MAIS tarde no mesmo dia, todas se sentiam mais livres para fazer o que desejavam desde o começo daquela missão. Agora, poderiam ter o descanso merecido e a folga que os corpos desejavam ter. Porém, os fragmentos da missão não desapareceram completamente, ainda tinham coisas pendentes a resolver. Muitas, muitas coisas. Haviam pontas soltas, questões não solucionadas, enigmas não descobertos e, bem, havia SeoHan também.
Hani havia marcado uma reunião geral para que todas contassem o decorrer da missão, e deixou pontuado que gostaria de especificações de todas as partes, para que o relatório fosse completo e sem erros. As meninas concordaram, porém, Hani sabia que todas precisavam voltar a se acostumar com a rotina do laboratório, então não cobraria urgência quanto ao horário da reunião.
Por outro lado, as duas dobradoras mais velhas precisavam de um banho, descartar o uso dos uniformes e matar a saudade de suas amigas, causada pela missão. Elas se despediram das demais e foram quase que imediatamente até seus quartos, logo depois sendo acompanhadas das respectivas mulheres que amavam. As dobradoras mais novas compreenderam, e quiseram fazer o mesmo, porém, cada uma em sua individualidade de seus quartos.
Haneul não sabia nada sobre a nova dobradora, SeoHan, por isso, fez o que estava habituada a fazer: recebê-la como uma das suas, pois em breve a menina se tornaria uma, de fato. Porém, a Bae sabia muito bem que as dobradoras mais novas haviam saído em missão para justamente encontrar o dobrador do Breu. E mesmo sem questionamentos ou divergências, levou-a até o andar subterrâneo para que a menina ficasse isolada das outras, mas mesmo assim, confortável em seu novo lar temporário.
SeoHan ainda não estava confortável com a situação, a única coisa que a tranquilizava no momento era saber que as vozes haviam parado, o coração não acelerava e não sentia-se em perigo. As visões, mesmo que estivessem voltando gradativamente, agora não pareciam tão assustadoras assim. Isso não fazia a menina sentir confiança nelas, mas também não fazia se questionar o tempo inteiro se aquelas mulheres eram de fato boas. Estava dividida entre a desconfiança e a lealdade, pois foram aquelas meninas que a salvaram.
Mesmo sabendo da tal profecia, de acordo com as suas visões, ainda era tudo muito novo. O mundo parecia querer colidir contra si mesma, causando uma grande sensação de desespero. Agora que sabia que aquelas meninas eram as mesmas de sua visão, mesmo que de aparências diferentes, ela também havia entendido que precisava ficar com elas, porque de alguma forma, aquilo que habitava dentro dela queria-as para algo grandioso. O que era aquele algo grandioso necessariamente, ela não sabia, e preferia continuar na ignorância.
Mesmo sabendo que tinha relação com o equilíbrio do mundo e seu destino.
Seu quarto não se parecia com uma prisão. Era tranquilo, com móveis divertidos e confortáveis. O aroma era doce como um bolo recém feito, os lençóis e os travesseiros pareciam atraentes e confortáveis. Não estava se sentindo à mercê de carrascos, como sempre se sentiu após o despertar estranho em seu corpo. Apenas esperava que todas aquelas pessoas a ajudassem verdadeiramente e a levassem de volta para casa, depois daquilo tudo acabar.
Não sabia o que significava ser uma dobradora, e mal sabia os objetivos de um. Sentia-se como se estivesse mergulhada em um livro de fantasia, com super-heróis, vilões e obstáculos que pareciam não ter fim. Nunca se imaginou assim, sequer gostava daquele gênero de leitura. Sempre foi medrosa, não gostava de nada que fugia muito da realidade, pois aquilo a assustava e fazia seu peito encher-se de preocupações. Mas agora, tinha que aceitar que estava vivendo aquilo, pois já fazia um tempo desde a sua primeira visão.
Antes de Hani a deixar sozinha, a mulher pediu para que trocasse as roupas do corpo e colocasse o uniforme de seu laboratório. Ela indicou o banheiro e mostrou as toalhas disponíveis para que pudesse utilizar. SeoHan, mesmo sem graça e um pouco atordoada pelo contraste de localização e tratamento, apenas agradeceu e viu a mulher fechar a porta, deixando-a por ali, em sua própria companhia.
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Sinfonia Elemental
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