Capítulo XXXIII: Aprendo a diferença entre doutores bons e maus.

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Doutor John estava terminando suas análises quando escutou uma batida na porta do seu consultório.
- Entre. - disse ele. 

Sem muita cerimônia, doutora Lauren entrou e estendeu um pequeno pendrive para o colega.
- Você poderia fazer o relatório para mim? - pediu ela com um sorriso. - É bem melhor que eu.
- Claro. - confirmou dr. John colocando o dispositivo em cima da sua mesa e levantando-se. - Eu só vou ver se o Projeto T não se machucou durante a destruição da sala. Estava refletindo sobre isso e percebi que não vimos se ela saiu sem nenhum ferimento.
- Não! - disse a doutora, ficando na sua frente. - Ela deve estar bem.
- Mas é bom ter certeza. - argumentou o doutor, realmente disposto a ver a garota. 
- É melhor não. - respondeu a doutora, abaixando a cabeça.

Dr. John a olhou, desconfiado. Tinha algo de muito estranho no comportamento da colega.
- Por que não?

Dra. Lauren negou, bufando.
- Você vai ficar sabendo de qualquer jeito. Eles levaram o Projeto T para um experimento no Setor A. - contou ela.
- O que ela está fazendo lá? 
- Foi ideia do diretor. Ele quer mapear cada veia do Projeto, por isso vão aplicar a "tinta" em sua corrente sanguínea. 

Dr. John tomou aquelas palavras como um soco na boca do estômago. Aquilo não poderia ser verdade!
- A "tinta" é altamente tóxica para humanos. Eles podem matá-la!- exclamou ele, desesperado.
- Eu ...sei. Mas foram ordens diretas do Dr. Estevan. - argumentou ela.
- E por que não quis me dizer?
- De todos nós, você é o mais ligado emocionalmente a ela. Estava evitando uma tragédia. Sabia que você ficaria...do jeito que está.
- Se quisesse evitar uma tragédia, teria dado um jeito desse procedimento não acontecer.

Dr. John estava desesperado. Saiu da sua sala e virou o mais rápido possível no corredor. Ele tinha que chegar no Setor A, antes que injetassem a substância no Projeto T. Enquanto  estava correndo pelos corredores da A-51, ele se lembrou da promessa que havia feito a si mesmo. Ele ficaria ali e faria de tudo para o Projeto T não se machucar. No entanto, uma das piores coisas estavam preste a acontecer. 

Dr. John achou a sala em que o procedimento  havia começado a ser executado. Do lado de fora, ele bateu no vidro da sala com os punhos fechado.
- Parem o procedimento!- gritou ele. 

Sem pensar duas vezes, passou a mão na maçaneta e abriu a porta. Projeto T estava ligada a três máquinas diferentes, inconsciente em uma maca. Suas mãos e pés estavam presos com fortes tiras, evitando seus movimentos. Os oito doutores responsáveis pelo setor estavam ali, juntamente com o diretor. Eles o olharam. Dr. John não se importava com o que pensassem dele, só precisava evitar aquilo. Seu olhar se fixou na seringa que estava pronta para ser aplicada na garota. 

Dr. Estevan se aproximou, com uma cara de poucos amigos.
- Algo a acrescentar, Dr. John? Não sei se o senhor percebeu, mas o que está acontecendo aqui é um procedimento muito sério. - disse ele.
- Isso pode matá-la! Não sigam em frente. - pediu o dr. John.
- Que besteira! O Projeto Touro é extremamente forte. Não vai sentir nada. - respondeu o diretor.
- Essa "tinta" é muito perigosa para humanos...
- E desde quando ela é um humano?
- Você está louco! Projeto T nunca deixou de ser uma humana e agora, por hipocrisia, está fazendo sua equipe quase matar a garota. 
- Já basta! Acho que o Dr. John não tem respeito pelos seus superiores e amor por sua profissão. Vou usar seu exemplo e mostrar a todos o que acontece  com quem me desrespeita. Até o pôr-do-sol, estarei aceitando sua carta de demissão. Depois disso, o senhor será considerado um intruso e a polícia será chamada. Terá também doze horas para entregar suas pesquisas, pegar seus pertences e  sair desta instituição. 

Dr. John havia sido demitido. Ele estava espantado com a rapidez que o diretor decidira aquilo. Mesmo assim, aquilo não era a pior coisa. Ele não conseguiu evitar o procedimento e temia imensamente pela vida da garota. 

Os Doze Dons Do SolHistórias para pegar e não largar. Descubra agora