Um amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências?
Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação?
Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
A viagem teve um impacto significativo na maneira como eu ainda me enxergava. Me vi dependente e precisando da ajuda dos meus amigos e da minha princesa, para coisas simples, como subir ou descer uma escada ou ainda, passar da cama para a cadeira de rodas. E eu, que sempre fui tão orgulhoso da minha autossuficiência, me dei conta de isso não passava de pura ilusão.
Admito, que desde o acidente, neguei à realidade que se apresentou a mim como uma receita intragável com ingredientes de péssima qualidade: deficiência física, dores crônicas e dependência. Entretanto os acontecimentos após a alta hospitalar, o encontro com vovô Ben e por fim os quatro dias no chalé, estão empurrando pela minha garganta abaixo a verdade cruel e dolorosa: eu nunca mais andarei normalmente, sem fazer uso de algum suporte ortopédico. Entendi que muletas e possivelmente uma bengala, farão parte da minha vida daqui para frente. Mas o que não consigo aceitar é ter que usar uma cadeira de rodas...
Nos últimos dias antes da viagem, as dores se tornaram insuportáveis e aumentei por conta própria a ingestão de analgésicos. Infeliz... ou felizmente, minha mãe percebeu e começou a me observar mais atentamente, impedindo que eu abusasse. Eu lutava contra a dor constante, o medo, a raiva e a revolta. E ainda precisava sustentar o personagem otimista que havia criado. Me sentia no limite... à beira de um precipício. Muitas vezes, olhava para Allie e me perguntava como ela ainda estava comigo?! Vovô Ben tinha razão, eu pensava durante as crises de dor mais intensas, eu não passava de um aleijado sem nada para oferecer à Allie!
Entretanto a viagem veio em boa hora, pois me tirou dessa zona de desespero. Foram quatro dias felizes, em que Allie e eu nos reconectamos e nos amamos com intensidade. Comemoramos meu aniversário discretamente e me deliciei com o presente que ela preparou: lingeries sexys e todos os meus desejos atendidos. Ela cumpriu a promessa de me proporcionar momentos extraordinários e em todosossentidos! Provou me amar e nem mesmo recuou diante das cicatrizes, que tento sempre esconder e me deixam tão inseguro.
Contudo, em meio ao drama protagonizado por Jane e Robert ( graças a Deus com final feliz) e o pedido de casamento de Sam ( serei o padrinho e me sinto muito honrado), não me senti confiante para pedí-la em casamento e finalmente entregar o anel. Adiei covardemente. Confesso que as palavras do avô dela continuam me assombrando...
Voltamos para casa e a caixinha do anel parecia me acusar de tolo e covarde, pesando uma tonelada na mala. Prometi a mim mesmo que irei falar com ela o mais breve possível e tentei ignorar a angústia em meu peito. Retomei a rotina de trabalho e fui ao escritório algumas vezes, me surpreendi com o quão despercebido passei. Ninguém ficou me encarando com pena ou curiosidade por estar em uma cadeira de rodas. Não que eu tenha percebido... e um dos meus medos foi vencido.
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