Loren Colucci era a noiva de Mário Monteiro desde a adolescência, mas nenhum dos dois desejava a união.
Loren não suportava a ideia de se casar com o menino que viu crescer e com ele não era muito diferente, se existisse algum tipo de sentimento bo...
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LEONARDO SALVATTORE
O natal chegou lento, chuvoso e brilhante. Até demais.
Nossa sala de estar todo dia ganhava um item de decoração novo, para compor o cenário da árvore de natal que me deixava meio tonto sempre que olhava para ela, haviam pisca-piscas enrolados no corrimão da escada e, a sala de jantar, estava no mesmo estado, até os vasos de flores, tinham ganhado uma flor pontuda e vermelha, que Loren tinha me dito que eram flores de natal, enquanto eu era forçado a ajuda-la a montar os arranjos, embora eu nunca tinha as visto antes.
Além da decoração, todos fomos obrigados, pela minha esposa, muito empenhada em realizar o jantar de natal, a seguir um código de vestimenta rígido. Esporte fino. Verde para os homens e vermelho para as damas.
Na noite do dia vinte e quatro de dezembro, estávamos todos na sala, a lareira acessa, taças de vinho já meio vazias, rindo de uma história que Afonso, que foi convencido a deixar de lado seu tão querido uniforme, para usar um suéter de cashmere verde, muito parecido com o meu e de Armando, contava. Algo bastante vergonhoso sobre a infância do filho, mas eu não estava prestando atenção, ela estava toda na minha esposa.
Loren, sentada ao meu lado, descansando a cabeça em meu ombro e com o braço enrolado no meu, estava usando um vestido vermelho curto que cobria parte das coxas, com um decote mais profundo e alças finas. O tecido era leve e ajustado no corpo, marcando a cintura e descendo com um leve movimento na barra. Ao redor do pescoço, um detalhe do próprio tecido caía como um lenço longo, acompanhando o vestido, e eu me via brincando com a ponta da coisa, a todo instante. O cabelo estava preso em um penteado que ela passou horas aprimorando no espelho do banheiro, muito concentrada.
— Papai, já chega, acho que o senhor bebeu demais por hoje - Armando resmungou, roubando a taça da mão de Afonso, antes que ele pudesse terminar de beber a sua quarta taça do melhor vinho da nossa pequena adega. — Desse jeito, não vai ficar de pé até a hora do jantar.
— Eu sou seu pai, Armando! - Afonso reclamou — Pare de me dar sermão, só porque quer impressionar a moça irritante ali.
Pietra, coberta por lantejoulas vermelha, revirou os olhos. Todos sabíamos que o velho rabugento estava implicando com ela.
— Ele está perdendo o tempo dele, senhor! - ela devolveu. Afonso não tinha sido o único a beber demais de barriga vazia.
— Sabe, garoto - Afonso cochichou para Armando, mas saiu alto demais. — Eu tenho que te ensinar de novo a como conquistar as garotas, não é? Você perdeu o jeito.
— Temos mesmo que esperar até meia noite para jantar? - Armando perguntou impaciente, deixando a taça o mais longe do pai e sentando-se novamente.
— Sim - Loren respondeu, nenhum pouco preocupada com a carranca de Armando, se aconchegando mais no meu corpo.
— Só falta termos que cantar músicas de natal também - Armando resmungou e Loren riu. Ele estava emburrado desde que soube que Pietra também estaria presente no natal, ele se recusou a vir, mas no final, apareceu logo de manhã para ajudar com as coisas, quando seu pai ligou e o chamou aos berros.