Capitulo 9

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Helena
           — Estava passando um pano de prato branco sobre a bancada onde servia as bebidas e provavelmente estou puta de raiva porque graças à festinha desses infelizes lá em cima acabei por perder minha freguesia nessa noite,estava tão solitária que se desse um grito poderia ouvir meu próprio eco.
           — Mas pelo menos estaria livre hoje para dar uma geral naquele lugar e sempre que podia fazia isso já que entre as dez cadeiras redondas e vermelhas espalhadas pelo salão principal junto de um pequeno palco de karaokê e coloquei aquilo porque não conseguia suportar que certos hábitos haviam morrido junto das redes sociais e liberdade apenas teria um grande trabalho em lavar e secar tudo já que minhas três mosqueteiras acabaram por ir na comemoração daquele descarado!
Helena:– Maldito!Me escondendo as coisas assim!
           — Tinha começado à encher um balde de água nos fundos quando escutei o sino batendo na porta da frente,finalmente um cliente!
Helena:– Boa noite posso ajudar?
Athos:– Claro que pode querida.
          — Não acredito!De todos os habitantes daquele lugar,por que justo esse cara!?Além do mais não devia estar em sua festa comemorando!?
Helena:– Olha só o Alfa no meu bar que honra!
          — Faço uma reverência exagerada para que soubesse que sua canalhice não tinha passado desapercebida!
Athos:– Você tem um bar mesmo,gostei.
          — Ele se senta em um banco acolchoado vermelho colocando os cotovelos na bancada e me observando droga!Odiava esse tipo de coisa!E odiava ainda mais esse desgraçado por não ter contado de uma vez quem era.
Helena:– E aí?O que vai querer?
Athos:– Você nua aqui em cima da bancada enquanto fazemos sexo?
          — Esse cara pensava mesmo que alguma coisa iria rolar!?Que presunção!Mas não iria deixar que ficasse mais tempo naquela posição já que tinha muito trabalho para fazer e ele aqui só me atrapalhava.
Helena:– Bom se não tem ninguém para estripar ou buracos para cavar é melhor sair já que estamos fechados!
Athos:– Não seja tão ďireta querida já que assim magoa meus sentimentos.
          — Ele está rindo da minha cara,agora não estava mais tão bem arrumado como antes e seus cabelos longos e castanhos estavam soltos e selvagens e seus olhos prateados brilhavam cada momento que me observava,ainda por cima pega a garrafa de bebida que estava numa bandeja de prata e abre a tampa e bebe um pouco.
Helena:– Ei seu porco!Usa um copo!
           — Athos se divertia me provocando e parecia que tínhamos voltado até aquela caverna no deserto onde um queria provocar o outro.
Helena:– Olha pra você ver como sou uma garota legal leva a garrafa beleza?
           — Aquilo lhe faz parar de beber e me observar enquanto um meio sorriso surge daquela boca com cavanhaque, querendo me provocar ainda mais!?Maldito!
Athos:– Tenho certeza que é bem boa.
           — Aquele olhar descia pelo meu corpo me fazendo arrepiar de uma maneira que não tinha nada à ver com medo.
Helena:– Tarado!Por que não está na sua festa hum?
         — Não que me importasse com sua vida nem nada assim mas fiquei curiosa pelo motivo de ter batido na minha porta já que a verdadeira diversão acontecia lá no alto junto daquelas feras.
Helena:-Por que não foi?E quer saber!?Não gosto da sua raça Athos!
Athos:– Então estamos íntimos para nomes?Eu gosto disso doce Helena.
Helena:– Para com isso!
            — Se ele fosse pelo menos um verdadeiro idiota poderia bater de frente mas não tinha nada à ver com isso já que Athos estava sendo compreensivo e não tinha tentado qualquer coisa era só desconcertante ter alguém assim que não apelava para a violência.
Athos:– Eu fiz isso tudo por um motivo Helena.
Helena:– Não me diga que retornou por tédio ou vontade de fazer algo mais útil da sua vida hum?
Athos:– Retornei por sua causa caçadora.
           — Parei de guardar os copos de vidro naquele segundo,como conseguia falar aquelas coisas!?
Helena:– Mas é um idiota mesmo!
           — Ele me olhava de uma forma curiosa como se esperasse que me explicasse mas esse era o problema porque estava livre e voltou por tesão!?Argh!Imbecil!
Athos:– Parece brava amor?
Helena:– Em primeiro lugar não me chame assim e segundo você retornou por falta de boceta no deserto é!?
           — Tinha me aproximado tanto que sentia a respiração dele em meu rosto e ambas as mãos estavam cravadas na bancada como um animal selvagem,Deus!Talvez estivesse mesmo me transformando em uma fera!E para deixar aquele encontro mais desagradável comecei à me sentir estranha como se tudo dentro de mim tivesse dando uma volta de trezentos e sessenta graus completa.
Athos:– Você não me parece nada bem gatinha.
           — Virei o corpo para o sentido oposto pra que não visse que algo está errado,mesmo sabendo que tinha pouco tempo não iria deixar que ninguém me descobrisse já que aqueles que foram mordidos acabaram se transformando em verdadeiras feras e não retornavam as suas formas humanas fazendo assim com que fossem guardas dos muros da Fortaleza todo o tempo e assim era quase impossível escapar sem ser acusado por nossos antigos colegas.
Helena:– Malditas feras!
Athos:– Qual o problema Helena?
           — Esse cara já estava do meu lado tentando me segurar porque meu corpo não me obedecia fazendo eu ficar mole como gelatina e Deus!
Helena:– O que está fazendo seu animal!?Me coloca no chão!
Athos:– Você está quase desmaiando minha delícia e acredito que isso não seja uma boa idéia.
Helena:– Pare de me chamar assim!
           — Mais risada e outra vez o mundo está perdendo seu rumo e foco parecia que estava me perdendo em um sonho tão distante quanto o barulho que aos poucos me deixava e mesmo não querendo apagar fui fazendo aquilo que meu corpo naturalmente desejava fazer,infelizmente aquele delinquente tinha ficado ao meu lado apenas rezava para dessa vez ir encontrar minha irmã em um lugar apenas nosso longe de tudo e todos para um campo que tinha nomeado recentemente de felicidade silenciosa.

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