Capítulo 29

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-Sandy? Venha tomar café! –Aliça gritou da cozinha.

-Só um minuto! –Gritei, mas ela não escutou.

-Venha logo! –Ela disse pondo os dedos ainda coloridos na porta. Escoltou-me até à cozinha onde Josh estava à mesa, Lidsai olhando pela janela.

-Você quer me ajudar na construção de brinquedos para o dia de ações de graças? –Disse-me Josh.

-Você realmente vai permitir? –Disse a ele surpresa.

-Claro, minha filha! Termine o café e começamos agora mesmo.

Tentei comer o mais rápido que pude, eu iria construir da melhor forma que pudesse.

-Vamos! –Disse animada para o pai de Aliça. Passamos pela porta da cozinha, balanço e logo depois estávamos no local de trabalho. Madeira serrada por todo canto, pó e muito brinquedo, de todos os tipos e tamanhos.

-Vamos distribuir todos os brinquedos feitos para crianças pobres. Capriche e faça todos do mesmo tamanho. Observe como faço! –Eu o olhei atentamente e decorei cada passo que precisaria seguir.

-Essas crianças são como eu? Digo, da mesma idade?

-Sim! Ele disse e continuou. –Algumas até menores.

-E elas são felizes como nós?

-Algumas! A maioria não. Elas devem trabalhar muito para ajudar seus pais e mesmo assim a grande maioria passam fome e frio.

-Então creio que ficarão felizes com todos esses brinquedos, não é Josh?

-Sim, meu amor! Até lá vou pensar em uma maneira de levar você para ajudar a entregar tudo. –Eu ri e voltei empolgada ao trabalho.

A noite logo chegou. Aliça que tinha ficado na Universidade toda a manhã e a tarde na loja para que o pai confeccionasse os objetos para as crianças, já havia chegado e nos olhava da porta, com um copo de água em mãos. Josh me pôs nas costas e fomos até lá.

-E então, macaco aranha? VOCÊ O FEZ PAGAR CORRETAMENTE PELOS SERVIÇOS PRESTADOS?

-Ah sim! Um cavalo é sempre um bom investimento. –Sorri. Aliça é realmente linda! Nunca a observei parada como agora, corpo, altura, cabelos, olhos, tudo é agradável e de alguma forma convidativo.

-Que foi macaco aranha? Está na hora de tomar banho! Vá pôr o cavalo no pasto.

-Isso de cavalo é sério mesmo? –Josh disse sorrindo para Aliça.

-Venha San!

Fui com ela até o quarto e depois ao banheiro, onde eu já tinha acostumado com o ritual. Com toda certeza era melhor que os cuidados de qualquer funcionária de minha casa.

-Aliça?

-Diga!

-Você acha que meu pai pode ler? Mesmo agora?

-Não menininha! Os mortos não voltam, eles vão para o céu ou para o inferno, não devemos acreditar em nada, além disso.

-E eles não podem nos ver?

-Não! Da mesma forma que não podemos os ver.

-Então você acha que devo parar de escrever para meu pai?

-Como assim, San?

-Tenho feito cartas para ele, como um diário, no caderno dourado.

-Você deve decidir! Mas se isso lhe faz bem, não tem motivos para parar.

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