Carolina
Apesar da barra que Allie e Lucca estavam enfrentando e da certeza que meus pais me apagaram em definitivo de suas vidas, ainda assim, eu me sentia em êxtase.
Saber que havia um pequeno ser humano crescendo dentro de mim me enchia de paz e alegria.
Eu já havia entrado no quinto mês de gestação, e minhas roupas não me serviam mais.
Apesar de ser minha primeira gravidez, não tive enjoos nem mal-estar, como li em publicações especializadas de isso ser comum na primeira gestação. Sentia-me disposta, cheia de energia, e minha libido estava a mil.
Meu anjo agradecia!
Nós já havíamos começado a comprar algumas coisas do enxoval do bebê, mas eu queria que Lucca fizesse a decoração do quarto.
No entanto, o momento delicado pelo qual ele passava me inibia de pedir. Então, decidi aguardar a confirmação dessa primeira tentativa deles de fertilização.
Eu estava sentada no quarto do bebê, no chão, com as costas apoiadas na parede, quando meu anjo chegou.
- Amor... Carol?
- Aqui, no quarto do Enzo - respondi.
Só dizer isso já me fez sorrir. Ele era real e, naquele exato instante, estava se mexendo dentro de mim.
Fábio entrou sorrindo e me beijou.
- Como estão meus dois amores?
Peguei a mão dele e a coloquei sobre o meu ventre. Imediatamente, nosso filho chutou.
- Uau!!!
- Sentiu?! - perguntei, encantada.
- Sim... Calma, garotão!!! Assim você pode machucar a mamãe... - disse ele, visivelmente emocionado e sua voz parecia deixar o bebê ainda mais agitado.
- Acho que ele já conhece sua voz. Quanto mais você fala, mais ele se mexe.
Ele inflou o peito de orgulho, deitou a cabeça no meu colo, com o rosto voltado para minha barriga, e começou a falar:
- Filho, o papai está aqui. Eu te amo muito. - Acariciava meu ventre com cuidado. - Ainda não chegou a hora de te ver e te segurar, e, por enquanto, você precisa ficar aí, bem calminho. Cuida bem da mamãe, ok?
Veio mais um chute forte, seguido por uma enxurrada de lágrimas.
Estávamos muito sensíveis, e tudo nos emocionava.
Tomamos banho juntos, um momento da nossa rotina que eu amava. Ele me ajudava, passava óleo por todo o meu corpo e massageava meus pés com aquelas mãos mágicas.
Eu me sentia no céu.
Dias depois
Dia de ultrassom.
Eu sempre ficava ansiosa... mas ele ficava muito mais!!!
Chegamos à clínica com vinte minutos de antecedência.
Bufei e olhei para ele com enfado.
- Eu disse que estávamos adiantados...
- Anjo, é melhor prevenir. E se tivesse trânsito? Ou se acontecesse algum acidente? E se furasse um pneu?
- Chega, Fábio. Eu já entendi. - disse, exasperada.
Ele não ligou e continuou:
- Viu como é bom ser precavido? Vocês reclamavam que eu deixava tudo para a última hora... agora mudei.
- Ok!
- Nossa... você está de mau humor.
- Estou! - explodi. - Porque você me acordou cedo e ficou me apressando pra ficarmos sentados aqui, esperando por vinte minutos!!!
- Calma... você tem razão. Desculpe.
Percebi que ele só concordou para me acalmar o que, curiosamente, me deixou ainda mais furiosa.
Peguei uma revista e comecei a folhear sem prestar a mínima atenção, apenas para ocupar as mãos.
- Quer um chocolate? - perguntou com um ar inocente demais para ser ignorado.
Eu não conseguia ficar com raiva dele.
Aqueles olhos azuis eram a minha perdição.
- Quero... por favor.
Ele sorriu, e meu coração se aqueceu imediatamente.
Logo depois, chamaram o nosso nome.
A enfermeira me preparou para o exame e, em seguida, o médico entrou na sala.
- Bom dia. Prontos para ver o garotão? - disse, com um sorriso caloroso.
- Sim!!! E ansiosos!!! - Fábio respondeu antes mesmo que eu pudesse abrir a boca.
O médico riu, e eu apenas dei de ombros, suspirando.
Ele nos olhou por um instante, criando expectativa.
- Então, doutor... - Fábio insistiu, incapaz de conter a ansiedade.
- Vamos começar - respondeu ele.
Enquanto deslizava o aparelho sobre a minha barriga, o médico ia explicando cada parte, apontando o que era aquilo que víamos na tela e confirmando que tudo estava dentro dos parâmetros esperados.
Apesar de ser o ultrassom mais avançado existente, às vezes eu ainda me sentia confusa com algumas imagens.
Já Fábio... estava completamente embasbacado. Apenas assentia, sorria, os olhos brilhando como se estivesse diante de um milagre.
- Agora vamos à melhor parte do exame - anunciou o médico. - Um de vocês pode falar com ele, e vamos observar como ele reage.
Meu anjo olhou para mim em súplica.
Eu apenas concordei, sorrindo.
E ele, mais do que depressa, começou a falar:
- Oi, filho... é o papai. Tudo bem, garotão?- a voz embargada denunciava a emoção intensa.
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Rise UP
RomanceUm amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências? Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação? Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
