Máscara Fria.

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OS TESTES brutos, para capturar os péssimos resultados, haviam sido efetuados pelo homem. Como imaginava, não havia conseguido bons resultados em nenhum dos casos sendo puramente o sangue das dobradoras em contato entre si. Mas havia avançado consideravelmente no desenvolvimento da enzima que vinha trabalhando nos últimos tempos.

Não estava finalizada, mas era uma boa oportunidade para testar o avanço e a eficácia desta. Pegou três bases de acrílico para que pudesse colocar gotas das amostras da dobradora de ar, terra e fogo. Quando pronto, inseriu cautelosamente com uma seringa uma pequena quantidade do fluido que continha a enzima nas amostras. Por último, o homem respirou profundamente e se preparou para o último passo.

Novamente com o conta-gotas, o biomédico sugou um pouco do sangue no recipiente que se referia à Guillaume e tentando ser o mais rápido possível em adicionar aquele pequeno fator, a fim de que tivesse resultados em uma minutagem semelhante, se afastou e observou as alterações com segurança. Houve um retardamento considerável na reação das amostras água-ar e uma diminuição no vapor causado nas amostras água-fogo. Aquilo era ótimo. Esperou algo grande e perceptível a olho nu acontecer quanto às amostras terra-água, mas, milagrosamente, nada ocorreu.

Curioso, buscou pela pequena plataforma e levou-a até o microscópio. Ampliando a imagem até que pudesse ver quaisquer alterações mínimas, e ali percebeu que haviam sim alterações, pequenas e lentas. Havia uma maior harmonia entre as amostras e a enzima, o que o fez até mesmo sorrir naquela final de tarde.

Não estava totalmente certo de que nada aconteceria, mas foi o melhor resultado que teve naquele dia. As alterações eram em poucas proporções, assim como as alterações que se davam no sangue de Chloé. Estava feliz de saber que aquilo era possível pelo que estava desenvolvendo há tanto tempo. Aquilo, de certa forma, aliviava um pouco seu coração agitado. Por mais que não concordasse em praticamente nada do que Haneul estava fazendo, era ajudar ou vê-la morrer. Então, ao ver que sua pequena ajuda estava começando a criar forma e defesa, sentiu-se melhor em estar participando daquela loucura imposta pela Bae.

Era uma fase de testes e foi o primeiro resultado positivo. Não sabia quando a pesquisadora chefe retornaria, mas sabia que ela tinha seus outros compromissos, por mais que soubesse o quanto a mulher poderia cancelar todos para continuar tudo aquilo. Ele imaginava o quanto era difícil ter que enfrentar perdas, mas não imaginava que perder alguém tão querido poderia te levar à loucura completa.

Relaxou um pouco mais os ombros e permitiu-se sentar um pouco mais despojadamente. Sua vista estava começando a se cansar e sua coluna queria sair de seu corpo e se enterrar em algum canto. Não estava no seu limite, mas a idade fazia com que ele ficasse muito mais indisposto do que quando trabalhava com o pai da pesquisadora chefe. Por isso, sempre andava com um pequeno coquetel de remédios de dores consigo.

Tirou uma medicação própria para todas as dores que estava sentindo e arrastou-se com a cadeira de rodinhas em que estava sentado até o filtro com água. Naquela hora, sua cabeça gritou em abstinência ao café, o que fez sua têmpora latejar um pouco. Serviu-se da água e engoliu o comprimido com ajuda da mesma, demorando-se para levantar.

Porém, levantou da mesma forma e decidiu deixar a sala um pouco. Não podia focar completamente naquele estudo por agora, então, precisava de uma pausa para renovar as energias. E, com certeza, faria isso com um bom copo de café.

APÓS mais um tempo considerável de frente para aquela escuridão da sala, o som de algo metálico a fez tomar coragem para seguir. A sala era uma penumbra só, mas as luzes de emergência do corredor que seguia era o suficiente. Caminhava, um passo por vez.

Sinfonia ElementalOnde histórias criam vida. Descubra agora