Um amor que teve início na adolescência, pode ser destruído por um acidente e suas consequências?
Imaturidade, traumas do passado, falta de confiança e preconceito, podem acabar com uma relação?
Nessa história vamos descobrir como o autoconhecimento...
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Fábio
O tão aguardado dia havia, enfim, chegado. Finalmente 14 de fevereiro — o dia do meu casamento com a mulher da minha vida e mãe do meu filho. Eu estava em êxtase. Nada poderia estragar aquele momento.
O inverno rigoroso de Lansing, havia dado uma trégua e o dia parecia de primavera, quando ela dava seus primeiros sinais, presenteando-nos com um dia ensolarado e de temperatura amena. O salão do hotel estava lotado: família, amigos, todos reunidos sob uma decoração elegante e impecável. Cada detalhe parecia feito sob medida para nós.
A única nuvem escura no meu céu era o fato de os pais de Carol não terem vindo. A mãe que havia prometido e até o último instante assegurou sua presença, simplesmente, mandou uma mensagem sucinta informando que não viria. Sem maiores justificativas. Eu sabia o quanto isso a machucava. Tentei entrar em contato com eles, mas fui completamente ignorado. Não entendia como o preconceito podia ser mais forte que o amor por uma filha. Se preferiam se manter distantes, nada havia que eu pudesse fazer — eram eles que estavam perdendo momentos preciosos da vida dela. Da minha parte, eu faria o possível e o impossível para vê-la feliz.
Dentro de instantes, a cerimônia começaria. A ansiedade me fazia suar; as mãos, trêmulas, denunciavam o nervosismo. Olhei para Lucca e Robert, que me observavam com expressões sérias. — O que foi? — perguntei, desconfiado. — Só que você parece prestes a desmaiar… — comentou Robert, rindo não aguentando manter a expressão de seriedade por mais nenhum minuto. — E se isso acontecer, vai atrasar a cerimônia — completou Lucca, provocando e segurando o riso. Revirei os olhos. — Eu estou ótimo!!! E, pra informação de vocês, não vou desmaiar coisa nenhuma!!! Eles explodiram em gargalhadas e Robert me estendeu um copo de uísque. — Ok, não está mais aqui quem falou. — ironizou. Agradeci e virei o copo de uma vez. O líquido desceu queimando, mas ajudou a aliviar a tensão.
— Senti falta da gangue — confessei. — Eu também, ainda bem que nosso maluco favorito conseguiu chegar — Lucca falou sorrindo, sendo abraçado por Robert. — E Sam está dedicado a cuidar da Lou, por conta do repouso absoluto que ela tem fazer. Mas ele já garantiu que virá, os pais dele ficarão com ela. Assenti e suspirei. — Então é isso… prepare-se, meu amigo. A paternidade exige muito, mesmo antes do nascimento do bebê.- Robert afirmou. — É, e você vai entender em breve. — Lucca disse piscando. Rimos juntos, e de repente, minha mente me levou de volta à reação da minha família quando contamos sobre a gravidez. A felicidade estampada em cada rosto, a emoção sem disfarce, o acolhimento, tudo foi um afago na alma. Eu queria que Carol pudesse ter esse mesmo acolhimento por parte dos pais dela, mas eles nem mesmo sabem que serão avós. E com a ausência na cerimônia, estão transmitindo claramente a recusa em aceitar as escolhas da filha.