Athos
— Eu tive todos os motivos para desconfiar e barrar a entrada do meu pai na Fortaleza só não acreditei mesmo quando aconteceu,agora preso aqui nessa cela com minha mulher sei que é uma questão de tempo até ele tentar convencer os outros alfas dos países vizinhos.
Athos:– Tentar chutar até derrubar essas grades não vai ajudar sabia?
— Tinha me sentado contra a parede oposta e observava minha loba desferir vários golpes contra aquelas barras de prata e mesmo se machucando em algumas tentativas sei que não ia parar até acreditar que estava conseguindo derrubar aquela prisão maldita.
Helena:– Seu pai é um grande safado!
Athos:– Eu sei.
— Ela se vira para mim com seus braços cruzados e finalmente dando um tempo em suas tentativas de fuga e se sentando na minha frente com as pernas cruzadas.
Helena:– Droga!Nunca pensei que o Jung pudesse fazer esse tipo de coisa!
— Mesmo sabendo que Jung estava comigo desde o começo não acreditei em sua traição,também só acho que algo maior deve ter impulsionado ele de alguma maneira.
Helena:– Se você quiser falar alguma coisa cachorro fique a vontade!
Athos:– A situação está ótima para uma possível transa não acha!?
— Mesmo sabendo que a situação era crítica e que provavelmente seríamos alvo de um ataque muito maior orquestrado pelo doente mental do meu pai não conseguia me conter e guardar minhas piadas para mim.
Helena:– O que?!
Athos:– Calma pequena loba estamos perto de acabarmos mortos então pensei que uma última vez iria nos satisfazer bastante.
Helena:– Você acha que a Natasha está bem?
Athos:– Sei que está.
Helena:– Ela tinha ficado com Angelica e agora não estou entendendo mais nada!
Athos:– Meu pai nunca soube da existência da própria neta e agora que se passou tanto tempo não vai mesmo saber.
Helena:– E quanto à ela?
Athos:– Do que está falando?
Helena:– Acredita que esse seja mesmo o desejo do seu coração!?Ela precisa ficar o mais perto possível da família.
Athos:– Caramba Helena!
Helena:– O que!?
— Precisava segurar essa mulher em meus braços e mesmo estando em péssimas condições estou bem por ela continuar comigo e deve ser assim que acabei pegando seu braço e a trazendo para perto.
Athos:– Você fala igual a mãe dela.
Helena:– Estou falando sério idiota!
Athos:– Eu também garota loba!
— Acaricio sua bochecha e ela segura minha mão e beija.
Helena:– Não temos tempo pra isso Athos!
Athos:– Pelo contrário querida tempo é tudo que temos agora.
— Ela se levanta rápido e fica andando de um lado para outro como se a qualquer momento pudesse derrubar aquelas paredes.
Helena:– E se eu me transformasse?
Athos:– Não vai funcionar Helena essas celas foram feitas para suportar qualquer impacto e quando falo isso falo de vários prisioneiros se transformando ao mesmo tempo e tentando derrubar esse lugar.
Helena:– Esperto você em?
Athos:– Na verdade Jung me deu a idéia de fazer isso.
Helena:– Não me fale nesse cara porque estou puta com o que ele fez!Quer saber!?Quando sairmos daqui eu pessoalmente vou castrá-lo!Só lamento pela Angelica porque parecia que gostava mesmo do cara.
Athos:‐ Se eu fosse você lobinha não acreditava em tudo que vê.
— Me levanto porque do mesmo jeito que ela também precisava botar pra fora sua fúria eu também estava pronto para fazer o mesmo.
Helena:– O que está fazendo?
— Acertei com tanta força a parede que estava que até pensei ser possível escapar pelo menos por alguns segundos.
Helena:– Você está bem?
— Comecei a ver que não precisava me transformar em um monstro só porque a raiva transbordava como sangue em minhas veias.
Athos:– Estou melhor graças a você.
Helena:– Por um simples toque?Caramba você é carente em alfa!?
— Não sabia se era a prisão ou a maneira que ria da minha cara ou talvez uma mistura poderosa dessas duas coisas me fez pegá-la pelo pulso e colocá-la contra a parede enquanto a via se debater e gritar que iria arrancar minhas tripas fora se não a libertasse o que obviamente só me deixava estranhamente excitado.
Athos:– Case comigo.
