Lou
O tempo parecia zombar de mim.
Cada dia se arrastava como se fevereiro nunca fosse chegar.
Por conta de um pequeno descolamento de placenta fui obrigada a fazer repouso absoluto, tendo que me afastar do trabalho.
Nem mesmo pude estar presente fisicamente no casamento de Fábio e Carol, mas Sam mesmo apreensivo em ir, nos representou e gravou boa parte da cerimônia.
Julian se mexia o tempo todo, e eu já não sabia mais como deitar, sentar ou respirar.
Os pés estavam inchados, os hormônios à flor da pele, e eu chorava por qualquer coisa - do comercial de margarina ao simples "bom dia" de Sam.
Mesmo assim, ele me olhava como se eu fosse a mulher mais linda do mundo.
Tirou férias só para ficar comigo, e fazia de tudo para me aliviar: massageava meus pés, ajeitava travesseiros, adivinhava meus desejos e me cercava de um cuidado que me derretia.
A cada toque dele, eu lembrava: aquele homem era meu lar.
As garotas, me ligavam todos os dias e sempre que a rotina maluca delas permitia, vinham nos ver.
Infelizmente, também não pude acompanhá-las na viagem para a compra dos vestidos de noiva, mas Jane transmitiu a maior parte da aventura e me senti quase lá.
Allie e Carol também faziam questão de compartilhar comigo detalhes sobre os preparativos e os garotos sempre mandavam mensagens.
Mesmo presa em casa, sempre havia algo para me distrair e minha presença virtual já havia se tornado comum.
Os Landucci, assim como os pais de Sam também estavam sendo extremamente atenciosos e afetuosos.
Então não havia dor que reclamar certo?
Errado.
Porque junto da ansiedade vinha o medo.
E se eu não desse conta?
E se eu não conseguisse cuidar, reconhecer, nutrir aquele pequeno ser que dependia de mim?
Afinal, não tive essa referência materna, por mais amorosas que as freiras tenham sido comigo, ainda assim não eram minha mãe.
Eu tentava afastar os pensamentos, mas a dúvida sempre voltava - e era a voz dele que me trazia de volta à calma, à razão.
Quando o dia chegou, tudo parecia em câmera lenta.
Família reunida, risos nervosos, abraços apertados... e nós dois ali, em silêncio.
Sam segurava minha mão, mas a dele estava fria.
Encostei a cabeça em seu ombro e sussurrei:
- Vai dar tudo certo, meu amor.
Ele não respondeu, só me abraçou mais forte.
A anestesia veio, a luz branca da sala me envolveu e, antes de tudo começar, eu fechei os olhos e pedi a Deus que protegesse meu filho.
Senti Sam apertar minha mão.
Foi o suficiente.
O choro ecoou - e o mundo parou.
Um som pequeno, rouco, perfeito.
Senti as lágrimas escorrerem antes mesmo de vê-lo.
Quando o colocaram perto de mim, Julian procurou o seio com tanta naturalidade que eu só consegui rir e chorar ao mesmo tempo.
- Esse é meu moleque! - Sam disse, com a voz trêmula. - Já nasceu sabendo o que é bom!
Todos riram, e eu olhei para ele.
Tão nervoso, tão emocionado, tão meu.
Naquele instante, tive certeza: o amor da minha vida tinha acabado de me dar o maior presente do mundo.
E eu nunca mais seria a mesma.
Sam
Esperávamos ansiosos a chegada de Julian.
Mas o tempo parecia se arrastar...
27 de fevereiro.
A data que irá mudar de uma vez por todas as nossas vidas.
Eu achava que sabia o que era amor.
Achei que o tinha sentido no dia em que ela disse "sim", no altar.
Mas ali, vendo Lou tentar se ajeitar na cama, exausta e linda, percebi que amor era mais do que isso.
Era estar acordado às três da manhã massageando pés inchados, preparando chás, limpando lágrimas - e ainda achar tudo aquilo bonito.
Ela reclamava que estava feia, cansada, enorme.
Mas eu só conseguia vê-la como o ser mais forte e mais doce que já existiu.
Eu tentava disfarçar, mas estava apavorado.
O parto me assustava.
E se algo desse errado?
E se eu a perdesse?
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Rise UP
RomanceUm amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências? Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação? Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
