Quando acordei, Peter e Esther já haviam levantado e conversavam baixo perto da janela. Alarmei-me na hora. Mesmo ainda sonolenta, obriguei meu corpo a obedecer meus comandos e levantei. Posicionei-me ao lado de Esther e perguntei:
- Algum problema?
Ela suspirou.
- Talvez. Notei que a cidade está com uma quantidade considerável de policiais na rua. Não sei se é por que a cidade é um ponto turístico ou porque é uma fronteira ou...- e Esther me olhou com uma certa tristeza.
- ...Eles tem a suspeita que Gê e eu estamos aqui. - completei. O quão perto dos Estados Unidos estamos?
- Não muito perto. Estão mais acima. - confirmou Peter.
- Pode ser apenas paranoia nossa, mas acho melhor ficarmos de olho. - aconselhou Esther.
Apenas assentimos. Faltava apenas um. Não podíamos falhar naquela altura do campeonato. Sentamos os três na mesa e discutimos estratégias para encontrar o último. Como o meu rosto e do Gê poderia estar estampado pela cidade, Peter deu a ideia de ficarmos no quarto, enquanto ele e Esther procurava pelo signo. Isso me agradou? Não! Discuti sobre? Bastante. Adiantou algo? Não.
Acordei Gê e discutimos sobre a decisão. No final, ele apenas assentiu e disse:
-É uma sábia decisão. Concordo.
Olhei para ele, espantada e indignada.
- Até tu, Brutus? - perguntei.
Gê apenas se limitou a sorrir. Neguei com a cabeça e suspirei.
- É três contra um. Certo. Ficamos aqui, então. Mas não estou muito feliz por perder a melhor parte. - confessei, derrotada.
Esther levantou e sorriu.
- Vamos tomar o café-da-manhã e sair logo em seguida. - comentou ela.
Concordamos. Pedimos nossa comida no restaurante do hotel e enquanto eles preparavam, eu acordei o restante do grupo. Comemos tranquilamente e depois, Esther e Peter se preparam pra sair. Eu estava agoniada por ficar no quarto e devo confessar que até me sentia um pouco impotente. Mas isso não significaria que eu ficaria a toa no quarto. Fui no banheiro e peguei os sabonetes, guardando na mochila. Tudo que me parecesse útil, eu pegaria. Verifiquei nosso kit de primeiros socorros, as baterias das lanternas, garrafas de água. Depois arrumei lanches para a viagem. Por último, folheei todas as revistas do quarto.
Enquanto isso, Gê se concentrava nos jornais mundiais, certificando-se que o mundo estava bem. Lindsey ensinava uma nova brincadeira a Courtney, Anelise e Sam. Leon e Arys pareciam se dar bem e conversavam tranquilamente. Violet estava quieta no canto do quarto, desenhando em um bloco de notas. Era suas criações. Ela queria ser estilista e havia me contado isso em uma das conversas no túnel. Assim como Leon, Violet tinha uma pequena desconfiança em nós, mas até que se abria, principalmente comigo e Esther.
Levantei de uma vez do sofá. Enquanto Esther e Peter resolviam um assunto, eu tinha que resolver outro. Tinha que falar com Kayra.
- Preciso de ar puro. - anunciei, indo na direção da porta.
- To, não é uma boa ideia. - confessou Gê, desviando sua atenção do noticiário.
- Não vou sair do Hotel. Vou me alongar um pouco. Dar uma olhada no movimento. - menti.
- Certo. Tome cuidado. - afirmou ele.
Assenti e sai do quarto. Disfarçadamente, passei pela recepção e fui rumo a rua. Eu não ia longe, mas Kayra pediu para que os signos não descobrisse sobre ela, então não podia arriscar. Entrei em uma lanchonete qualquer e o garçom veio me atender.
- O que vai querer, senhorita? - perguntou ele, sorrindo.
Acho que ele gostava do trabalho dele, pensei. Abaixei o olhar na direção do cardápio e falei:
- Um suco, por favor.
-Sim. ótimo pedido. - e saiu.
Respirei fundo e olhei em volta. Concentrei-me e fechei os olhos, chamando Kayra. Vi a porta se abrir e uma senhora entrar. Era ela. Ao me ver, ela sorriu e se sentou a minha frente.
- É bom vê-la novamente, Tory. - comentou ela.
Assenti. O jovem garçom colocou o copo de suco na minha frente e perguntou, virando-se para Kayra:
- A senhora quer algo?
- Não, meu querido. Obrigada. - respondeu ela.
Ele assentiu e saiu.
- Então, por que me chamou? - perguntou ela.
