Os Noivos

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Fábio


Eu não via a hora de casar com Carol.
Literalmente, riscava os dias no calendário, como se cada marca fosse um passo a menos até tê-la para sempre comigo. Só que o tempo parecia zombar de mim, lento demais, como se quisesse provar meus limites.

O vestido dela já estava pronto, o meu terno só precisava de alguns ajustes, e cada detalhe da festa e da lua de mel estava organizado

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O vestido dela já estava pronto, o meu terno só precisava de alguns ajustes, e cada detalhe da festa e da lua de mel estava organizado.
Tudo.
Não havia brechas.
Ainda assim, eu não conseguia silenciar o medo que insistia em sussurrar no meu ouvido.

E se os pais dela tentassem outra vez fazê-la desistir de mim?
E se viessem com mais uma armadilha, um golpe baixo, e dessa vez conseguissem nos separar?
A ideia me consumia.
Eu confiava na determinação de Carol, mas, quando se tratava dela, minha segurança se tornava vulnerabilidade.
Porque perdê-la… seria simplesmente insuportável.

Eu não conseguia tirar da cabeça aquele babaca do ex-namorado, aparecendo na porta de casa com a maior cara de pau!!!
Mas não adiantava nada ficar me torturando com isso. Eu precisava me convencer de que o passado não importava mais e que a única coisa que merecia minha atenção era o casamento.

Para complicar, ainda havia a questão dos presentes de Natal, que — claro — eu tinha deixado para a última hora.
E eu sabia que sozinho seria um suplício enfrentar o shopping lotado.
Precisava de companhia.
Peguei o celular e liguei para meu irmão:
— E aí, Lucca, preciso de um favor...
— Oi. Manda.- disse objetivo.
— Preciso que você vá comigo ao shopping. Eu ainda não comprei os presentes. — falei já me preparando para o sermão.
Dito e feito.
— Caramba, Fábio!!! Antevéspera de Natal e só agora você resolve fazer compras?! Você não tem jeito mesmo.
— Eu sei, eu sei... Mas com toda a correria do casamento... — tentei justificar, rindo sem graça.
— Ah, por favor, não venha com essa desculpa esfarrapada. Você não fez nada além de tirar as medidas para o seu terno... e ainda conseguiu chegar atrasado ao alfaiate!
Pelo tom de voz, eu sabia que ele estava segurando o riso.

— Tudo bem, eu vou mudar. - afirmei com um tom de arrependimento- Você está se sentindo melhor depois dessa bronca? Vai comigo ou não?
— Primeiro: você não vai mudar, escuto isso desde que éramos crianças.- seu tom confirmou o riso contido- Segundo: estou me sentindo ótimo. E terceiro: vou, né!
— Por um momento cheguei a pensar que você me abandonaria, me deixando sozinho para enfrentar essa batalha...
— Idiota, menos drama, por favor!!! A que horas você passa aqui?
— Já estou a caminho.
— Ok. Mas você paga o jantar. Até daqui a pouco.
— Fechado. Até.
Desliguei com um sorriso no rosto.
Eu e meu irmão sempre fomos parceiros. E tenho certeza que isso nunca irá mudar .

Enquanto dirigia até a casa dos meus pais, lembrei da conversa que tive com meu anjo sobre a insegurança que insistia em me atormentar.

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