Tinhamos acabado de descer do ônibus e mal sabíamos que caminhos seguir. Joguei-me em um dos bancos desocupados da rodoviária e bufei. Peter sentou ao meu lado e os outros se aproximaram.
- Qual é o plano? - perguntou ele.
Levantei, surpresa. Por que será que eu tinha a impressão que essa pergunta era para mim? Olhei para ele e vi seus olhos escuros fixados em mim.
- O quê? Você que é o líder. Deveria saber o que vamos fazer. - respondi, relaxando nos bancos frios.
- Porém, ideia foi sua. - retrucou ele.
Olhei para ele, desconfiada. O que seria aquilo? Um teste? Decidi ignorá-lo e falei:
- Durante a viagem, estive debatendo com Gê uma teoria...- anunciei.
- Percebemos. Vocês não calaram a boca durante a viagem toda e foram cinco horas. - murmurou Peter.
Fiz uma cara feia como se dissesse: Garoto, se você não calar a boca, eu vou te jogar na frente do próximo ônibus. Peter notou e riu.
-Ok. Não está mais aqui quem disse. Qual seria a teoria?- perguntou ele.
- Somos imãs. - confessei.
- Meu sonho. Sempre quis ser um imã. - exclamou Peter.
- Como assim imã? - interrogou Esther.
George se aproximou e colocou a mão no meu ombro.
- Acreditamos que por conta de estarmos interligados, somos atraídos uns aos outros, como imãs atraem metal. Assim que estamos perto de outra pessoa zodiacal, sentimos sua presença. Foi assim quando encontramos vocês três, tanto eu quanto a Tory sentimos algo estranho...- explicou Gê.
- ...Como um sexto sentido. E mais um detalhe: cheguei a conclusão que um signo que antecede o outro é capaz de localizá-lo. Como um GPS de signos. Nada muito complexo. Tudo é puro instinto. - completei.
- E como chegaram a essa teoria? - questionou Courtney.
- Foi o que disse: instintos ou intuição. Chame do que quiser. - comentei.
- E se não for tão simples assim? - perguntou Esther.
- É o que temos. - e virei para Peter. - Pediram-me resposta e ai está ela. Cabe a vocês aceitá-la ou não.
Um silêncio reinou por alguns minutos. Tempo suficiente para que eu avaliasse a pequena rodoviária. Era de noite e um vento frio circulava por todo o local. Praticamente, eramos os únicos ali presentes e isso me preocupou.
- É tarde, Tory. É uma bela terça-feira, onze da noite. Ninguém viaja nesse horário. - comentou Esther, percebendo minha aflição.
- Certo. - concordei.
- Não temos muito a perder. Podemos seguir com essa ideia e ver no que dá. - disse Peter, por fim.
Assenti, concordando.
- Qual o nosso destino, então? - perguntou Esther.
- Temos que ir atrás do próximo signo. Uma pessoa que nos suceda, mas não está entre nós ainda.- expliquei.
- Quem é o próximo? - interrogou Peter.
- Entre Capricórnio e Escorpião, temos Sagitário. Entre Peixes e Touro, temos Áries e se seguirmos para o lado do Peter, podemos encontrar a pessoa de Aquário. - comentou George.
- Mas como os encontraremos? Estão todos aqui nos Estados Unidos? - perguntou Courtney.
- Não sei dizer. - respondeu Gê.
Eu precisava continuar seguindo as orientações de Kayra. Até o presente momento, ela não tinha errado uma. Levantei do banco e respirei fundo.
- Preciso que vocês confiem em mim e façam o que eu pedir. - falei.
-Por que? Vai assaltar algum banco ou matar alguém? - questionou Peter, irônico.
- Não. Nada disso. - confirmei, negando com a cabeça.
- O que temos que fazer? - perguntou Esther.
- Todos sentados. Exceto você, Gê. - pedi.
Esther sentou-se ao lado de Peter e Courtney ocupou meu lugar. George permaneceu ao meu lado em silêncio.
- E agora, vovó? - interrogou Peter.
- Concentrem-se. Procure por uma localização, seja ela um nome de rua ou cidade. - orientei.
Eles ficaram em silêncio completo. Eu via que seguiam minhas ordens, pois até a pequena Courtney apertava as pálpebras dos olhos com força. Temi que aquilo lhe trouxesse algum machucado , mas permaneci muda.
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Os Doze Dons Do Sol
AventuraDoze crianças nasceram especiais. As crianças zodiacas. Uma para cada signo, planeta e constelação. Duas delas estão sobre a supervisão e cuidados do Governo. A A-51 era seu lar, mais precisamente o Setor H. Após um blecaute em todo prédio, Tory(Tou...
