupada, uma vez que o setor A - correspondente às dobradoras de fogo e de água - sempre estava entre o muito gelado e o muito quente. Estar em temperatura ambiente era um mau sinal, pois nunca havia presenciado aquilo antes desde a chegada da Guillaume. Devido a isso, a mulher resolveu ir ela mesma buscar as duas para o almoço, já que haviam perdido o horário do café da manhã.

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Já no subsolo, os vigias cumprimentaram a mulher com uma continência breve, e suas respostas foram apenas um sinal de mãos para que os homens parassem com aquilo, pois não era necessário tanta formalidade. Pegou seu cartão de acesso e passou pela máquina ao lado da porta metálica. Assim que abriu a passagem para o interior do cômodo, a cena que viu não poderia ser mais fofa... e constrangedora. Era a explicação para o estranho acontecimento de o andar estar em temperatura ambiente. Haneul quase soltou uma risada.

Chloé e Madison dormiam abraçadas de uma maneira bem desengonçada, o que era muito fofo de observar. Mas também era constrangedor, porque parecia que a mulher estava invadindo a privacidade das duas, mesmo que sem intenção. Hani ficou feliz de ver que as meninas tiveram muito mais facilidade em se entrosar entre si dentre todas as outras, mesmo que seus elementos fossem opostos. Talvez se devesse ao fato de terem histórias parecidas, de acordo com o histórico de ambas.

Compartilhavam da mesma dificuldade de formar amizades.

A mulher se aproximou da cama e pigarreou brevemente, fazendo as duas se remexerem sobre a cama. Pigarreou novamente, um pouquinho mais alto e Madison franziu o cenho, ainda de olhos fechados apalpou o rosto de Chloé, que fez uma careta um pouco irritada, típica de quem quer dormir "só mais cinco minutinhos". Automaticamente, a dobradora de fogo afagou a pele alva do rosto da outra menina, sentindo o quanto a mesma era macia.

Madison passou a abrir os olhos vagarosamente, mas quando abriu os mesmos, eles se arregalaram rapidamente ao se lembrar que não estava sozinha em sua cama. Logo se afastou e deu um grito um pouco agudo demais, que fez Hani fazer uma careta e a Guillaume arregalar os olhos. Chloé, desesperada devido ao susto, se levantou atordoada e acabou por cair com toda a força de seu corpo no chão, tendo a barriga para baixo.

Silêncio se fez por alguns segundos.

— Bom dia pra você também, Madison. — A dobradora de água disse, tendo a cara amassada contra o chão e a voz um pouco estranha devido à isto. — Eu não me importo de dormir no chão, mas ser arremessada nele é outro patamar, sabe?

— Ai meu Deus, me desculpa! — A loira americana se sentou sobre a cama preocupada e estendeu a mão para Chloé se sentar, coisa que nem precisava, já que a última já ria. — Você se machucou? — Perguntou, analisando a menina rapidamente.

Sinfonia ElementalOnde histórias criam vida. Descubra agora