Capítulo XXIX: Nosso dia (super) normal e a proposta de viagem.

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Era fim de tarde e o sol nos parabenizava com seus últimos raios. Olhei da varanda e vi Anelise sentada na beira do penhasco junto com Sam. Fiquei preocupada. Não pelo fato de estar sentada no penhasco, e sim pelo fato de que tanto ela quanto Sam estava muito quietos.

- O que será que eles estão aprontando? - perguntou Esther, aparecendo ao meu lado.

Ela estava com roupas típicas do país: uma regata lisa e um short. Como no Brasil era um evento raro fazer frio, tivemos que mudar radicalmente nossos guarda-roupas. Aquele clima tropical era aconchegante, mas por estarmos no mar, sofríamos com temperaturas um pouco mais baixas que no continente. Mesmo assim, não foi difícil nos acostumar.

- Tenho até medo de descobrir. - respondi.

Rimos sobre a situação e decidi chamar os dois para tomar banho. Como eram os mais jovens, tomavam banho primeiro, assim como se serviam para comer e dormiam primeiro também.

Aproximei-me devagar e em silêncio. Parei atrás deles e perguntei:
- O que estão fazendo?

Anelise apenas sorriu, juntamente com Sam.
- Ane está assustando os pescadores que estão tentando se aproximar da ilha. Eles querem nossas cobras para vender no mercado negro. Estamos as protegendo. - explicou Sam, voltando a olhar para o horizonte.

Olhei também, mas só via um pequeno barco no oceano.
- E como está assustando eles? - perguntei novamente.
- Peguei a inspiração das cobras. Consegui fazer uma cobra gigante de água que estranhamente está rodeando o barco, fazendo-o balançar. Sam está descrevendo o que está acontecendo no barco.- contou a pequena.

Assenti e coloquei as mãos no bolso da calça de malha.
- Não está brava, Tory? - perguntou Sam, assustado.
- Não. Também não gosto que façam mal às cobras. Já me acostumei com elas e se o governo brasileiro não os permite chegar perto, não é para vim. Só não quero que alguém se machuque. Apenas os espantem. - orientei. - E depois, banho. Vocês tem dez minutos.

Afastei-me, sorrindo. Voltei para dentro da casa. Como de costume, Gê estava na biblioteca no segundo andar, ensinando Leon algumas coisas. Esther estava ajudando Violet a criar seus vestidos e lendo revistas da atualidade. Peter estava treinando, depois que dei algumas dicas a ele. Como tive mais chances e assim, aprendi mais técnicas de lutas, eu o treinava depois do almoço, ensinando golpes diferentes. Como era seu dom, ele sempre aprendia de primeira, mas insistia em treinar os mesmos movimentos por horas. Com o passar do tempo, ele parou de implicar tanto comigo e até conseguíamos passar alguns minutos sem discutir por algo. Lindsey estava na sua longa meditação que durava até a hora do banho. Eu só conseguia meditar com elas uma hora, já que sempre aparecia algum dos signos necessitando de minha ajuda. Courtney passava boa parte da tarde assistindo tv e nos atualizando das notícias globais. Já Charles era nosso inventor e sempre tinha algo novo para eu testar, o que me lembrava um pouco a rotina na A-51. Ele era muito bom com armas, já que esse era seu dom: criar armas com qualquer material. Era bem útil, mas mal o usávamos, pois vivíamos de modo pacífico em nossa ilha. Ele havia criado sozinho uma pequena oficina no quarto único do segundo andar. Assim como líder, eu procurava estar informada e interagir com todos os signos. Meu dia era corrido e mal tinha tempo para descansar. O único tempo que me sobrava era de manhã, que aproveitava para correr no litoral paulistano. Eu era a última a dormir e a primeira a acordar todos os dias.

Caminhei em direção a cozinha, meu lugar favorito da casa. Com meu dom de túneis, eu procurava aprender receitas pelo mundo e assim, fiquei responsável pelas refeições do dia. Arys me esperava sentado à mesa, brincando com suas cartas. Ele era meu ajudante. Por ser cego, ele conseguia sentir melhor a qualidade da comida e seu paladar e olfato apurado me ajudava muito. Naquele dia, Sam tinha escolhido a refeição da noite. Tínhamos uma planilha (feita pelo Gê) que dava direito de cada signo escolher uma refeição do dia e escrever no quadro branco que tínhamos ao lado da geladeira. Minha principal função era fazer meu melhor e preparar aquilo que foi pedido. Naquela noite, era lasanha. Fácil e sem carne bovina, óbvio.

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