Não tivemos dificuldades para entrar, já que encontramos facilmente uma entrada. Ela estava tampada com com algumas tábuas soltas, apenas encostadas na passagem. Entramos discretamente, observando o local. Dirigi meu olhar para todos os lados, reparando em algumas coisas estranhas no local. O chão estava marcado por inúmeros passos. Onde o vidro da janela estava quebrado, havia remendos com um plástico grosso. Caixas de madeira estavam arrumadas de forma que servissem de bancos e uma mesa improvisada.
Engoli a seco aqueles sinais e virei para meu amigo.
- É impressão minha mas esse lugar... - comecei.
- ...parece ser habitado por alguém? - propôs ele.
- É. - concordei, sentindo um frio na coluna.
- Quem são vocês e como entraram aqui? - perguntou uma voz masculina.
Virei-me na direção da voz. Na porta do lado oposto do cômodo, estava três figuras: um garoto alto, rosto oval e fino. Sua pele clara dava mais intensidade aos seus cabelos completamente azuis. Seus olhos pretos eram a única cor escura em seu rosto e por julgar por sua expressão facial, ele não estava tão amigável. Já a outra era uma garota e uma criança. A garota aparentemente tinha a minha idade. Seus cabelos eram lisos, na altura do ombro, escuro como a noite. Olhos azuis intensos parecia combinar com o cabelo do garoto. Rosto redondo e bochechas fartas dava a ela uma aparência bondosa. Sua pele parda dava mais destaques aos seus olhos que nos olhavam fixamente. A menina era pequena. Possuía no máximo 11 anos. Parecia parente da garota, já que as poucas diferenças entre elas era a cor dos olhos (o da menina eram castanhos), a idade e a cor da pele(branca).
Aproximei-me do Gê e olhei para o grupo, esperando que meu amigo se pronunciasse por nós dois.
- É... entramos por uma passagem. Não sabíamos que esse lugar estava ocupado. Somos novos na cidade e...- começou Gê, tanto nervoso quanto eu.
- E quem são vocês? - repetiu o menino.
- Ninguém importante. - respondi, impulsiva.
- Vocês entraram na nossa casa. São intrusos. - comentou a garota, apoiando o rapaz.
- Como meu amigo explicou, somos novos na cidade. Só queríamos um lugar para conversar em paz. - reafirmei.
Eu realmente só queria sair dali. Um frio subiu pela minha coluna, fazendo um desconforto aparecer. Por segurança, ativei meu símbolo, preparada para qualquer coisa. Sem movimentos bruscos, empurrei levemente George na direção da entrada que utilizamos.
- Vamos embora. - expliquei, respondendo seu olhar questionador.
- Espera aí. Vocês invadem a casa dos outros e acham que vai ficar por isso mesmo? Acham que é normal fazer isso? - interrogou o garoto.
- Não sei. É minha primeira vez em sociedade. Assim que descobrir, venho te contar. - retruquei.
- Tory! - advertiu-me George.
Merda. Falei demais, pensei, revirando os olhos.
- Por favor, esperem. Calma. - pediu a garota. Agora, sua fisionomia era outra; transbordava uma certa preocupação e curiosidade. Ela respirou fundo e apontou para o meu antebraço direito. - O que é isso?
Na hora, esqueci que meu símbolo era como uma tatuagem e era visível. Coloquei a mão sobre o membro, escondendo o desenho.
- Nada. É só uma tatuagem. - respondi rápido.
- E por que está nervosa? - continuou ela.
- Por que isso lhe interessa? - questionei, apreensiva.
De repente, um péssimo pensamento me veio a mente: a A-51 já te descoberto que fugimos e mandava todos a nossa procura. Lembrou-me dos doutores dizendo que tinham infinitos recursos para usar como quisesse. Será que isso inclui adolescentes? Estariam eles trabalhando para o Governo? O ar mal entrava no meu corpo, deixando meus pulmões desesperados.
- Também somos assim! - disse ela, sorrindo e relaxando os ombros.
- Esther, cale a boca! - ordenou o garoto.
- Assim como? - perguntei.
- Assim como você. - e se voltou para seu amigo. - Olhem bem, Peter, eles são estranhos! Eu não consigo ler seus padrões cerebrais e isso nunca aconteceu antes, assim como nunca aconteceu de encontrarmos outros iguais a nós. Você não notou a tatuagem nela! Por favor, avalie os fatos.
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Os Doze Dons Do Sol
AdventureDoze crianças nasceram especiais. As crianças zodiacas. Uma para cada signo, planeta e constelação. Duas delas estão sobre a supervisão e cuidados do Governo. A A-51 era seu lar, mais precisamente o Setor H. Após um blecaute em todo prédio, Tory(Tou...