Helena:– Nossa do nada!?Como você é pertubado!
— Ela estava rindo e parecia ser de nervoso mesmo já que não conseguia nem mesmo me olhar nos olhos então lhe beijei até que estivesse sem fôlego e faria isso quantas vezes fosse preciso.
Helena:– Qualé teu problema!?
— Helena vai tentando se afastar porém antes que pudesse ficar de costas pego seu braço e a giro em minha direção.
Athos:– Fale o que pensa loba!
Helena:– Não vou me casar com você entendeu!?Nem agora e muito menos em um futuro próximo!
Athos:– Por que?
Helena:– Me largue seu idiota!
— Acabo lhe soltando já que não faria sentido brigar e muito menos agora porque precisava pensar em algo antes de ser esquecido pelo resto nesse maldito lugar!
Helena:– Eu fui transformada Athos e sem sombra de dúvida isso nunca será visto com bons olhos!
Athos:– Que se foda as pessoas!
Helena:– Você sabe que estou certa!
Athos:– Uma ova!
Helena:– Por que é tão teimoso em aceitar a verdade!?
Athos:– Minha mãe também era humana antes de ser morta pelo meu pai Helena.
— Eu não tinha entendido por que estava me contando isso apenas que existia algo mal resolvido entre ele e Baltazar só que não tive coragem em perguntar mais nada até aquele momento.
Helena:– Por que ele fez isso?
— Percebo que aquele tipo de pergunta o faz ficar mais agitado e até meio mal humorado.
Helena:– Olha me desculpe eu não quis te fazer reviver coisas ruins só senti curiosidade mesmo.
Athos:– Não tem problema lobinha sabe que faço tudo por você.
Helena:– Não deixe Natasha ouvir isso.
Athos:– Ela é forte e vai superar rápido.
Helena:– O que?
Athos:– Que talvez eu queira estar do seu lado.
Helena:– Me responda sobre sua mãe.
Athos:– Ela veio de um outro país para ser usada não como uma caçadora mais como uma escrava de um dos muitos soldados da Fortaleza.
Helena:– Obviamente ela não foi escolhida para isso e como seu pai chegou nela?
Athos:– Ele tinha acabado de retornar ao Brasil pouco tempo antes das principais cidades terem caído e houvesse as primeiras prisões e assim por meio de uma escolha que nem mesmo foi por causa da minha mãe Baltazar acabou por escolhê-la.
Helena:– Como foi isso?
— Eu sempre soube o que tinha acontecido e mesmo entendendo o que fez por ela não poderia perdoá-lo pelo que passou.
Helena:– Você não tem que me contar o resto se não quiser.
— Fico observando aquela pequena loba e me perguntando por quanto tempo passei rastejando até finalmente ir ao seu encontro porque mesmo sabendo que me salvou minha lobinha não fazia idéia disso ainda.
Athos:– Ela fugiu da compra e venda de escravas que estava sendo feita acho que era Brasília o nome do lugar e quando tentava escapar dos guardas acabou sendo atropelada.
Helena:– Seu pai estava nesse carro?
— Tive que dar um meio sorriso nessa hora porque a história poderia ter mais de um lado e mesmo assim não ser o que se espera pelo menos pensei assim na época que aquele desgraçado me contou.
Athos:– Na verdade meu pai tinha se transformado e assim quase passou por cima dela,aí o cara ficou louco e não faço idéia se pela culpa ou por sua beleza pórem acabou comprando ela.
Helena:– Que sorte não?
Athos:– Talvez nem tanto já que está morta.
Helena:– Desculpa.
Athos:– Eu sei loba.
— Acabo beijando o topo da sua cabeça e me afasto até tocar a parede e tentar com isso de algum jeito criar conforto e trazer paz só que me abrir daquela forma para alguém estava fazendo com que me acalmasse.
Athos:– Algumas semanas depois ele acabou descobrindo que minha mãe estava grávida só que não era dele.
Helena:– Como é possível?Pensei que éramos operadas para que não pudéssemos gerar mais filhos humanos não foi assim?
Athos:– Meu pai logo deu um jeito e acabou mordendo minha mãe que mesmo se transformando em uma loba não conseguiu suportar o parto e acabou morrendo e assim eu vim para esse mundo miserável!
