Carolina
Fábio e eu ainda não havíamos tocado no assunto filhos…
Mas, em breve, teríamos que fazê-lo — e eu não tinha a menor ideia de qual seria sua reação.
Desde um pouco antes do Natal, eu estava suspeitando estar grávida, mas fui protelando para fazer o teste, porém, agora não havia mais como fugir.
Naquela manhã eu chegaria mais tarde ao trabalho.
Precisava ir ao laboratório fazer um exame para confirmar a possível gravidez. Estava ansiosa e angustiada, tudo ao mesmo tempo.
E se o exame desse negativo?
Eu ficaria arrasada.
Tudo o que mais desejei na vida foi ser mãe.
Com medo de ir sozinha, pedi à Allie que fosse comigo. Como Robert e Jane haviam prolongado a viagem, só poderei contar com uma das minhas escudeiras.
E desde que contei sobre a minha suspeita, Allie me cobria de cuidados e carinho.
Enquanto a aguardava chegar, decidi mandar uma mensagem de bom dia para o meu anjo.
> “Bom dia, anjo.
Sabia que já estou com saudades?
Não vejo a hora de te abraçar, beijar e tudo mais...
Te amo.”
Enviei.
Logo em seguida o interfone tocou: o porteiro avisou que Alicia havia chegado e me aguardava.
Apressada, guardei o celular na bolsa sem nem olhar e desci.
— Bom dia — ela disse sorridente. — Pronta para saber se meu sobrinho está aí?
— Bom dia... Com medo, Allie. E se a resposta for negativa? — externei aflita.
Ela colocou as mãos sobre o meu ventre e, com aquela serenidade que sempre me acalmava, respondeu:
— Não se preocupe. Ele está aí, e o exame só vai confirmar isso.
— Como você sabe? E por que ele?
— Porque eu sinto — disse, sorrindo. — É difícil de explicar... mas é um menino.
Devido à sua confiança, acabei me acalmando também.
No percurso até o laboratório, conversamos sobre o meu casamento que se aproximava.
Faltavam apenas quinze dias e, surpreendentemente, eu não estava nervosa — talvez por causa da suspeita da gravidez.
Fui atendida rapidamente.
Fiz a coleta de sangue e a recepcionista explicou que eu poderia aguardar trinta minutos para pegar o resultado pessoalmente ou receber por e-mail.
Sem hesitar, decidi esperar.
Foram os trinta minutos mais longos da minha vida!!!
Allie tentava me distrair, mas eu mal conseguia prestar atenção.
Quando chamaram meu nome, minhas mãos suavam.
A recepcionista me entregou o envelope — pequeno, mas capaz de mudar tudo.
Não abri de imediato.
Faltava coragem.
Já no carro, Allie insistiu:
— Carol, abre e acaba com essa angústia.
— E se… — comecei, hesitante.
— Se for negativo — interrompeu, confiante —, vocês têm muito tempo para tentar.
— Tem razão. Mas... você pode abrir pra mim? Prefiro assim.
Ela assentiu e eu entreguei o envelope. Fechei os olhos.
Não queria ver sua expressão de decepção, caso o resultado fosse negativo.
Ouvi o som do papel sendo rasgado e prendi a respiração.
— Parabéns, mamãe!
— Sério?! Allie… — tentei falar, mas o choro tomou conta. Era um turbilhão de emoções.
Ela me abraçou, chorando também, e pousou a mão no meu ventre:
— Oi, meu amor. Eu sou sua tia Allie, e você já é muito amado. A mamãe só está chorando porque está muito feliz por você tê-la escolhido.
Chorei ainda mais.
Allie saiu do carro e voltou com uma garrafa d’água.
— Carol, agora você precisa se acalmar. — disse, abrindo a garrafa e me entregando, já que eu tremia demais para conseguir.
Bebi um longo gole e senti o coração desacelerar.
O turbilhão de emoções começou a se aquietar.
— Allie… esse é o momento mais feliz da minha vida! — falei, colocando a mão sobre o ventre, como se pudesse protegê-lo. — Sempre foi o que mais desejei.
— Eu posso imaginar — ela respondeu, sorrindo. — Aliás, todos vão ficar muito felizes!
Fiquei séria por um instante.
— Será?
— Como assim? — perguntou, surpresa.
Suspirei antes de explicar:
— Fábio e eu nunca tocamos no assunto filhos. Eu não sei se ele deseja ser pai. Principalmente agora… ele vive falando em aproveitar a vida, viajar. E com um bebê recém-nascido, isso se torna impossível.
Allie segurou minha mão.
— Não se preocupe com isso. Tenho certeza de que ele vai ficar muito feliz. Agora vamos alimentar vocês dois — disse, piscando para mim. — Não quero que meu sobrinho nasça fraco!
— Ok… e, pra ser sincera, estou faminta — respondi, rindo.
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Rise UP
RomantikUm amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências? Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação? Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
