Apresentações.

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AS COLEGAS de pesquisa de Hani foram nos quartos de cada uma das garotas e as levaram separadamente para o refeitório, onde já se encontrava a jovem de cabelos cor de mel. A primeira das outras três a chegar fora Nyla. A morena de cabelos médios foi deixada na sala, tendo uma das colegas de Hani a lhe observar enquanto a outra ia buscar mais uma das outras garotas que, até então, a garota de linhagem japonesa só havia ouvido falar.

Uma garota de pele bronzeada, cabelos cor de chocolate bastante ondulados, coxas torneadas o suficiente para o uniforme ficar justo em suas pernas e cicatriz cruel sobre o olho esquerdo veio depois de si. Tinha uma expressão bem mais tranquila do que a própria Nyla, e isso a deixou um pouco surpresa, visto que onde estava era como uma espécie de inferno particular, e não conseguia imaginar alguém tranquila por ali, que não fossem as mulheres mais velhas.

— Olá. — A garota disse, Nyla apenas lançou um sorriso mínimo.

A recém-chegada sentou-se em uma cadeira um pouco mais distante de Natsumi e quase não notou a outra jovem, no canto da sala, próxima à Haneul. Aguardaram mais um pouco em um silêncio perturbador enquanto quem as vigiava trocava de turno com a que acabara de chegar e ia buscar mais uma das garotas, a última delas. Depois de alguns longos minutos, a tal garota chegou.

Ela não disse nada, muito menos as outras três jovens. Nyla olhou para a garota que tinha os braços cruzados e suspirou fortemente, olhou para a que havia chegado um pouco antes e percebeu que o sentimento era o mesmo. Bem, elas não sabiam como explicar, mas sentiam que a garota era bem chatinha. A aura dela gritava: sou esnobe, prepotente e mimada. Nyla sabia que era errado julgar pela aparência, mas alguma coisa entre as duas simplesmente não bateu.

Já sabia que não iria conseguir manter uma boa convivência com ela.

— Bom... — Começou a mais baixa das duas mais velhas enquanto olhava as horas em seu celular. — Todas acomodadas no grupo?

— Não somos um grupo. — A última a chegar resmungou, atraindo os olhares de todas.

— Terá que se acostumar com essa ideia por agora. — A outra mulher respondeu, um pouco mais rígida.

Nyla não conseguiu evitar um risinho debochado.

— De qualquer maneira... — A mais baixa interveio para não criar um clima ruim. — Algumas dúvidas de vocês finalmente serão sanadas.

— A garota que já estava aqui antes de vocês ainda está um pouco atordoada e frágil, acordou hoje. — A maior disse. — Então, por favor, sejam gentis com ela. — Olhou diretamente para a garota de braços ainda cruzados, que sequer reagiu.

Foram ouvidos barulhos de salto batendo contra o chão e a atenção de todas foi atraída para a mulher que vestia uma camisa social branca muito justa e uma calça de brim escuro. A garotinha magra e baixinha permaneceu um pouco mais afastada das demais, receosa de aproximar-se. Nyla podia jurar que os olhos dela logo mais saltariam para fora da caixa se ela os arregalar um pouco mais do que já estavam.

Entendia o sentimento, estivera daquela forma quando chegou ao lugar. Dava para ver que ela estava muito assustada e ela, pelo seu porte físico e pela postura, não parecia alguém capaz de se defender sozinha nem que isso fosse possível contra aquelas mulheres. Além disso, também percebeu os traços asiáticos, mesmo que ela parecesse ter algum gene europeu. Intrigante.

— Olá, meninas! Como estão? — Hani perguntou, sorrindo com a mesma serenidade de sempre. — Estarei aqui para guiar algumas das explicações de hoje.

— Acho que todas nós queremos que você seja um pouco mais objetiva hoje, Hani. — A de pele bronzeada foi a primeira a dizer, e seu sotaque era perceptível. Era latina.

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