— Tinha raiva de admitir para mim mesmo que a culpa da morte dela era tão dele porém totalmente minha.
Helena:– Athos eu sinto muito.
Athos:– Não sinta lobinha porque a culpa é minha.
Helena:– Você não é culpado por nada idiota!Então seus irmãos sabem que a mãe deles não é a sua?
Athos:– Sempre souberam e mesmo sabendo que isso existia entre nós nunca vi nenhum dos dois me chamarem de bastardo ou coisa parecida e mesmo tendo nossas diferenças agora eu amo cada um deles.
Helena:– Com ou sem tentativa de morte?
Athos:– Bem isso só fortalece o amor certo?
Helena:– Por que acho que isso foi uma indireta para mim?
Athos:– Porque foi diretamente ligado a você lobinha.
Helena:– Aonde quer chegar idiota?
Athos:– Eu conheci você a muito tempo atrás sabia?
Helena:– Do que está falando?Eu me lembraria se te conhecesse não acha?
Athos:– Foi pouco tempo depois que perdi minha mulher e deixei minha filha com Rita e acabei vagando pelo deserto como um dos canibais dessas tribos sabe que sempre acabavam se entregando aos seus vícios,provei carne dos meus irmãos e afoguei minhas dores e mágoas em tanto sangue humano quanto de lobisomem que acreditava ter me tornado um verdadeiro monstro quando tinha passado pelo menos uma semana como um lobo sem ter consciência e voltava sempre para a estaca zero quando resolvia voltar a ser quem era.
— Paro um pouco de falar e a vejo me observando sem nem ao menos querer continuar suas perguntas.
Helena:- Athos ainda não estou entendendo onde quer chegar.
Athos:- Numa noite acabei pegando uma briga feia com um dos lideres e fomos resolver isso nos transformando e duelando até a morte e acreditei que iria conseguir vencer o combate só que o desgraçado era mais forte do que parecia e fiquei a beira da morte apenas esperando o golpe final quando você apareceu.
- Agora seu jeito de me olhar muda e a verdade e consciência cai como uma cortina.
Helena:- Não pode ser...eu saia algumas vezes.é verdade só que sempre fui bastante cuidadosa.
Athos:– E porém para ir atrás de alguém você virava outra coisa.
Helena:– Harpia é claro!Eles tinham capturado ela e fui atrás porque...
Athos:– Você é assim não deixa ninguém para trás e salvou suas amigas aquele pássaro e sem saber a mim e então abri meus olhos naquela noite.
Helena:– Para o que?
Athos:– Tentar acabar comigo,agradeço por isso minha loba.
— Eu a abraço e mesmo que não entenda de imediato o que fez para mim agora sabe que não nos conhecemos a pouco tempo e sim desde que perdi alguém muito importante em minha vida.
Helena:– Você é um grande idiota Athos!
Athos:– Vou levar como um elogio.
Valentim:– Realmente ele é.
— Quando percebo a presença dele e da Rita do lado com um sorriso grande de orelha à outra por alguns segundos me esqueço de tudo de ruim que aconteceu entre nós.
Rita:– Não acharam que estavam sozinhos nessa né!?Dá para abrir logo essa porta!?
Valentim:– Quer parar de encher o saco!?
— Enquanto os dois discutiam Valentim acaba arrancando a porta mesmo tendo as chaves em mãos.
Rita:– Dificilmente irmão.
Helena:– Nossa valeu mesmo Valentim!
Valentim:– Se você conseguia arrancar as portas por que esperou por ajuda imbecil!?
Athos:– Por esse motivo corram idiotas!
— Agarro o braço de Helena e acabo pulando por uma das janelas do corredor principal e em seguida Valentim e Rita fazem o mesmo e uma grande explosão começa no andar que ficava as prisões e caso tivesse uma possível fuga existia a opção de matar os desgraçados enquanto ainda estivessem dentro.
— Quando caímos num prédio vizinho em uma sacada e levanto Helena que está com uma grande cara que poderia arrancar meus olhos a qualquer momento sei que fomos salvos.
Rita:– Ah por esse motivo!
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Criança Selvagem
Loup-garouEm um futuro distopico controlado por lobisomens desde a última guerra poucos humanos sobraram e esses sobreviventes tem apenas duas opções ou se tornam escravos para o prazer ou são treinados para serem caçadores de traidores ou fugitivos,Helena é...
