Levantei cedo naquela manhã. O sol ainda não havia nascido, mas seus raios já traziam uma luz ao mundo e naquele caso, a minha ilha. Passei rapidamente na cozinha, fiz um lanche e sai de casa, rumo a minha corrida matinal. Em poucos minutos, estava na costa de São Paulo, passeando pela praia deserta. Era uma praia estreita e pouco movimentada. Adora caminhar por ela, sua areia macia amortecia meus passos.
Enquanto caminhava, pensava nas coisas que haviam acontecido recentemente. Gê e Peter continuavam a brigar, mas era raro quando eu presenciava tal evento. Eles sabiam que eu acabaria cumprindo minha promessa que fiz semanas atrás. Esther também me parecia estranha. Ela sabia de algo importante, mas mesmo assim não contava para ninguém. Recentemente, Gê também comentou que está pretendendo voltar a praticar exercícios e pediu para praticar comigo, porém tinha um pequeno problema: eu não tinha tempo vago. Das sete horas da manhã as onze horas da noite, eu estava ocupada. Comentei que o único momento que praticava era com Peter, após o almoço e ele disse que aquele horário. Desde então, treino os dois. No começo, achei que daria muitas brigas. Até estava pensando em treiná-los no ringue que tínhamos na sala de exercícios. Quando começassem a brigar, apenas sairia do lugar e assistiria a luta de camarote.No entanto, eles mal se falavam. Porém, me chamavam a cada dois minutos. Lembro da tarde que gritei com os dois, dizendo que ia ficar louca daquele jeito. Eles conseguiam ser pior que o Sam e a Anelise.
Terminei minha caminhada e voltei para casa. Após um bom banho gelado, fui até a cozinha ver qual seria o cardápio do dia. Na cozinha havia um pequeno quadro e um calendário. Cada dia da semana, dois signos escolhiam as duas principais refeições: almoço e janta. E eu era responsável por descobrir a receita e fazer a comida. Naquele dia, Violet era responsável por decidir o almoço e a Courtney, a janta.
Analisei o pedido:
- Pizza portuguesa? Como será? - perguntei, pegando o livro de receita. - E a sobremesa? Sorvete! Ótimo. Algo que sei fazer.
Em um folha, anotei os ingredientes que precisaria. Estava terminando de colocar as quantidades, quando Esther apareceu na cozinha.
- George saiu para a capital. Falou que vai tentar chegar para o almoço.- falou ela.
- Pesquisa de campo de novo? - perguntei.
- Como você sabia? - questionou-me ela.
- É meio óbvio. Ele sempre sai para comprovar as coisas que lê nos livros. - confirmei, virando-me para ela.
- Isso é verdade. Você está indo comprar as coisas para fazer o almoço? Quer companhia? - interrogou.
- Claro. Preciso de ajuda com as sacolas. - confessei, pegando a lista e colocando no bolso da calça.
Logo saímos para comprar o que precisávamos. Deixamos o Peter e a Violet de olho nos demais enquanto estávamos fora. Não demoramos, comprando tudo tranquilamente. Assim que voltamos, Esther foi cuidar dos seus afazeres, enquanto eu cozinhava na companhia de Arys. Gê não voltou no horário que disse e tivemos que comer sem ele. Eu não gostava muito da ideia de comer faltando um, mas sabia que ele demoraria. Logo após os exercícios, sentei-me no sofá que tinha na sala de exercícios. Peter parou perto da escada, cruzando os braços.
- Você não vai subir? - perguntou ele.
- Não agora. Se subir, sei que terá alguém precisando de mim ou querendo falar comigo. Vou ficar aqui um pouco e descansar. Subo em quinze minutos. - afirmei, deitando no sofá.
- Tudo bem. - disse ele, saindo da sala.
Conforme acostumava com o silêncio do local, comecei a pensar. Aquela história de ter uma mãe ainda vinha na minha cabeça, me tirando a paz de vez em quando. De certo modo, até me preocupava com aqueles dois. Afinal, também tínhamos um laço efetivo e sanguíneo. Queria saber se finalmente o doutor tinha conseguido um emprego e se Lilith tinha melhorado. Queria fazer algo para ajudar os dois, mas não sabia o que ou como. Nos últimos dias, havia pesquisado mais sobre depressão a noite e preocupei-me com o que a doença poderia fazer. Até considerei a hipótese de contar a Lilith que eu era a sua filha, mas... algo dentro de mim não permitia. Fui rejeitada por dezesseis anos. Por que iria me querer agora? Já havíamos perdido o elo criado durante a gravidez e de certo modo, um pequeno rancor estava presente no meu coração.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Os Doze Dons Do Sol
AdventureDoze crianças nasceram especiais. As crianças zodiacas. Uma para cada signo, planeta e constelação. Duas delas estão sobre a supervisão e cuidados do Governo. A A-51 era seu lar, mais precisamente o Setor H. Após um blecaute em todo prédio, Tory(Tou...