- Estamos quase encontrando o último signo e terminando nossa busca. E depois, Kayra? O que faremos? Para onde vamos? Somos um grupo numeroso. - confirmei, preocupada.
- Calma, minha querida. Vocês não estão desamparados nessa hora. Os doze possuem uma sede, um lugar só de vocês. Assim que todos estiverem reunidos, pense na palavra "Casa" e o túnel guiará vocês até o seu lar. - orientou ela.
- Simples assim?
- E por que tem que ser difícil?
- Por que parece que é assim que as coisas acontecem nesse mundo.
- É simples assim, mas vocês não tem muito tempo.
- Os policiais na cidade...
-... estão atrás de vocês. Recomendo que saião antes do crepúsculo.
Concordei com a cabeça, bebi rapidamente o suco e sai do local, deixando o dinheiro em cima da mesa. Não tínhamos muito tempo. Virei na rua do hotel e reparei um grupo de policiais patrulhando a região. Puxei o capuz do meu casaco e abaixei a cabeça, passando rapidamente por eles. Não estava muito longe, quando ainda os ouvi:
- Os Estados Unidos estão loucos para achar esses dois. Parece que são perigosos. Olha o valor da recompensa por eles. É uma pena os quererem vivos. Ouvi na delegacia que se nós os matar, não terá recompensa.
Meu coração gelou. Então, eles não estavam ligando para nossas vidas? Balancei a cabeça, recusando-me a pensar sobre isso e continuei andando. Cheguei rápido no quarto e me deparei com Peter e Esther lá, juntamente com um garoto. Ele tinha a pele clarinha, bochechas fartas e seus cabelos eram avermelhados. Porém sua expressão era de cansaço e suas roupas estavam sujas.
- Sabe o susto que nos deu? - perguntou Peter, aparentemente bravo.
- Os policiais estão aqui por nossa causa. - afirmei.
- Nós sabemos. Há minutos atrás, achávamos que tinham capturado você. - murmurou Esther, triste.
- Não. Passei por eles e mal olharam na minha cara. - confirmei.
- Sorte. - confessou Esther.
Olhei para o garoto.
- Bem vindo ao grupo. Sou a Tory. Aposto que Peter e Esther já lhe contou tudo. - falei com um sorriso.
- Na verdade, não. Eles só disseram: "Oi, sabemos quem você é e estamos aqui para te ajudar". Eu estava precisando. Então, estou aqui. - exclamou ele.
- Você é melhor nessa parte de convencer as pessoas, Tory. Então, deixamos para você contar a verdade para ele. - explicou Esther.
Revirei os olhos e concordei.
-No entanto, não temos muito tempo. Temos que sair da cidade hoje. - e então, virei-me para o garoto. - Sei que é difícil escolher, mas você precisa se decidir: pode vir com a gente. Estará seguro e será bem recebido e acolhido. Contudo, se decidir ficar, nós o deixamos sã e salvo onde te encontramos e será como se nunca tivéssemos nos visto.
Vi o espanto na cara do garoto. Ele aparentava ser bem novo, ter uns doze a treze anos.
- Não! Eu não quero voltar para aquele lugar. Não quero mais trabalhar dia e noite. Vou com vocês para não-sei-aonde. Não me importo. Tudo é melhor do que a vida que levava. Eu quero ir, por favor!- pediu ele.
- Tudo bem. Explicaremos tudo assim que tivermos seguros novamente. - assegurei a ele.
Charles era seu nome. Fizemos apresentações básicas e ele pediu para tomar um banho antes de partirmos. Concordei e ele foi, aparentemente feliz. Enquanto Charles estava no banheiro, nos arrumamos para partir. Assim que ele saiu, fizemos " a fila do xixi", onde todos iam ao banheiro fazer o número 1 e evitar a vontade na viagem.
Pagamos pelo quarto e saímos rua a cidade. Infelizmente, não conseguiríamos cumprir a promessa a Sam e irmos ao Brasil. Na rua, fingimos ser turistas para não levantar suspeitas. Esther foi rápida e comprou um óculos para mim e um chapéu para Gê, ajudando no disfarce. Caminhamos na direção da saída da cidade até achar uma ruela de terra. Sem pensar duas vezes, imaginei um túnel e ele apareceu na nossa frente. Destino: Casa. Seja ela onde for.
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Os Doze Dons Do Sol
AdventureDoze crianças nasceram especiais. As crianças zodiacas. Uma para cada signo, planeta e constelação. Duas delas estão sobre a supervisão e cuidados do Governo. A A-51 era seu lar, mais precisamente o Setor H. Após um blecaute em todo prédio, Tory(Tou...
