Capítulo XI: Paramos na Espanha e me apresentam a tourada!

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Tudo parecia ir bem. Até aquele momento, eu havia conseguido nos guiar para o caminho correto, quando escutei o barulho.

Muuuuuuuuuuu!

Era um mugido alto e aparentemente desesperado. Meu coração deu um pulo dentro do meu peito, tirando-me o ar dos pulmões. Parei imediatamente e agucei minha audição, esperando escutar o máximo possível. George esbarrou em mim, mas mal sai do lugar.

- Tory, está tudo bem? - perguntou ele, apoiando suas mãos nos meus ombros.
- Mais alguém escutou o som? - interroguei, desviando da pergunta.

Eles negaram. Por alguns segundos, esperei ser apenas minha mente pregando uma peça em mim e atrapalhando minha concentração. Então, o mugido se repetiu, mais alto desta vez, alarmando-me mais.

- O que está acontecendo aqui? - murmurei, confusa.
- Do que está falando, Tory? - perguntou meu amigo, aparentemente preocupado.

Senti uma necessidade de ajuda, um desespero tomando conta de toda a situação. Meu cérebro já não funcionava mais. Virei para o Gê e disse:
- Precisamos subir agora!

Não esperei por uma resposta. Apenas corri, concentrando-me numa escada que me levasse para cima. De repente, meus pés começaram a se elevar e subir de dois em dois degraus. Não precisei olhar para trás para ver que meus amigos me seguiam em um velocidade menor que a minha. A minha frente, uma porta surgiu e eu a abri, sem pensar duas vezes ou me preparar. Parei na calçada. Peter e George foram os primeiros a aparecer, logo depois veio Esther e Courtney.

Muuuuuuuuuuuuuuuuu!

Respirei fundo e olhei em volta. Uma multidão corria na rua.
- Tory, ficou maluca? - perguntou Esther, ofegante.
- Não. - respondi.

Gê deu um passo a frente e observou todos correndo.
- O que está acontecendo? - questionou ele.

Peter também olhou.
- Pergunta melhor: onde estamos? - interrogou ele, lançando-me um olhar acusador.

Quando eu ia responder, um homem passou gritando:
- El toro se escapó! - "O touro escapou!"
- Que touro? - perguntei.

Vi a hora que os olhos de Esther se arregalaram e ela virou para Peter e Gê.
- Precisamos sair daqui. - disse ela.

Eu pensei em perguntar o porquê quando vi minha marca começar a se ativar sozinha. Passei os dedos por ela, preocupada.
- O que há com você? Nunca fez isso antes. - perguntei ao desenho.
- Por que? - perguntou a Courtney.
- Estamos na Espanha. Pelo amor de Deus, me digam que vocês já ouviram falar um pouco da cultura espanhola. - pediu Esther. Eu sentia a urgência na sua voz, mas não via o motivo.
- Claro. - respondeu Gê.
- Que pergunta é essa? - interrogou Peter.
- Touradas. Estamos em Madrid e precisamos sair daqui. - comentou ela.

Eu estava muito distraída com o lugar diferente, que suas palavras não fizeram sentidos em minha mente. Senti uma mão segurar forte no meu braço e olhei assustada.
- Faz o túnel de volta, Tory. Temos que ir para a Itália. - exclamou Peter. Por que será que ele estava tão pálido?

Assenti. Antes que começasse a me concentrar, vi um animal cruzar a rua com toda velocidade. Ele esbarrou nas mesas, porém só parou metros de onde estávamos.Era um touro. Forte, grande e completamente desesperado. Do outro lado surgiu um homem com uma roupa colorida engraçada. Em uma das mãos carregava um pano de seda vermelho e na outra que permanecia atrás das costas, tinha três espadas. Ele caminhou em direção ao touro, estudando cada passo que dava.
-Tory, vamos sair daqui agora! - gritou Gê.
- O que ele vai fazer? - perguntei, com medo da resposta.
- Tory! - chamou Courtney.

