Between my fingers, the paper trembled,
like a secret on the edge of an abyss.
The fresh ink, hesitant and cold,
marked a time already out of rhythm.
I wrote your name on the first line,
as one who calls to a distant echo.
And every word that was born in me
was a whisper, a wandering cry.
I spoke of the autumn that took us away,
of promises trapped in the wind.
Of the forgotten kiss that time stole,
of everything we were in a single moment.
The words flowed, dense and raw,
like heavy rain on barren land.
Each phrase, a road without direction,
a lost desire in a pale soul.
I folded the paper with unsteady hands,
as one who keeps what was never spoken.
The seal remained, silent and distant,
a witness to a love unbroken.
And so, the letter remained forgotten,
in a drawer of eternity.
Never sent, never read,
but carrying all the truth.
A Carta Nunca Enviada
Entre os dedos, o papel tremia,
como um segredo à beira do abismo.
A tinta fresca, hesitante e fria,
marcava um tempo já sem ritmo.
Escrevi teu nome na primeira linha,
como quem chama um eco distante.
E cada palavra que em mim nascia
era um sussurro, um grito errante.
Falei do outono que nos levou,
das promessas presas no vento.
Do beijo esquecido que o tempo roubou,
de tudo o que fomos num só momento.
As palavras fluíam, densas e cruas,
como chuva forte em terra árida.
Cada frase, um caminho sem ruas,
um desejo perdido na alma pálida.
Dobrei o papel com mãos vacilantes,
como quem guarda o que nunca foi dito.
O selo ficou, mudo e distante,
testemunha de um amor maldito.
E assim, a carta ficou esquecida,
numa gaveta de eternidade.
Nunca enviada, nunca lida,
mas carregando toda a verdade.
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illusions
Poetry"This is where I write down my thoughts and ideas about various topics that pique people's curiosity."
