O Fim de Uma Era.

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COM tudo decidido, cada uma se encaminhou para onde haviam se planejado. Syuzanna e Alika para a primeira sala à esquerda, Madison para a segunda e Nyla e Chloé, para a terceira à direita. Catarina e SeoHan ficaram por ali, sem ter muitas opções do que fazer. A dobradora de terra começava a sentir dores pelo peso da garota em seus ombros, mas não podia simplesmente largá-la em qualquer lugar. Aguentaria até o seu limite.

Madison, sozinha, adentrou a segunda sala. O lugar parecia mais um salão de festas, porém, havia o grande clichê de qualquer tipo de filme: o grande pedestal no centro do lugar. Madison, receosa, caminhou com cautela até onde o pedestal se encontrava. Teve que utilizar sua dobra para que pudesse enxergar melhor o lugar, fazendo com que um fraco brilho ficasse sobre a palma de sua mão, como se a mesma estivesse usando uma lanterna.

O brilho tremeluzia ora sim, ora não. Estava estranhamente calmo e silencioso ali dentro, ainda mais do que do lado de fora. Observando um pouco mais, viu que as paredes estavam entalhadas em quatro figuras das quais reconheceu logo de cara. Eram os quatro caracteres em mandarim, que denominavam os quatro elementos.

O lugar era meio macabro e pouco acolhedor, apesar do silêncio. A dobradora de fogo aproximou-se das paredes e encarou os entalhes da parede, percebendo que abaixo de cada caractere, existia um busto. Eram figuras de homens, mulheres e até mesmo crianças, entalhadas no mármore como se fossem algum tipo de recordação antiga. Madison logo fez uma ligação: poderia ser histórias antigas sobre o povo de Guistein, e a vinda dos dobradores para esse lugar, mesmo sendo primitivo demais para o ano em que tudo aconteceu.

As figuras eram um pouco sérias demais, como se fossem ditadores de algo. Cada caractere continha, no mínimo, cinco bustos abaixo. Madison caminhou por ali, entretida com os entalhes e um pouco despreocupada com o tempo, o que sabia que era errado, mas simplesmente não conseguia parar de olhar para tanta história diante de seus olhos. Atentando-se um pouco mais, viu entalhes de símbolos estranhos, como uma espécie de alfabeto próprio. Algum idioma irreconhecível, e extremamente complexo.

Aproximou-se um pouco mais, temerosa do que as outras pudessem pensar sobre si ao saberem que está desfocada do próprio objetivo. Agarrou-se no fato de que estava coletando informações, mesmo que por meio da exploração, e aumentou o brilho da palma de sua mão, para que pudesse ver em maior escala o entalhe da parede. Eram... tribos? Grupos? Não sabia ao certo, e sua única certeza ao olhar para os detalhes era que se tratava das mesmas criaturas que antes povoavam Guistein.

Todos se encaminhando para além das montanhas, enquanto apenas uma figura parecia estender a mão para um homem. Atrás das duas figuras, uma grande estrutura que caía aos pedaços: A Ordem dos Originais. Estreitou os olhos para poder enxergar melhor na penumbra e, ao analisar melhor, a figura com a mão estendida segurava papéis com a outra mão. O olho de Madison arregalou, e logo voltaram-se para o mandarim correspondente pelo elemento da água. O homem ali entalhado era Thommy Blackwood, e os outros que ali estavam, parecia ser o restante de seus companheiros.

Deu um passo para trás, precisava voltar para seu objetivo principal. Aquilo poderia ficar para outra hora. Por isso, ainda hesitante, voltou a focar no que lhe foi designado.

Caminhou em passos firmes até o pedestal correspondente da terra e, ainda sentindo calafrios por estar ali, tocou o mármore, percebendo a gastura do material conforme o tempo. Não fazia ideia de quantos anos aquele lugar tinha oficialmente, mas tudo ali dentro remetia coisas de cem, duzentos ou até trezentos anos atrás, para a era das criaturas. Não se sentia confortável com aquilo, pois apenas observando as gravuras na parede e percebendo o exílio das outras criaturas, seu corpo já se tornava trêmulo.

Sobre o pedestal, havia um pequeno pergaminho. Com certeza era o que estava procurando, pois a escritura parecia ser antiga o suficiente para ser considerada uma antiguidade. Madison tocou o material e olhou para trás, sobre seus ombros, apenas para ter certeza que estava sozinha por ali. Retirou o pergaminho dali e viu que nada aconteceu, porém, ainda estava em estado de alerta, como se a qualquer momento alguém pudesse a impedir de tirar aquilo do lugar.

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