Capítulo 14

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Contei até dez enquanto atravessava a rua e abri a porta. Andei até a cozinha e ouvi risadas. Eram Justin e minha mãe. “Ah não!”, pensei.

- Angel! – disse ele, levantando da cadeira.

- Oi Justin... – disse.

Ele me abraçou e, por incrível que pareça, o calor do corpo dele era bom. O abraço dele era bom. Confortante. Senti minha pele estremecer por um segundo e me soltei dele logo em seguida. Aquilo foi estranho.

- Como foi a aula de piano, querida?

- Boa. – respondi, um tanto envergonhada com o que tinha acontecido segundos atrás – Eu terminei aquela sonata do Beethoven.

- Que ótimo! – disse ela.

- É... eu vou colocar a minha bolsa lá em cima e já volto...

Fui correndo para o meu quarto e fechei a porta. Sentei no chão e fiquei paralisada. As lágrimas caíam lentamente no meu rosto. Minha visão estava embaçada. Ainda estava arrepiada com o abraço dele e não sabia o que fazer. Pensei no que a Sra. Stubin me disse e fechei os olhos, deixando mais lágrimas caírem.

- Por quê? – perguntei. – Por que agora?

Abracei meus joelhos e chorei mais e mais, encostada a porta. Não sei o que aconteceu para me fazer chorar. Só foi um ato imediato. Eu estava com frio, arrepiada e provavelmente com a cara inchada. Como desceria lá agora? Eu prometi descer. Eu preciso de um banho. Preciso relaxar.

Entrei no banheiro e tomei um banho quente. Na verdade, nem tomei banho. Só fiquei na água morna. Pensando. Chorando. Saí do chuveiro e coloquei um blusão e um par de meias. Abracei meus joelhos novamente, sentada na cama, e olhei para a porta.

“Eu tenho que descer.” Amarrei meu cabelo em um coque e respirei fundo. Contei até dez. Andei até a porta e hesitei. Mordi meus lábios e a abri lentamente. Saí do quarto e fiquei parada, pensando se deveria ir. Escutei minha mãe me gritar e abaixei minha cabeça, tristemente.

- Já estou indo! – respondi.

Fechei os olhos e desci as escadas. Eu não estava mais com a cara inchada. Só estava exausta. Sentei no lado de minha mãe e sorri para eles, como se nada tivesse acontecido.

- Eu precisava de um banho. Desculpem-me se demorei.

- Não foi nada, Angel. – disse Justin, me olhando nos olhos.

O mar caramelo dele era intenso e demonstrava, de um jeito sedutor, que ele estava preocupado. Abaixei minha cabeça e minha mãe segurou em minha mão.

- Você não quer comer, filha?

- Eu comi na casa da Sra. Stubin.

- Ela fez a sopa dela?

- Sim.

- Devia estar uma delícia.

- E estava.

Sorri ao pensar nela e olhei para Justin de novo, pensando no que ela me dissera dias antes, de ele poder, talvez, estar apaixonado. “É impossível”, pensei.

Little Angel- 1ª TemporadaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora