Amor & Paz

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Lucca

Depois do casamento, das brigas e das discussões, a calmaria parecia enfim ter voltado à nossa vida.
Allie e eu estávamos bem, concentrados em terminar a decoração da nossa casa.
Na verdade, ela havia deixado praticamente tudo por minha conta.
Nunca teve muita paciência para escolher tecidos ou peças decorativas — dizia não ver diferença entre eles.
Eu ria e respondia:
— Por isso eu sou arquiteto e você, professora, meu amor.
E assim seguimos, ajustando cores, encaixando memórias nas paredes e aprendendo a dividir o espaço com o silêncio.

Eu tinha voltado a trabalhar no escritório. Agora que havia tirado as imobilizações e conseguia calçar sapatos novamente, voltando a me sentir minimamente normal.
Também retomei as sessões no Centro de Reabilitação, com exercícios de fortalecimento e hidroginástica — sem expectativas irreais.
A dor crônica havia se tornado suportável, e eu estava conseguindo reduzir os analgésicos.
Aos poucos, aprendia a lidar com minhas limitações.
A dor ainda estava ali, constante, mas já não me definia. E, com isso, meus rompantes de mau humor diminuíram consideravelmente.
Depois daquela crise de ciúmes, Allie estava mais atenciosa, mais amorosa.
Voltamos a fazer tudo juntos.
E eu cedia quando ela queria sair, mesmo nos programas em que me sentia exposto.
Hoje, por exemplo, iríamos a um restaurante com jantar dançante.
Eu já me preparava mentalmente para manter o bom humor — por ela — e ignorar os olhares de pena que, inevitavelmente, viriam.

No final da tarde, ela passou para me buscar e fomos juntos para casa.
Estava animada com o programa e havia comprado um vestido novo.
— Bebê, eu reservei uma mesa não muito próxima da pista de dança. E a banda toca vários estilos musicais ao vivo! — contou, com os olhos brilhando.
— Deve ser muito legal, princesa — tentei soar entusiasmado.
— Ah, e o Robert e a Jane vão com a gente!
— Excelente! — ao menos, pensei, não ficaria sozinho enquanto ela dançava.
— Eu estou tão animada!
— Eu percebi… — o tom irônico escapou antes que eu conseguisse evitar.
Ela me lançou um olhar de lado.
— Lucca, se você não quiser ir, eu cancelo. Não quero brigar.
Parecia tão decepcionada que respondi rápido:
— Imagine! Eu quero ir. Só fiz um comentário…
Dei um sorriso que esperava parecer convincente.
O resto do caminho foi silencioso.

Como meus pais estavam viajando, a casa estava tranquila.
Fomos direto para o quarto e começamos a nos arrumar.
Durante o banho, enquanto a ensaboava devagar, acabamos fazendo amor.
— Allie… nós vamos perder a reserva… — murmurei, sem nenhuma convicção, enquanto ela se sentava em mim.
Depois disso, esqueci de tudo.

Quando finalmente terminamos de nos arrumar, não pude deixar de admirá-la.
Ela estava linda — o vestido mesclava tons de dourado, rosa e verde, com a saia levemente rodada que ia até os joelhos.
Fiquei apenas observando, em silêncio, como se aquele instante simples fosse suficiente para me lembrar por que eu continuava tentando.
O decote modelava seus seios de um jeito que me fez desejar beijá-los, sugá-los até fazê-la gritar de prazer.
E para completar o look, ela usava a sandália que eu lhe dera de presente no Natal.

— Princesa... você está linda. — falei, sem conseguir disfarçar o tom rouco da voz.
— Obrigada. Você também não está nada mal, senhor Landucci. — respondeu com aquele sorriso que sempre me desarmava.

No caminho até o restaurante, fomos rindo e cantando com o rádio — um hábito nosso desde o início do namoro.
Fiquei aliviado ao perceber que o restaurante tinha rampas de acesso.
Um detalhe simples, mas que fazia diferença.

Chegamos apenas cinco minutos após o horário da reserva, e logo em seguida Robert e Jane apareceram.
Depois dos cumprimentos, nos acomodamos e fizemos os pedidos.
O clima era leve, descontraído.

Rise UPHistórias para pegar e não largar. Descubra agora