Capitulo 11

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Helena
          — Não achei que esse dia chegaria tão cedo em minha vida mas era real porque além do sentimento de liberdade queimando como fogo em meu peito não acreditava que a ordem tinha partido dele,precisava admitir que sempre lhe agradeceria por aquilo mas estou tão confusa se por um lado não sou mais obrigada à prestar serviços por outro preciso pensar o que farei com aquela ferida cada vez mais se espalhando por meu corpo,Athos antes de ir disse que não me deixaria sozinha mas me pergunto o que pode fazer por mim?
Monalisa:– Sabia que te encontraria aqui.
           — Tinha ido até os limites da fronteira da Fortaleza para treinar um pouco com arco e flecha e antes mesmo de tocarmos em uma arma éramos obrigadas todas as manhãs à acertamos pelo menos cinco vezes o alvo ou então levávamos várias chicotadas e ainda tinha algumas marcas de uma vez que não deixei que dessem na Monalisa por ela nem mesmo saber usar uma arma dessas e de todas ela era à que menos merecia apanhar por um erro tão bobo e absurdo então acabei levando dez cinco por mim e por ela e a melhor parte se assim poderia dizer foi a cara da instrutora que parecia mortalmente ofendida quando acabei por lhe acusar de bater como uma menina.
Monalisa:– Do que está rindo?
            — Ela observava um arco em suas mãos com a ponta de prata enquanto me esperava acertar o alvo mas naquele dia não estava tão concentrada assim.
Monalisa:– O que está acontecendo?
Helena:– Está melhor amiga?
Monalisa:– Sim consegui me recuperar.
Helena:– Graças à Deus.
Monalisa:– Não sabia que ainda era cristã.
Helena:– Por que não seria?
            — Seu riso contido assim como seu jeito de gozar as pessoas era sempre uma piada interna para ela.
Monalisa:– Vamos ver?Porque foi proibido a religião se lembra do que aconteceu aqueles grupos perturbados da Síria?
          — Quando as primeiras investidas começaram pelo mundo muitos tentaram se defender como podiam mas foram massacrados e aqueles que faziam partes de facções terroristas por aquelas partes acabaram por serem mortos ao vivo,era irônico que o inimigo do meu inimigo se tornou uma espécie de anti-herói?Não estava do lado deles mas confesso que aquilo foi algo bem louvável à se fazer.
Helena:– Bem feito pra eles!
Monalisa:– Tem razão.
Helena:– Monalisa eu preciso te contar um segredo.
Monalisa:– Tudo bem tem à ver com seu namorado?
            — Aponto o arco e flecha para sua cabeça como uma ameaça de que se continuasse as coisas não terminariam bem.
Helena:– Ele não é nada meu!
Monalisa:– Ok não está mais aqui quem falou.  
           — Ela levanta ambos as mãos para o alto como se sua rendição fosse lhe poupar da minha raiva.
Monalisa:– Apesar disso quando o ver quero lhe agradecer por ter me devolvido a vida.
Helena:– Não esqueça que foi pela raça dele que foi tirada!
Monalisa:– Você é muito rancorosa amiga!
Helena:– Minha mãe estava certa quando falava que nós brasileiros não temos memória boa para lembrar dos fatos!
Monalisa:– Laga essas armas aí e vem comer alguma coisa eu fiz cookies!
             — Baixo a flecha que iria mandar pra o alvo e que provavelmente iria errar por ter a cabeça nas nuvens.
Helena:– Já tô indo.
            — Ao começar à comer sinto um pequeno conforto no peito porque estava deixando muita coisa para trás e ia sentir muita falta.
Helena:– Monalisa?
Monalisa:– Diga?
Helena:– Eu fui mordida por um deles no deserto.
           — Uma parada brusca na caminhada lenta que dávamos.
Monalisa:– O que!?Onde!?
Helena:– Perna.
           — Ela dá várias voltas ao meu redor como se não acreditasse e hora e outra me olhava com um olhar acusatório.
Monalisa:– Eu vou te matar!
Helena:– Hum?
Monalisa:– Por que só inventou de falar agora!?
Helena:– Eu sinto muito.
Monalisa:– O Athos sabe?
Helena:– O que aquele idiota tem à ver com a minha vida!?
Monalisa:– Ele pode te ajudar de alguma maneira.
Helena:– Dispenso obrigado!
Monalisa:– Você sempre foi uma cabeça dura do caralho!
  Helena:– Quer saber?
Monalisa:– O que!?
Helena:– Até xingando você fica fofinha!
Monalisa:– Ridícula!
           — Ela tinha mudado a postura e agora toda séria com um bico enorme e braços cruzados parecia até um pouco a docinho ou um dos sete anões tão bravo mas adorável em sua essência.
Monalisa:–  Você deveria contar para ele.
        — E com aquilo já sabia em quem iria mencionar de novo.
Helena:– O Athos já sabe.
Monalisa:– Sério?
Helena:– É.
Monalisa:– Caramba!Além de ser gato é preocupado com sua garota!?Cara preciso arrumar um desses!
Helena:– Só pode estar de brincadeira comigo!
Monalisa:– Antes fosse mas quer saber?
Helena:– O que!?
Monalisa:– Gosto dele.
Helena:– É?Pode ficar então!
Monalisa:– Não seja ciumenta sabe que o cara nem está a fim de mim.
           — Não posso me dar ao luxo de me interessar por alguém e muito menos ser um cara da raça dele e agora para piorar tudo estou me transformando na única besta que mais odeio!
Monalisa:– E aí?O que está pretendendo fazer?
          — Tinha uma alternativa mas precisaria sair da Fortaleza e partir em viagem.
Helena:– Preciso ir embora daqui.
Monalisa:– E para onde iria?
Helena:– Tem um lugar em questão que vai me acolher de qualquer jeito.
Monalisa:– É perturbada?E aonde seria esse incrível lugar!?
Helena:– Ainda não vou contar mas se tudo der certo Monalisa irei ainda essa noite mesmo.
Monalisa:– Você é doida!
Helena:– E você é loira!
           — Ela faz um movimento super sensual com o cabelo cacheado e platinado que só fazia seus olhos verdes parecerem joias naquele corpão!
Helena:– É sério que tem horas que te odeio sabia disso!?
Monalisa:– O que posso fazer amiga?Nasci assim.
Helena:– É mesmo sempre tão modesta!
Monalisa:– Aonde está seu homem?
Helena:– Eu já falei...
Monalisa:– Que não é seu.
Helena:– E aí?Vai me ajudar à escapar essa noite?
Monalisa:– Fazer o que né?É pra isso que servem as melhores amigas.
Helena:– Por isso que te amo!
Monalisa:– Falsiane.

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