Capitulo 4

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Helena
          — Depois que escolhi ser caçadora e me esquecer do que fui de algum jeito tornava a dor em meu interior dormente e as vezes até suportável e mais outras que assim como eu escolheram lutar mesmo sabendo que nossas chances eram poucas preferiam isso à ter que serem servidas como objetos sexuais,quanto aos garotos era a mesma coisa nunca tínhamos sido treinados juntos,ficava uma treinadora para nós e um treinador para eles e ficamos em alojamentos que antes tinham sido escolas particulares agora serviam para ensinar a arte da luta e combate.
             — Só fui entender meses depois que começou o quanto precisava ser egoísta quando os primeiros ringues de luta foram apresentados pela mulher que todo dia batia em nós como se fossemos animais e se por algum milagre acertasemos ela ou até à derrotassemos não voltávamos com hematomas pelos nossos corpos e ao iniciar as lutas entre garotos e garotas precisei repensar todos os meus conceitos de certo ou errado já que se não brigassemos até a morte os dois seriam sacrificados e assim os fracos seriam eliminados dando lugar à guerreiros mais frios e destemidos,Deus como aquele olhar cheio de sangue e cansaço me atormentava como todos os outros a noite,para não continuar com aquela tortura acabei o apunhalando no peito com os olhos fechados.
Athos:– Pesadelo?
          — Não acreditava que tinha dormido com essa aberração estando tão perto,poderia ter sido estuprada por esse maldito.
Athos:– Por que me olha assim?
          — Era fim de tarde já que a luz do sol não estava mais predominando tanto na parede de pedra e parecia que tinha saído para caçar já que acabava de tirar da pequena fogueira uma ave talvez em um espeto?
Helena:– O que está fazendo?
Athos:– Preparando comida para minha mulher.
Helena:– Se você falar isso de novo eu vou arrebentar sua cara!
          — Não devia ter ido longe com isso mas iria até um certo ponto já que depois que libertasse aqueles pobres coitados das garras daquelas coisas lá embaixo iria voltar para a Fortaleza já que não havia tido muita sorte em capturar novas cabeças para levar de volta.
Helena:– Foi caçar enquanto eu estava dormindo?
         — Ele faz um sinal com os ombros como se para ele fosse muito normal ou sempre fizesse esse tipo de coisa então resolvi complementar aquele pequeno banquete.
Athos:- O que está fazendo?
         — Tinha ido até minha bolsa onde peguei algumas frutas que guardava para comer entre as folgas de uma possível captura já que não ficávamos muito tempo no deserto no máximo uma semana talvez e nada mais.
Helena:– Pegue essas bananas e maçãs.
          — Eram duas de cada que ainda tinha e entreguei para ele que estava surpreso mas mesmo assim conseguiu demonstrar um pequeno sorriso para mim.
Helena:– Para com isso!
Athos:– O que?
Helena:– De sorrir dessa maneira.
Athos:– Por que?
Helena:– Você me assusta!
         — Ele estende para mim o espeto e desconfiada lhe peço para dar uma mordida já que poderia ter colocado veneno ou alguma droga do sono e eu ainda não tinha caído que estava do meu lado,mesmo esperando que negasse e assumisse que estava tramando contra mim Athos faz aquilo que peço e também bebe da água no cantil que tinha me dado.
Athos:– Tão desconfiada.
          — Ele fala isso num tom de zombaria e mesmo sorrindo sabia que estava falando um pouco sério mas não ligava para sua opinião porque nesse maldito emprego confiança era algo tão raro quanto liberdade.
Helena:– Cuidadosa apenas.
          — Me sento no chão de areia na frente dele que continuava com aqueles olhos prateados me observando como um verdadeiro predador que olhava sua presa,aquilo de qualquer maneira me traz memórias ruins.
Helena:– Como foi capturado?
         — Ele olha para todas as direções não sabendo o que responder mas percebia que está mesmo é entendiado com essa pergunta.
Helena:– Por que não responde?
Athos:– Porque não quero.
Helena:– Ou talvez nem tenha coragem.
          — Aquilo lhe faz olhar em minha direção com um brilho intenso em seu olhar como se o desafio fosse mais divertido que a reposta em si de qualquer jeito continuo comendo sem me importar com o que iria responder ou se faria mesmo isso.
Athos:– Eu me deixei ser capturado.
          — Bebo apenas um gole da água no copo que tinha trazido em minhas coisas bastante surpresa.
Helena:– Athos?Tem idéia da burrice que fez?
Athos:– Gentil você.
          — Mais uma risada como se não ligasse e em seguida toma de uma vez só toda a água que estava em seu copo.
Athos:– Não fazia diferença alguma estar vivo ou não apenas iria apressar minha morte delícia.
Helena:– Você ia se matar?De um jeito burro e difícil?"Cê é um idiota!"
Athos:– Como falei antes não adiantava mais estar vivendo eu fugi da Fortaleza antes das coisas piorarem.
Helena:– Espera aí eu nunca te vi por lá.
Athos:– Escapei por anos mas sempre acontecia algo que me levava para os arredores daquele lugar como se nunca pudesse ir muito longe e agora doçura tenho você pra me levar de volta.
Helena:– Como falei antes Athos eu só queria te capturar para levar você como prêmio então não seja tão presunçoso!
Athos:– Entendo.
         — Aquilo deve ter acalmado seu ânimo e baixado sua bola porque esse idiota era muito irritante não bastasse esse romance ilusório que tinha criado em sua cabeça ainda por cima era um suicida!
Athos:– Mas você conseguiu Helena.
Helena:– O que?
Athos:– Quando livrarmos a cabeça dessas pessoas voltarei com você para a Fortaleza.
Helena:– Entende que vai ser capturado e forçado à se tornar o que eles quiserem!?
          — Esse cara só podia ser louco ou algo do tipo porque suas ações não eram nada racionais porém não reclamava quando o prisioneiro estava tão prestativo.
Athos:– Não se preucupe comigo minha delícia vou ficar bem.
          — Se aqueles monstros que íamos enfrentar não o matassem eu o faria porque estava enchendo o saco esses apelidos!
Helena:– Tudo bem lobisomem.
           — Ele tinha ficado de costas enquanto observava o acampamento lá embaixo sem sinal algum de invasores pelo menos por enquanto.
Helena:– Vamos atacá-los e você deve morrer nesse combate.
          — Outro sorriso sem nenhum comprometimento e como já tinha pensado antes,Athos era maluco!
Athos:– Você não vai se livrar tão fácil assim de mim.

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