Dentro de vidro, um mundo encantado,
onde a infância dança num sonho dourado.
Florescem cores, cintila a luz,
num doce abraço que a vida seduz.
Mas lá fora, sombras espreitam,
de rostos ocultos que a paz rejeitam.
Com martelos, machados e notas na mão,
prontos a tudo para a cúpula ao chão.
Trazem o peso de um tempo cruel,
querem que cresça, que esqueça o céu.
A pressa do mundo, o medo a cercar,
roubam-lhe os sonhos, forçam-na a mudar.
A menina treme, mas não solta a mão
do seu fiel amigo de algodão.
Os ramos vergam, pétalas caem,
mas a esperança resiste, não se esvai.
O vidro estala, o mundo treme,
a infância luta, mas o medo a prende.
Se o escudo cair, que restará?
A inocência ferida ainda voará?
Mesmo que a cúpula um dia se quebre,
que os sonhos chorem e a dor os enrede,
no peito da criança, algo persiste:
a chama da esperança, que nunca desiste.
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illusions
Poesía"This is where I write down my thoughts and ideas about various topics that pique people's curiosity."