Eu não conseguia me desgrudar da imagem. Observei quando o homem investiu contra o animal, usando uma das espadas. Sua pata sangrou e o touro mugiu de dor. Instantaneamente um corte apareceu em meu braço. Passei a ponta dos dedos e senti o sangue morno. Levantei para olhar e vi o homem erguer a segunda espada, mirando na cabeça.
- NÃÃÃÃOOO! - gritei, enquanto corria.

Demorou segundos até eu estar entre os dois. Minha respiração estava acelerada e minha marca totalmente ativa. O homem se surpreendeu com minha presença.
- ¿Qué estás haciendo, muchacha?- "O que está fazendo, garota?", perguntou ele.

A surpresa veio quando percebi que o entendia facilmente.
- Abaixe essa espada! - ordenei.

Ele me olhou e depois olhou para a espada que carregava nas mãos. Como percebi que não faria nada, puxei o cabo da arma e toquei com as mãos na lâmina. Antes mesmo de se manisfestar, eu já havia entortado sua lâmina e jogado-a no chão. Seus olhos se arregalaram. Senti-me completamente brava.

- Você o machucou.- apontei para o touro atrás de mim e depois para o corte no meu braço. - Machucou-me. Pare com isso!

O senhor parecia extremamente confuso. Virei-me para o touro e sorri, tentando tranquilizá-lo. Contudo, ele mugiu alto, como um alerta. Voltei minha atenção para o homem que agora empunhava a espada apontada tanto para o touro, quanto para mim. Peguei-a e dobrei como se fosse de papel, repetindo o que fiz com a outra. Tirei o pano vermelho que segurava e disse:
- Saia daqui e não volte nunca mais.

Sem dizer nada, ele apenas saiu correndo. Rasguei uma tira do pano vermelho e usei como faixa para estancar o sangue do meu novo amigo. Ele mugiu baixinho, agradecendo-me. Meus amigos se aproximaram e levantei.

- O que você fez foi muito arriscado! - exclamou Peter.
- Eu sei. - confessei.
- Não faça isso de novo. - comentou Gê e me deu um abraço.
- Desculpe. - pedi. - Ele me chamou. Se eu o ignorasse, estando tão perto da cidade, provocaria a nossa morte.
- Ele te chamou? - perguntou Esther.
- Desde que estávamos no túnel. - confirmei.

Olhamos para o touro e vi que sua pata não estava mais sangrando. Ele mugiu e abaixou a cabeça. Entendi o que queria como se nossas mentes estivessem conectadas. Respirei fundo e apoiei meu joelho em sua cabeça, subindo com cuidado.

- O que está fazendo, Tory? - perguntou Courtney.
- Ele quer nos dar uma carona. - confessei.
- Todos vamos nele? - interrogou Esther.
- Não. Ele vai chamar reforços. - então olhei para o fim da rua e vi mais três touros. - Chegaram.
- E de onde eles vieram? - questionou Gê.
- De todos os lados. Não poderiam ignorar o chamado. - respondi, terminando de montar no touro. - Vamos.

Eles caminharam, com receio e montaram nos touros. Os animais foram calmos e doceis o tempo todo, ignorando tal contato com humanos. Eles sabiam que não eramos normais e que eu era da mesma família. Biologicamente ou não, estávamos interligados.

- Tem certeza que isso dará certo, Tory? - perguntou Peter.
- Prefere ir a pé? - interroguei de volta.

Ele fechou a cara e se segurou no animal. Neguei com a cabeça e imaginei um buraco, grande o suficiente para passar um touro e uma pessoa em cima. Fui a primeira a entrar e os demais nos seguiram, mugindo. Havíamos causado uma pequena confusão na Espanha e eu esperava que tudo fosse ignorado pela falta de fatos. Recusei-me a pensar nisso e seguimos correndo pelo túnel.

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